Costa diz que "ninguém do Governo deu ordens ao SIS" e que "há pouco conhecimento" do que são os serviços secretos

CNN Portugal , MJC
22 mai, 14:21

Primeiro-ministro respondeu também ao antigo presidente Cavaco Silva, desvalorizando as suas declarações, que considerou terem servido apenas para "alimentar aquele frenesim em que a direita agora está"

O primeiro-ministro António Costa foi, esta segunda-feira, questionado sobre a polémica em volta do ministro das Infraestruturas João Galamba e do seu ex-adjunto Frederico Pinheiro, voltando a afirmar que "sobre essa matéria já disse tudo o que tinha a dizer".

"Seguramente na quarta-feira voltarei a ser questionado na Assembleia da República e voltarei a dizer o que já disse. Mas um episódio, por muito deplorável que seja, não se transforma no principal problema do país", disse o primeiro-ministro durante uma visita ao Parque das Nações, no dia em que se assinalam os 25 anos da abertura, naquele local, da Expo98.

Reafirmando a sua confiança na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), o primeiro-ministro sublinhou que "o Governo colabora com as instituições e está disponível para dar todas as informações que Comissão Parlamentar de Inquérito" requerer. E reafirmou: "Não nos vamos pôr aqui com especulações, ninguém me pediu para ir à CPI."

Sobre a atuação do SIS - Serviço de Informações de Segurança, António Costa voltou a dizer que não há qualquer indício de ilegalidade na sua atuação. "Primeiro, quando desaparece um documento classificado, o que é se deve fazer? Comunicar às autoridades. Foi isso que foi feito e muito bem feito. Em segundo lugar, o que é que as autoridades devem fazer perante uma comunicação dessas? Em função do contexto e da relevância que atribuem aos documentos desaparecidos, devem atuar. E atuaram, nos termos da lei."

"Há pouco conhecimento do que é o SIS. O SIS não são umas pessoas sinistras que se dedicam a operações obscuras. O SIS não tem competência nem faria qualquer ação de natureza policial", garantiu.

E fez questão de clarificar a situação: "O SIS não me informou de nada previamente. Ninguém do Governo deu ordens ao SIS e o SIS não tinha de informar nada. Esta era uma operação corriqueira, em regra o SIS não informa nada antes de as operações serem tomadas."

Questionado sobre se mantinha a confiança política no ministro João Galamba, o primeiro-ministro limitou-se a dizer que "não houve nenhum facto novo", que levasse à alteração da sua posição. 

"Frenesim" de direita

Quanto a Cavaco Silva, o primeiro-ministro desvalorizou as declarações do antigo presidente durante um encontro de autarcas do PSD, considerando que aquele limitou-se a "alimentar aquele frenesim em que a direita agora está, de querer criar o mais rapidamente possível uma crise política artificial de forma a não dar tempo que os portugueses sintam, como têm o direito a sentir, os benefícios da recuperação económica", argumentou António Costa.

"Para haver crise política ela tem de ser artificialmente criada", considerou o primeiro-ministro. "É nesse quadro que eu vejo as declarações de alguém que foi de facto Presidente da República mas que decidiu despir o fato institucional para vestir a t-shirt de militante partidário e fazer um discurso inflamado para animar as suas hostes partidárias."

"Aquilo que cabe a mim não é cuidar dos interesses partidários da direita portuguesa, é cuidar do interesse nacional", sublinhou o primeiro-ministro.

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