Costa conta que está surpreendido: antes diziam-lhe na rua "vai-te embora", agora é "olhe, não voto em si mas obrigado"

24 dez 2021, 16:04

Primeiro-ministro e a mulher, Fernanda Tadeu, estiveram no programa "Dois às 10", da TVI. Houve política - muita - mas também revelações pessoais - algumas (incluindo sobre esta pergunta: "Já chorou durante esta pandemia?")

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Foi de um modo relaxado que António Costa se apresentou no programa da TVI, canal do mesmo grupo da CNN Portugal. Começou por revelar o que disse ser a simpatia daqueles que o cumprimentam na rua para lhe agradecerem o contributo no combate à pandemia mas também pela reposição de pensões e rendimentos.

“Ao fim de muitos anos ouvimos muitas coisas, como ‘força’ ou ‘vai-te embora’. A expressão ‘obrigado’ é recente, sabe bem ouvi-la. Dizem ‘olhe, não voto em si mas obrigado’. Para quem exerce esta atividade é reconfortante”, contou.

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Entrando no tema da pandemia, o primeiro-ministro explicou que governar durante este período é “frustrante” e que nota esse sentimento em alguns colegas seus. “Este Governo praticamente começou a governar com a pandemia. Há membros da minha equipa frustradíssimos porque não conseguiram ser ministros sem serem ‘ministros da pandemia’. A ministra da Saúde tem tido um peso excecional em cima dela, também a ministra do Trabalho e o ministro da Economia, mas tudo acaba por dar à pandemia. É frustrante para os outros porque têm uma agenda para cumprir.”

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Com a pandemia vieram as medidas restritivas que, com o tempo, diz Costa, “não vale a pena perceber se agradam ou não”, afirmando que há coisas que “não se discutem”. “Não posso pedir a quem vai ter um grande prejuízo que fique satisfeito. A nossa preocupação não tem de ser a de agradar, temos é de fazer o necessário.”

Respondendo a uma questão sobre se candidataria às eleições legislativas se soubesse que viria aí a pandemia, Costa é sucinto: “Acho que sim”. A mulher concorda e vai um pouco mais longe. “Ele é um otimista, adora desafios e tem muita força para os enfrentar”, disse Fernanda Tadeu.

Sobre o que este período trouxe de bom, a confiança no SNS é a primeira menção referida por Costa: “Quem tinha dúvidas acerca da necessidade de um Serviço Nacional de Saúde deixou de as ter”. O primeiro-ministro apontou também para o relevo que os portugueses voltaram a dar à Segurança Social, escolas e atividade desportiva durante a pandemia.

Lembrando a dureza de exercer um cargo político relevante numa época como a que vivemos, o apresentador Cláudio Ramos questionou o primeiro-ministro sobre se já tinha chorado durante a pandemia. Emocionado, Costa respondeu: “Herdei do meu lado paterno uma sobriedade na expressão das emoções e sentimentos, tanto em público como em privado.” Fernanda Tadeu foi além. “Guarda tudo para dentro, é preciso quase a saca-rolhas perceber o que é que lhe vai na alma, sobretudo quando está triste.”

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O sufrágio de 30 de janeiro está aí à porta, algo que para António Costa era dispensável. O atual primeiro-ministro voltou a falar sobre a “desilusão” com o chumbo do Orçamento do Estado para 2022 por parte de PCP e Bloco de Esquerda. “Era uma solução em que eu acreditava, tínhamos um bom Orçamento e fizemos um enorme esforço para que houvesse entendimento. Foi um bocado morrer na praia. Era a altura para relançar e não estar em crises políticas.”

No entanto, o duro golpe infligido pelos parceiros da “geringonça” não abala a confiança de António Costa, que admite ter “boas expectativas” para as eleições. “Acho que as pessoas têm muito bom senso, percebem que neste momento tão difícil não é tempo para trapalhadas, é tempo para haver paz, tranquilidade e acalmia.”

Costa terminou a entrevista desejando “o melhor Natal” aos portugueses, com a “tranquilidade possível”.

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