Costa recorda compromisso da ONU para "manter a paz" e condena Rússia por ameaças nucleares "irresponsáveis"

22 set, 22:20
António Costa na Assembleia-Geral da ONU

Primeiro-ministro deixou claro que Portugal quer contribuir no Conselho de Segurança para uma ONU mais justa e eficaz

Uma mensagem de condenação para a Rússia e um lembrete à ONU. O primeiro-ministro, António Costa, discursou esta quinta-feira na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, onde recordou o compromisso feito em 1945: manter a paz e a segurança internacionais, desenvolver relações de amizade entre as nações e “poupar gerações futuras ao flagelo da guerra”.

"77 anos depois, ainda não alcançámos estes objetivos", começou por apontar Costa, acusando a Rússia de uma "invasão injustificada e não provocada da Ucrânia", em "flagrante violação do Direito Internacional, desde logo da Carta das Nações Unidas".

Nesse sentido, o primeiro-ministro português pediu uma investigação independente "para que os crimes cometidos não passem impunes", condenou a ação russa e reiterou o apoio de Portugal à Ucrânia:

"A Rússia deve cessar as hostilidades e permitir a criação de um diálogo orientado para a paz", apelou, acrescentando que "Este não é o tempo da Rússia escalar o conflito ou fazer irresponsáveis ameaças de recurso a armas nucleares.

O primeiro-ministro deixou ainda claro que "as necessárias sanções aplicadas à Rússia "não podem afetar" direta ou indiretamente a produção, o transporte e o pagamento de cereais e fertilizantes.

Costa quer alterações no Conselho de Segurança da ONU

O primeiro-ministro afirmou que com a candidatura a um lugar de membro não-permanente no Conselho de Segurança em 2027-2028, Portugal quer contribuir para tornar a ONU mais justa, eficaz e representativa.

Costa frisou que a ONU precisa de um Conselho de Segurança "representativo, ágil e funcional", "capaz de responder aos desafios do século XXI sem ficar paralisado", e cuja ação seja escrutinada pelos restantes membros das Nações Unidas: "Um Conselho de Segurança que integre uma visão abrangente de segurança, reconhecendo, nomeadamente, o papel das alterações climáticas como aceleradoras de conflitos", afirmou.

"É essencial uma visão global da segurança, com a Nova Agenda para a Paz preconizada pelo Secretário-Geral. Uma agenda voltada para a prevenção de conflitos e capaz de garantir o financiamento adequado, previsível e sustentável da consolidação da paz", sugeriu.

Atualmente, o Conselho de Segurança da ONU tem Estados Unidos da América, Rússia, França, Reino Unido e China como membros permanentes, com direito de veto.

Salientando que Portugal tem-se afirmado como "um parceiro fiável para a paz e estabilidade globais" ao longo das últimas décadas, Costa recordou que as forças militares portuguesas estão presentes em quatro teatros de operações de manutenção de paz ao serviço das Nações Unidas.

"Sinto imenso orgulho no reconhecimento que as nossas forças militares e de segurança têm recebido pelo contributo que dão na gestão de crises e conflitos em todos os continentes – sob a égide das Nações Unidas, da NATO ou da União Europeia", admitiu.

 

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