"A clivagem partidária entre o PS e o PSD é muito vincada", diz Costa. Será verdade?

28 jan, 13:16
Clivagem partidária

Para o secretário-geral dos socialistas, há três áreas centrais que distanciam o PS do PSD

Em entrevista à Antena 1, esta terça-feira, António Costa deu três exemplos que distanciam o PS do PSD, nomeadamente os salários, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e as pensões.

Os salários é um dos tema que mais dividem os dois partidos. O PS compromete-se, de forma incondicional, a atingir um salário mínimo de pelo menos 900 euros até 2026. Rui Rio defende que estes aumentos devem ter em conta o contexto económico: “Não acho adequado o aumento do salário mínimo nacional num momento em que as empresas não conseguem vender e não têm receitas e num momento em que as empresas estão a lutar para não ir à falência e que não têm a capacidade, inclusive, de pagar os salários, porque é o Estado que está a pagar uma parte do salário a muitas delas”, afirmou o presidente do PSD em outubro, no encerramento das jornadas parlamentares dos sociais-democratas.

No capítulo do SNS, as diferenças estão também presentes. No debate com Rui Rio, António Costa disse querer “continuar a reforçar” o SNS, rejeitando “pegar nos recursos do Estado e reforçar ao lado”, entenda-se, subsidiar o sector privado. Já o líder do PSD defende o oposto, pretendendo o reforço da contratualização com o privado, “para que os portugueses sejam atendidos e façam as cirurgias em tempo aceitável - é mais serviço a melhor preço”, defendeu o social-democrata durante o mesmo debate.

Por fim, as pensões. O Orçamento para 2022, apresentado pelos socialistas e chumbado pela Assembleia da República mas que o PS ainda pretende executar, prevê um aumento de dez euros nas pensões até 997 euros. Questionado sobre este aumento, Rui Rio voltou a recusar comprometer-se sem antes avaliar o estado da economia. “Tenho de ver as condições económicas do momento.”

Em relação às pensões mais baixas, Rio considerou que é “socialmente justo” aumentá-las “havendo possibilidade orçamental”. “Deve fazer-se. Mas não se pode fazer todos os anos, sem cuidar, em paralelo, de também garantir o poder de compra de todas as pensões”, afirmou, numa entrevista ao JN e à TSF em novembro.

Ainda no tema das pensões, o líder social-democrata quer avançar com a capitalização parcial da Segurança Social, isto é, indexar parte dos investimentos aos mercados financeiros. "Coisa diferente é podermos ter um sistema misto, que tem de ser articulado, consensualizado, um sistema com uma base pública, que pode ser complementado com uma base de capitalização", disse Rio, durante o debate com Catarina Martins.

Não são só estes os temas que distanciam os socialistas dos sociais-democratas – também os impostos assumem aqui uma barreira, com o PSD a defender a redução de 21% para 17% do IRC para as empresas, enquanto o PS, embora admita “ajustamentos à estrutura do IRC”, não avance com compromissos nesse sentido, preferindo o IRS: a proposta dos socialistas assenta no desdobramento do 3.º e 6.º escalão do IRS já este ano, enquanto os sociais-democratas defendem uma descida deste imposto em 800 milhões de euros até 2026.

Conclusão: Verdade

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