Costa responde a Cavaco. "Preocupa-se bastante com o seu lugar na história, eu estou preocupado com o futuro dos portugueses"

Beatriz Céu , com Lusa
3 jun, 16:25

O primeiro-ministro comentou ainda a nova liderança do PSD, assinalando que manteve "sempre total disponibilidade para o diálogo com o Dr. Rui Rio", admitindo esperar agora por saber qual será a posição de Montenegro na oposição

O primeiro-ministro, António Costa, reagiu esta sexta-feira ao desafio de Cavaco Silva para que o primeiro-ministro faça "melhor" do que ele com a maioria absoluta, garantindo que está a trabalhar precisamente para "fazer mais e melhor".

"Quanto ao artigo do professor Cavaco Silva, é um artigo muito interessante relativamente ao qual não tenho muito a responder. Ele preocupa-se bastante com o seu lugar na história, eu estou preocupado sobretudo com o futuro dos portugueses", disse Costa aos jornalistas, no final de um almoço na Câmara do Comércio Luso-Espanhola.

António Costa disse partilhar a "mensagem de fundo" apresentada pelo antigo primeiro-ministro de que é necessário "fazer mais" e "melhor". "É para isso que estou a trabalhar", garantiu.

"Quanto à política, parece-me que os visados são outros e não propriamente eu", assinalou.

O primeiro-ministro disse ainda que tem tido "um cuidado muito grande" em procurar valorizar o trabalho dos seus antecessores, lembrando que em 2016 o país prestou "uma belíssima homenagem" a assinalar os 40 anos da tomada de posse de Mário Soares como primeiro-ministro, e ainda no ano passado foi prestada outra "belíssima homenagem" às quatro décadas que se passaram desde o primeiro governo de Pinto Balsemão.

"E seguramente em 2025 espero contar com o Dr. Cavaco para podermos fazer uma homenagem pelos 40 anos do seu longínquo governo", frisou.

Questionado pelos jornalistas sobre a nova liderança do PSD, após a vitória de Luís Montenegro nas diretas do partido, Costa assinalou que o PS manteve "sempre total disponibilidade para o diálogo com o Dr. Rui Rio", e que, aliás, ficou assente em "dois acordos importantes". "Um sobre a negociação dos fundos europeus e outro sobre a descentralização, que vai sucedendo bem", concretizou.

Costa vai ouvir em julho Montenegro sobre novo aeroporto e alta velocidade ferroviária

O primeiro-ministro disse ainda que vai ouvir em julho o novo presidente do PSD para decidir a localização do novo aeroporto de Lisboa e a alta velocidade ferroviária, considerando essencial politicamente aproveitar a fase inicial dessa nova liderança.

Em resposta a uma questão formulada por um empresário espanhol, Costa referiu que a direção cessante do PSD, a de Rui Rio, evoluiu na sua posição relativamente à decisão apontada pelo executivo de Pedro Passos Coelho, tendo exigido a realização de uma avaliação ambiental estratégica entre as opções do Montijo e de Alcochete.

“Como é sabido, agora, a liderança da oposição está em alteração e, neste momento, aguardo que no próximo mês tenhamos um novo líder da oposição para saber se o acordo é Montijo, se é Alcochete, ou qual é o acordo”, disse.

“Pela minha parte, conheço 20 boas razões para cada uma das localizações e também conheço todas as razões para que nenhuma dessas localizações seja boa e, portanto, por mim é só decidir”, sugeriu, acrescentando, ainda em modo de ironia, que só tem "um critério": "Aquilo que a oposição entender é aquilo que fazemos, mas não podemos perder mais tempo relativamente ao novo aeroporto."

António Costa foi ainda questionado pelos jornalistas sobre o alerta do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quanto à necessidade de uma uma solução de compromisso para a descentralização de competências para as autarquias, com recursos orçamentados para 2023 e sem "deitar fora o peso de uma instituição" como a Associação Nacional de Municípios, Costa respondeu:

"Não vejo como uma crítica. O sr. Presidente da República disse o que é óbvio. Nós estamos a falar do processo de descentralização, que é o mais ambicioso que o país tem praticamente desde 1976. Foi negociado longamente com a Associação Nacional de Municípios. Não há um único diploma que não tenha sido aprovado com o acordo da associação de municípios. Obviamente estes anos de pandemia obrigaram a que se alterassem os calendários, e os municípios pediram para atrasarmos algumas das competências a transferir. Esses cálculos tem de ser reavaliados", assumiu.

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