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Colunista e comentador

O ‘grande Benfica’ e o ‘Pátio das Cantigas’

7 out, 15:43
António Silva e Neymar no Benfica-PSG

Rui Santos confirma o elogio que já havia feito ao jovem central benfiquista (“desde que o vi”) e volta a destacar o papel de Roger Schmidt na mudança de mentalidade do futebol dos ‘encarnados’: “foi a grande contratação da época do Benfica”

Este miúdo ANTÓNIO SILVA, com os seus 18 aninhos, quase 19, está a brilhar na equipa do Benfica e, a jogar ao lado de OTAMENDI, que até já derivou para o lado esquerdo do eixo defensivo, confirmou agora frente ao PSG, portanto a um nível mais alto, perante Mbappés e C.ª, tudo aquilo que havia demonstrado desde que chegou à equipa principal de ROGER SCHMIDT.

ANTÓNIO SILVA nem é nome de ‘craque da bola’, António Silva, até agora, só mesmo o António Silva do ‘Pátio das Cantigas’, esse mesmo cuja figura ficou imortalizada através da contracena protagonizada com outro monstro do cinema português, Vasco Santana, no papel de Narciso, na qual punha António Silva “piurso”, “danado e piurso” para ser mais rigoroso, quando o provocava e o tirava do sério através da expressão “ó Evaristo, tens cá disto”?!….

Este “Evaristo da bola”, o ANTÓNIO SILVA do Benfica, o miúdo que já convenceu ROGER SCHMIDT, a quem arrancou palavras de elogio, o “Evaristo da bola”, dizia, tem cá disto, tem, tem cá um à-vontade e uma classe a brotar, que deixa os avançados ‘escamados’, como diria o Vasco Santana num desses diálogos maravilhosos do preto e branco que ficam para sempre alojados na nossa memória.

Melhor, talvez, só os silêncios do Chaplin.

O MBAPPÉ, principalmente, que o diga, e até o NEYMAR, devem ter ficado mesmo ‘escamados’ com a classe do caixeiro da drogaria, perdão, com a classe do miúdo, que está a prometer de tal maneira, e mantendo a postura, fazendo lembrar o momento inicial de afirmação de RÚBEN DIAS, ao ponto de se achar que o BROOKS pode reforçar a equipa de basquetebol e os centrais brasileiros vão ter que comer muito ‘feijão e arroz’ para desalojar o novo principezinho do futebol dos encarnados.

O futebol tem muito de oportunidade e com LUCAS VERÍSSIMO e JOÃO VICTOR a sair do estaleiro, e com MORATO a entrar nele num momento sensível para as primeiras decisões de começo de época (este arranque de temporada era muito importante para a formação nomeadamente da estrutura e do presidente RUI COSTA), ao mesmo tempo que já se sabia que nem o melhor alfaiate ia conseguir ajustar o melhor fato de VERTONGHEN para o manter no ‘closet’, perdão, no plantel (nem com a agulha e o ‘didal’ da Beatriz Costa…), o miúdo aterrou no planeta do ‘grande Benfica’ e pisou aquela superfície espacial (e especial) da equipa titular, agora em ambiente de Champions (Juventus e PSG, para além de Maccabi, to-ta-lista!), como se lá estivesse desde que o MESSI nasceu ou mesmo o Tio Patinhas.

O ANTÓNIO SILVA, este do futebol e não o caixeiro da drogaria, deve muito a si próprio, mas deve muito também a SCHMIDT, o treinador com nome de marca de frigorífico ou de pequeno electrodoméstico, que sabe o que quer, sem abandonar o sorriso e a (com)postura.

É alemão, é uma máquina, gosta de ordem, e o Benfica precisava de ordem e de uma ideia. Foi a grande contratação do Benfica 22-23, e agora só falta saber o que vai acontecer quando começar a chover. Se chover. Neste momento só podem chover elogios, sobretudo depois da resposta frente ao PSG.

“Ó Evaristo tens cá”… (pausa)… “tens cá uma casa às tuas ordens”, a casa do bom futebol.

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