Ministro da Economia acusa Portugal de "hostilizar" as grandes empresas: "Continuamos a considerar o lucro um pecado"

Agência Lusa , CF
17 mar 2023, 12:25
António Costa Silva (António Pedro Santos/Lusa)

“O acesso ao financiamento e a capitalização das empresas serão fatores primordiais para garantir a sustentabilidade e o crescimento nos próximos anos", frisou António Costa Silva

O ministro da Economia e do Mar disse esta sexta-feira que é preciso combater preconceitos relacionados com os lucros gerados pelas grandes empresas, sustentando que a economia de mercado é “absolutamente fulcral” para criar riqueza nas nações.

“Infelizmente vivemos num país que, por motivos ideológicos, continua a hostilizar as empresas, em particular as grandes empresas. Continua a considerar o lucro um pecado e nós temos que combater esses preconceitos”, disse o governante.

António Costa Silva falava durante a sessão de abertura do XI congresso da CEFAMOL - Associação Nacional da Indústria de Moldes, que decorre esta sexta-feira e sábado em Oliveira de Azeméis, no distrito de Aveiro, contando com a presença de cerca de 350 participantes.

No seu discurso, o ministro da Economia falou nos desafios relacionados com a reconversão na indústria automóvel, que é o principal cliente da indústria dos moldes, afirmando que o Governo está a trabalhar para criar uma fileira industrial de baterias, desde a extração do lítio, a sua refinação, a produção de células e componentes.

“Já conseguimos atrair um dos grandes construtores internacionais de baterias que vai desenvolver o seu projeto em Portugal”, anunciou.

Costa Silva defendeu ainda a necessidade de se mudar o paradigma de financiamento, que “está muito dependente do sistema bancário”, justificando que, muitas vezes, a banca comercial "não está disponível para apoiar os projetos das empresas a médio e longo prazo".

Nesse sentido, Costa Silva referiu que o Governo está a desenvolver todas as condições para que o Banco Português de Fomento (BPF) seja um “grande banco promocional do Estado português”, que tenha acesso ao mercado de garantias e ao mercado de “equities” do investEU e seja “um parceiro a tempo inteiro” das instituições europeias.

“A função do Estado é criar todas as condições para a capitalização funcionar, porque isso é um dos grandes óbices que tem obstaculizado ao desenvolvimento económico do país”, afirmou o governante, adiantando que o nível de capital por trabalhador, nas empresas portuguesas, é “dos mais baixos” da União Europeia.

O ministro anunciou ainda que no Fundo de Capitalização e Resiliência, que nesta altura ascende a 1.300 milhões de euros e que está a ser gerido pelo Banco de Fomento, cerca de 533 milhões já estão alocados a projetos que se vão desenvolver e estão contratados cerca de 333 milhões de euros.

Na mesma ocasião, o presidente da CEFAMOL, João Faustino, apelou ao ministro para ajudar a encontrar novas soluções de financiamento e capitalização que permitam às empresas “serem competitivas e manterem os seus altos investimentos em tecnologia e conhecimento”.

“O acesso ao financiamento e a capitalização das empresas serão fatores primordiais para garantir a sustentabilidade e o crescimento nos próximos anos, assim como para dinamizar o lançamento de novos modelos de negócio que nos podem vir a diferenciar a nível internacional”, desatacou.

À saída, questionado pelos jornalistas, o ministro da Economia escusou-se a prestar declarações sobre outros assuntos da atualidade nacional.

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