Costa acusa Rio de querer algo que "nem a ditadura" fez: "restabelecer a prisão perpétua"

Agência Lusa
4 jan, 13:40
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Líder do PS reage com estupefação ao debate entre o líder social-democrata e André Ventura. E gravou um vídeo só para lamentar o que viu e ouviu

O secretário-geral socialista acusou hoje o presidente do PSD de se dispor a considerar o restabelecimento da prisão perpétua por conveniência eleitoral, contrapondo que há linhas vermelhas inultrapassáveis e que os valores do humanismo não são transacionáveis.

Esta posição de António Costa consta de um vídeo que divulgou nas redes sociais, que surge em reação ao debate entre Rui Rio e o líder do Chega, André Ventura, na SIC, na segunda-feira, durante o qual foram discutidos temas como as condições de governabilidade à direita ou a vigência da prisão perpétua no ordenamento jurídico europeu.

Na sua mensagem, o secretário-geral do PS considerou que o país assistiu “com surpresa, em direto e ao vivo, ao doutor Rui Rio, por conveniência ou necessidade eleitoral, a dispor-se a considerar com André Ventura diferentes modalidades para restabelecer a prisão perpétua”.

“Quero ser muito claro: em circunstância alguma podemos ceder nos princípios ou nos valores. O combate ao populismo exige linhas vermelhas inultrapassáveis. Os valores do humanismo que inspiram a nossa sociedade não são transacionáveis. Um político responsável tem sempre os seus princípios e os nossos valores no centro”, criticou António Costa.

O secretário-geral do PS recorreu depois à história do direito penal, salientando que “Portugal tem uma longa tradição humanista assente na ideia de que todo o ser humano, por ser dotado de consciência, é capaz de mudar”.

“Por isso, fomos o primeiro país do mundo a acabar com a pena de morte. Desde 1884, Portugal não tem prisão perpétua. Nem a ditadura pôs em causa esta tradição e a democracia construiu um direito penal humanista, que garante que Portugal seja o quarto país mais seguro do mundo”, acrescentou.

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