Portugal, Espanha e França têm de apresentar a Bruxelas o plano de interligações energéticas até 15 de dezembro

Agência Lusa , BC
4 nov, 17:26
António Costa e Pedro Sánchez na Cimeira Luso-Espanhola (Estela Silva/EPA)

Em conferência de imprensa após a Cimeira Luso-Espanhola, que decorreu em Viana do Castelo, o primeiro-ministro revelou que os três países têm um prazo apertado para apresentar a Bruxelas o projeto sobre interligações energéticas

O primeiro-ministro anunciou esta sexta-feira que Portugal, França e Espanha têm de apresentar a Bruxelas o projeto sobre as interligações energéticas até 15 dezembro, querendo os executivos trabalhar com a Comissão Europeia para identificar fontes de financiamento europeu.

Na conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, no final da 33.ª cimeira luso-espanhola, que decorreu hoje em Viana do Castelo, António Costa saudou o acordo alcançado em outubro entre Portugal, Espanha e França para a construção de interligações energéticas entre a Península Ibérica e o resto da Europa.

Segundo o primeiro-ministro, os governos dos três países estão a trabalhar para que, “depois do encontro em Alicante”, no dia 9 de dezembro, possa ser apresentado “um projeto comum na União Europeia na data limite, que é 15 de dezembro”.

Portugal e Espanha reforçam controlo da convenção sobre rios comuns

Portugal e Espanha vão criar estruturas permanentes para controlar o cumprimento da convenção que regula a gestão dos rios partilhados, segundo a declaração final da cimeira ibérica.

“Ambos os países decidem impulsionar o desenvolvimento de um Secretariado Técnico Permanente da Comissão para a Aplicação e Desenvolvimento da Convenção de Albufeira (CADC), em linha com as melhores práticas na gestão partilhada de bacias hidrográficas internacionais, que facilite o trabalho contínuo nas matérias reguladas pela Convenção de Albufeira e, em particular, no planeamento hidrológico”, lê-se no documento.

Portugal e Espanha vão ainda trabalhar “de forma conjunta para harmonizar os indicadores de seca e escassez usados por ambos os Estados e, em particular, os que caracterizam as situações de exceção previstas na Convenção de Albufeira”.

“Os dois países acordam, também, em reforçar a coordenação com vista a solucionar constrangimentos estruturais que prejudicam o cumprimento dos objetivos estabelecidos na Convenção de Albufeira, designadamente no domínio do abastecimento de água às populações e da exploração dos aproveitamentos hidroelétricos”, lê-se na mesma declaração, adotada no final da 33.ª cimeira entre os dois países, que decorreu em Viana do Castelo.

Por fim, os dois executivos decidiram “criar um grupo de trabalho sobre água e energia que contribua para abordar conjuntamente o papel da água como fonte de energia e explorar as oportunidades do armazenamento energético”.

Estas decisões são tomadas depois do ano hidrológico de 2021/2022, que terminou em 30 de setembro, ter sido considerado “o mais seco das últimas décadas”, como lembra o texto da declaração conjunta.

Neste ano hidrológico de 2021/2022, Espanha não cumpriu os caudais mínimos dos rios Douro e Tejo, previstos na Convecção de Albufeira, o pacto entre os dois países em relação aos cursos de água partilhados.

Por causa da seca do último ano, Portugal e Espanha “têm vindo a reforçar os mecanismos de diálogo, tanto a nível político, como técnico, no sentido de fazer face a esta situação de extrema gravidade” e “para mitigar os efeitos”da falta de chuva, “os dois países fortaleceram os mecanismos bilaterais de acompanhamento dos caudais, passando de trimestral para mensal”, sublinha o texto hoje divulgado.

“Portugal e Espanha acordam trabalhar de forma conjunta e coordenada no estudo da seca e dos problemas da escassez, procurando liderar estes temas no âmbito da União Europeia”, dizem ainda os dois governos, no texto saído da cimeira de hoje.

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