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Coordenadora Digital CNN Portugal

O Combate dos Chefes (Dia 12): e foram felizes e dialogantes para sempre

28 jan, 08:00
António Costa e Rui Rio no penúltimo dia de campanha eleitoral.

António Costa e Rui Rio disputam votos até ao fim, mas na segunda-feira o combate pode virar diálogo e entendimento. Ainda há tantos finais possíveis que a história até pode ter novos capítulos

A campanha está a chegar ao fim e os eleitores, nesta altura, saberão responder a pelo menos uma destas perguntas: em quem vou votar? Em quem não vou votar? Em quem vou efetivamente votar se votar em quem quero votar, não votando em quem não quero mesmo votar? Também haverá muitos que ainda questionarão “a que horas vou votar?”, mas, em princípio, encontramo-nos quase todos lá entre as 18h00 e as 19h00.

Para quem ainda não sabe mesmo a quantas anda e que, até domingo, vai buscar a calculadora que tinha guardada para os apuramentos da seleção portuguesa, Rui Rio dá uma ajuda: "A principal coisa que se vai decidir é quem é o primeiro-ministro e qual é o partido que lidera o Governo. E aí só há duas opções: ou votam no PS para ser o doutor António Costa, ou então votam no PSD.”

Pronto, isto assim até parece simples. Ou um, ou outro. Claro que há outros partidos e candidatos, que “estão a fazer o papel deles”, mas, nesta altura, votar num, pode ser votar noutro. E votar num pequeno, pode ser votar num grande. E votar em Costa ou Rio pode ser, afinal, votar nos dois.

Confuso/a? Calma, eles vão explicar melhor. Augusto Santos Silva falou, na CNN Portugal, numa possibilidade de “um acordo de cavalheiros” entre PS e PSD, que permitisse ao vencedor das eleições governar. Costa, que ainda há um mês dispensava a conversa com Rio, e que ainda há uma semana pedia maioria absoluta, agora está cheio de “consensos e diálogos com todos”.

“Nós tivemos um acordo escrito com o PCP, com o Bloco e com o PEV e não foi isso que nos impediu de continuar com o PSD em tantas e tantas matérias”. Lá está, anda tanta a gente a dramatizar o voto útil à esquerda ou à direita e, afinal, até pode ir dar ao mesmo… centro.

Já Rui Rio é, neste aspeto, bem mais coerente desde que estes cenários se começaram a traçar. Mantém-se "disponível para negociar com quem ganhar, para garantir a governabilidade" e, se for primeiro-ministro, espera que “seja recíproco". Ou seja, pode vir a ajudar o PS, espera vir a ser ajudado pelo PS e, desde que dê para um dos dois governar, está tudo bem.

Se for esse o caso – o de um dos dois governar, já que para isso terá ainda de entrar em cena o Presidente -, Costa só risca da equação o Chega. Rio bem tenta, mas “sem linhas vermelhas”, como afirmou, também na CNN Portugal, David Justino, não parece tão seguro. "Eu podia dizer que falava com o BE ou com o PCP, não tenho problemas quanto a isso, não vale é muito a pena. E a mesma coisa se aplica ao Chega". Não vale a pena, a não ser que seja mesmo, mesmo preciso.

Portanto, aqui chegados, caro leitor e caro eleitor, a boa notícia é que o seu voto é muito desejado por todos e que, tirando uma ou outra previsão mais arrojada, a emoção é muita porque ninguém sabe quem irá ganhar: se Costa, se Rio, se a esquerda, se a direita, se o diálogo, se novas eleições. A má é que penso que não ajudei nada e o combate por agora acabou, porque a partir de segunda-feira os chefes até podem ser os mesmos, mas a história vai ser outra de certeza.

Resultado final da campanha (amanhã não há Combate dos Chefes, uma vez que será dia de reflexão): António Costa 6 – Rui Rio 7

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