Costa lamenta despedida "dois anos mais cedo que o previsto" e deseja a Marcelo aquilo que não teve

CNN Portugal , MJC
21 dez 2023, 18:34

O primeiro-ministro esteve no Palácio de Belém para a tradicional visita natalícia ao Presidente da República e aproveitou para fazer um balanço dos oito anos de governação

"Por razões que conhece bem, este momento acontece dois anos mais cedo do que era previsto", começou por dizer António Costa a Marcelo Rebelo de Sousa na tradicional ida a Belém para desejar um bom Natal. "É não só um momento de votos de boas festas, mas também de despedida, visto que é o último Natal que passamos em conjunto nestas nossas funções de Presidente da República e de primeiro-ministro."

Isto num discurso em que o chefe do Governo deixou bem claro que espera que o mandato do Presidente da República vá até ao fim, coisa que o primeiro-ministro não conseguiu, depois de se ter demitido na sequência da Operação Influencer.

Dirigindo-se a Marcelo Rebelo de Sousa, sempre com um sorriso, António Costa lembrou que o chefe de Estado "nunca experimentou presidir com outro primeiro-ministro, eu já tive oportunidade de ser primeiro-ministro com outro Presidente da República, e há uma coisa que lhe posso assegurar: é que nos habituamos." E concluiu: "Penso que vai correr bem."

Olhando para os oito anos de governação, António Costa admitiu que "foram muito exigentes". "Felizmente já mal nos lembramos de algumas das apoquentações que tínhamos há oito anos", disse, referindo-se aos problemas financeiros e económicos que o país então vivia. "Vencemos momentos difíceis como a pandemia e os incêndios de 2017. E vivemos também momentos felizes, porventura irrepetíveis: a eleição do secretário de estado das Nações Unidas, no próximo verão teremos oportunidade de sermos novamente campeões europeus de futebol."

Do ponto de vista da relação institucional, estes foram, na sua opinião "dos melhores períodos de relacionamento entre órgãos de soberania", ainda que, sublinhou, "boa convivência não quer dizer sempre coincidência de pontos de vista entre órgãos de soberania", o que é compreensível, uma vez que Vosta e Marcelo são "de famílias políticas diversas".

A prova dessa boa relação é que têm "bons presentes de natal a trocar". O Presidente da República promulgou o Orçamento de Estado para 2024, e, por outro lado, a Comissão Europeia "acabou de aprovar a transferência para Portugal, já na próxima semana do montante correspondente ao essencial dos terceiro e quartos pagamentos do PRR: 2.400 milhões de euros".

"Entre nós temos uma diferença profunda, que não conseguimos ultrapassar, e bem se esforçou, mas efetivamente não me conseguiu conquistar para o privilégio da fé", disse Costa, bem humorado. E deixou uma promessa: "Como ex-primeiro-ministro não imitarei aqueles que também não imitei como primeiro-ministro, mas poderá sempre contar com a minha disponibilidade para acrescentar um suplemento de otimismo, quando a fé não seja suficiente. Desejo que nunca seja necessário, que haja muitas venturas e poucas desventuras. E que o seu mandato continue a correr até ao fim da forma como os portugueses tão bem têm apreciado tanto no primeiro como no segundo mandato, tanto do ponto de vista pessoal como para nós enquanto país".

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