Costa desmontou o “inspetor tributário” que não se vacinou, Ventura respondeu com os “inúmeros casos de corrupção que o PS gerou”

6 jan, 21:56

Quente, muito quente, o debate entre António Costa e André Ventura. Com interrupções constantes de parte a parte. Os impostos começaram a alimentar a disputa, mas a corrupção havia de ser a machadada final. "Comigo não passa", repetiu Costa

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António Costa entrou com um objetivo claro: desmontar o adversário. E, para isso, contornou mesmo a primeira pergunta sobre os infetados que ficarão impedidos de votar. A vacinação, disse, é a solução. Já com André Ventura na mira.

“Fico muito preocupado quando vejo responsáveis políticos como o deputado André Ventura pôr em causa a eficácia da vacinação”, começou, lembrando depois a notícia avançada em dezembro pela CNN Portugal: afinal, André Ventura já admite vacinar-se. Costa quis saber se já tinha os elementos todos para a decisão.

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“Quero-me vacinar”, garantiu o presidente do Chega. Mas virou o jogo a seu favor, para atacar o “caos” na saúde criado pelo Governo:

“Os portugueses não querem saber se estou vacinado ou não. É se amanhã vai haver médico de família no centro de saúde deles”.

A responsabilidade, apontou, é do Governo. Assim como do Governo é a responsabilidade pelos milhares que não vão poder votar a 30 de janeiro. “Sabia que isto ia acontecer”. Enquanto deputado, lavou as mãos no assunto. Costa lembrou o parecer já pedido à Procuradoria-Geral da República.

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Vacinação abriu o debate, com Costa a recuperar entrevista de Ventura à CNN Portugal (Foto: Ricardo Lopes/RTP)

Favorecer os ricos, cortar nos políticos

O debate foi, minuto a minuto, aquecendo. As interrupções foram-se multiplicando. Costa e Ventura falaram um por cima do outro. E quando é que tudo isto se deu? Quando começaram a falar de impostos.

Costa não quis que, uma vez mais, Ventura passasse de “bitaite em bitaite” e atacou onde mais podia doer: o programa eleitoral. "Uma das medidas é muito útil discutirmos, que é promotora de desigualdade: a taxa única de IRS para toda a gente”, incitou.

O secretário-geral do PS lembrou, várias vezes, que André Ventura foi "inspetor tributário", para chegar sempre à mesma conclusão:

"O senhor deixou de fiscalizar os impostos para ir dar conselhos a quem quer fugir ao Fisco"

Questionado sobre o valor da descida de impostos que propõe, o líder do Chega fugiu às contas. Havia de explicar apenas que a descida do IRS seria progressiva, em quatro anos. E, para compensar o impacto nas contas do Estado com o corte de impostos, desencantou outra solução:

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“Metade da classe política e das nomeações são para acabar. Só aí pouparíamos milhões”.

Mas, até para isto, o socialista arranjou resposta: “o senhor deputado quer cortar muitos cargos políticos mas não há um a que não se tenha candidatado”.

Ventura foi ficando mais desconfortável, à medida que Costa lhe escrutinava o programa (Foto: Ricardo Lopes/RTP)

De Sócrates à Casa Pia, tudo serviu como arremesso

Foi Costa quem colocou o tema da corrupção em cima da mesa para desconstruir Ventura:

“Fala, fala, fala mas é preciso ver o que faz. Fala muito de corrupção, no dia 19 de dezembro onde estava? Faltou à Assembleia da República quando tinham sido votados dois diplomas fundamentais de combate à corrupção e por unanimidade com a ausência do Chega”.

O líder do partido mais à direita sacou então de uma das suas personagens favoritas, José Sócrates:

“O ministro da Justiça de José Sócrates trazer a corrupção para cima da mesa é de bradar aos céus. Devia pedir desculpa aos portugueses pelos inúmeros casos de corrupção que o PS gerou e por estarmos a julgar um ex-primeiro-ministro que nos tirou milhões”.

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A verdade é que António Costa foi ministro da Justiça, mas num executivo liderado por António Guterres. Na equipa de Sócrates, assumiu a pasta da Administração Interna. Ainda assim, antes de lembrar o trabalho feito no campo da corrupção, o socialista não fugiu à provocação: “Qualquer socialista que viole a lei tem de ser responsabilizado e é uma vergonha para o PS”.

Com o tempo que tinha de ser equilibrado, Ventura soltou o que lhe pareciam ser trunfos escondidos: a nomeação de Mário Centeno para o Banco de Portugal e o alegado envolvimento de Costa num dos casos mais mediáticos de sempre: “Há escutas suas a tentar interferir no processo Casa Pia”.

O rival não se ficou: “Da última vez que fez uma acusação num debate acabou condenado pelo Supremo Tribunal”.

Costa não desarmou o sorriso durante o debate (Foto: Ricardo Lopes/RTP)

Rio já está “condicionado”

“O senhor comigo não passa. As suas ideias não passam”, foi uma das frases que Costa mais repetiu no confronto. Precisamente para vincar diferença de um outro nome que não estava à mesa: Rui Rio, que não fecha a porta a um apoio do Chega para governar.

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“O grande perigo dos partidos como o Chega é quando começam a ter capacidade de influenciar e condicionar os partidos democráticos”, começou.

Em segundos, recuperava o grande facto político dos últimos dias, numa acusação dupla: “já conseguiu convencer o Dr. Rui Rio que a prisão perpétua não é bem a prisão perpétua”.

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