Costa, “gato escaldado”, não tem data para dar médico de família a todos. Chicão, contra o "totalitarismo", quer tirar a “ideologia de género” das escolas

9 jan, 22:05

O primeiro-ministro não se comprometeu com uma nova data para que todos os portugueses tenham um médico de família. “Gato escaldado”, classificou-se a si mesmo. Já o presidente do CDS-PP quer a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento fora das escolas. “É porta aberta ao totalitarismo”, alegou. No debate onde tanto se falou de liberdade, muito se discordou sobre como aplicá-la.

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Uma promessa antiga de António Costa, feita em 2016, havia de marcar o início da discussão na noite deste domingo: o primeiro-ministro queria todos os portugueses com médico de família e chegou a dar data.

“É verdade que esse nosso objetivo não foi alcançado ainda”, admitiu o socialista.

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Mas não está, de todo, esquecido no programa eleitoral do PS, disse. Os socialistas querem os cuidados de saúde primários a cobrir 80% da população. E o objetivo para os médicos de família, justificou, só não chegou a bom porto por dois motivos: há mais utentes e poucos profissionais para tanta gente. Daí que seja preciso criar mais atrativos para estes médicos, para que se fixem em zonas onde essa oferta é mais fraca – algo que está também nas promessas.

O secretário-geral do PS não promete agora uma nova data para que todos os portugueses tenham médico de família. “Gato escaldado de água fria tem medo. Não vou assumir uma data no calendário”, respondeu.

Do outro lado, Francisco Rodrigues dos Santos ouviu. Na hora de falar, ainda tentou uma volta por outros temas, para lembrar o “pântano” e a “bancarrota” que o PS deixou a executivos de direita. Mas, após vários pedidos para voltar ao tema dos médicos de família, face às vontades do rival, lá admitiu: “não estou satisfeito, até porque as promessas são para cumprir”.

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“Não colocamos a ideologia à frente das pessoas. O que é verdadeiramente importante é que o doente tenha uma consulta ou cirurgia a tempo e horas”, insistiu.

Nem que para isso seja preciso recorrer ao privado, disse, para vincar uma diferença ideológica face aos socialistas. Chicão, como também é conhecido, quer que os portugueses em listas de espera possam ser atendidos em hospitais particulares e sociais. “António Costa sabe que há filas de espera que duram anos e há doentes que morreram porque não foram atendidos”, insistiu.

Mas, para o primeiro-ministro, “a prioridade” está em “investir” no Serviço Nacional de Saúde – que, ainda assim, está melhor, reforçado com 28 mil profissionais e com a garantia de “acesso à saúde de todos”. “O bom modelo é o que ficou consagrado na Lei de Bases da Saúde”, acrescentou, lembrando que existem parcerias com o setor social.

Saúde deu arranque a um debate que se desenvolveu sempre em tom cordial (Foto: SIC)

À “ideologia de género”, Costa respondeu com a Constituição

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Liberdade. Tanto para Costa como para Francisco Rodrigues dos Santos é um valor basilar. A diferença está na forma de o aplicar. O centrista quer os portugueses com margem para escolher entre o público e o privado na Saúde mas também na Educação.

E, neste último campo, tem uma vontade bem concreta: retirar a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento dos currículos obrigatórios. Porque há um ponto do programa a causar incómodo. “A ideologia de género é uma porta abertura ao totalitarismo” que não encontrou “nem em Cuba nem na Venezuela”, disse.

Na resposta, Costa socorreu-se dos 12 anos sobre a aprovação do casamento homossexual, assinalados no sábado. Costa lembrou que as famílias têm diferentes formas e feitios. “Essa noção de liberdade faz parte da educação cívica que temos de dar às nossas crianças e jovens”, afirmou.

“Para quem fala tanto de liberdade, devia deixar os outros serem felizes”, acusou Costa.

Chicão lamentou o “discurso prosaico de Miss Simpatia e Miss Mundo” do rival, argumentando que as famílias deviam poder escolher se os filhos frequentam ou não a disciplina, que conta com um “conjunto de conhecimentos que são ideológicos” e “não têm evidência científica”,

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“Não podemos confundir as crenças religiosas com os valores plasmados na nossa Constituição”, concluiu Costa.

(Foto: SIC)

O “choque fiscal” e o “primeiro-ministro do inverno demográfico”

Costa e Rodrigues dos Santos não esquecem que a promessa de baixar impostos, como o IRS, dá votos. Mas, como lá chegar, é que é a grande questão. A moderadora iniciou esta ronda falando no “choque fiscal”, uma expressão cara aos centristas.

“Não podemos ser o país das Web Summits e das fábricas de unicórnios, mas depois as empresas não se fixarem cá”, começou Francisco Rodrigues dos Santos. E lembrou o peso dos impostos para as empresas, destacando o caso concreto do setor da cerâmica.

Na primeira oportunidade, Costa lembrou que “sempre que a direita falou em choque fiscal, a primeira coisa que fez foi aumentar impostos”. E quis vincar a diferença entre impostos e carga fiscal. A última subiu, explicou, à custa das contribuições sociais. Já “o peso dos impostos desceu”, acrescentou. E recorreu a uma comparação direta: “da última vez que o CDS esteve no Governo, os impostos subiram 2,7%”, e baixaram 1% com o executivo que agora lidera.

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Francisco Rodrigues dos Santos quer mais progressividade no IRS, mas viu Costa argumentar que a proposta centrista favorece as famílias com maiores rendimentos. “O que queremos é inverter a pirâmide demográfica e ter as famílias a ter filhos”, explicou o líder do CDS ao “primeiro-ministro do inverno demográfico em Portugal”.

“António Costa vive no país das maravilhas. Os portugueses vivem no país de António Costa. E sabem que ter filhos é quase uma impossibilidade”, reforçou.

Chicão viu o rival desconstruir-lhe diversas propostas mas manteve-se fiel aos objetivos (Foto: SIC)

 

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