opinião
Colunista e comentador

“Leões” queriam mais títulos?!!!... Estudassem!

4 jul, 19:27
Treino do Sporting, 2 de julho (fotos: SCP)

Rui Santos regressa ao contacto com os leitores com um dos assuntos que animou o defeso do futebol nacional: o Sporting queria mais títulos e a FPF deixou tudo na mesma

Pausa na pausa do futebol. E já vão ler que tem tudo a ver, mesmo que não pareça.

A ANITTA veio aquecer o Verão no Rock in Rio e a malta, que já tinha tirado a máscara, levou o vírus e os telemóveis para o parque da Bela Vista e a animação foi total.

Às tantas, não sabíamos se estávamos em Portugal ou em Espanha porque a muy guapa ANITTA pegou na bandeira roja e amarilla e deixou-nos confusos, mas nunca ao ponto de deixar de dar à anca e de tirar os sorrisos do rosto.

Cor, ritmo, covid, gente gira, quem pode resistir?

A miúda é um furacão, ainda por cima não ficou com varizes de tanto subir as escadas do êxito e a vida não está para coisinhas de nada como… ‘dar bandeira’.

No meio de tantas ‘pedronunices’, eu voto ANITTA e deixo desde já, aqui, a minha declaração de interesses.

O MILHAZES é quem tem razão: é mandá-los todos para o ca#a!&o e traduzir tudo o que (não) tem tradução.

A vida é cada vez mais tradução e menos tradição.

Nada disto é para levar a sério, já sabemos, e razão tem o nosso presidente MARCELO, o campeão da proximidade, quando troca um conflito institucional com o Brasil, coisa séria e desvalorizada, por um mergulho nas águas de Copacabana, ainda por cima acompanhado pelo ministro da Cultura, ADÃO E SILVA, especializado em desportos de alto mar, vulgo futebol.

Como dizia o outro, isto está bom é para os (ex) comentadores, e esperem mais ‘cinco minutos’ pelo MARQUES MENDES. Já não falta tudo!

Em Portugal é assim, nada alcança verdadeira importância e razão tem JOSÉ SÓCRATES em ficar muito chateado com a decisão da juíza de o obrigar a apresentar-se duas vezes por mês às autoridades, depois de o MP ter reagido ao facto de o ex-primeiro-ministro não ver qualquer problema em viajar para o Brasil e lá ter permanecido à vontadinha, sem dar cavaco a ninguém.

(Parêntesis: não vejam CAVACO onde ele não anda).

Vamos lá: não vejo isto senão pela má vontade do MP porque aquilo que se faz em 5 dias (período máximo de ausência fora da Ericeira) faz-se em 4, é — se fosse caso disso — apenas uma questão de fugir mais depressa e por diversas vezes já percebemos que SÓCRATES é um verdadeiro atleta e a paciência (olímpica) é a única que nunca prescreve.

A malta aqui, pelo que se retira dos exemplos de SÓCRATES e MARCELO, gosta muito de Lula(s) e algum poder nas gustativas deve(m) ter o(s) cefalópede(s).

A malta aqui gosta de cefalópedes e das realidades tentaculares, que se habituaram à contradança dos bloqueios dos tribunais, mas também gosta de olhar para casos políticos, como aquele que foi desencadeado por PEDRO NUNO SANTOS, espécie de BRUNO DE CARVALHO do PS; pode chegar a ‘presidente’ mas tem tudo para acabar como DJ, vencido pela sua própria impaciência e excessiva ambição.

Entre duas braçadas, desautorizações a ANTÓNIO COSTA, Espanha-de-anca-suave na Bela Vista, crianças sinalizadas e ainda assim assassinadas, o ‘bicho’ agora convidado para todas as parties, BOLSONARO a desprezar e esta inacreditável saga do aeroporto, que mais parece uma comédia, pergunto a mim próprio – e não é de agora – como é possível num país assim esperar alguma coisa da comunidade do futebol?

Façam o aeroporto na sala de estar do CRISTIANO RONALDO e ainda sobrará espaço para mais duas avionetas.

Está consagrado, na santa terrinha, o mundo fantástico da selfie que promove o mundo paralelo das redes sociais, e anda tudo a fazer de conta e a fugir às (mais altas) responsabilidades.

Ainda consegue distinguir o que é institucional daquilo que não é?

No meio deste enorme nonsense em que se transformou a vida cá na paróquia, o defeso do futebol foi outra vez assaltado por um conjunto de singularidades à portuguesa, entre as quais emerge a decisão relativa à revisão da atribuição do número de títulos de campeão nacional e de conquistas da Taça de Portugal, na sequência de uma reivindicação realizada por BRUNO DE CARVALHO quando era presidente do Sporting.

A FPF levou cerca de quatro anos a gerir o processo e uma sua AG Extraordinária deixou agora tudo como estava, depois de serem votados três pareceres distintos: nenhum foi votado significativamente, mas o que teve maior adesão (13 votos em 62 possíveis), numa sessão em que faltaram 22 (!!!) delegados, beneficiaria mais o FC Porto e o Belenenses do que o Benfica e o Sporting e ainda o Olhanense, o Marítimo e o Carcavelinhos.

Bastava uma grande ausência de delegados e/ou fraco consenso em relação a qualquer um dos três pareceres para ficar tudo na mesma.

Tudo na mesma ficou e, se é verdade que normalmente para casos importantes, daqueles que valeria a pena a mudança, o tempo de decisão é longo para ficar (quase) tudo na mesma, neste caso a demora valeu a pena, porque tudo o que não fosse uma posição conservadora seria um absurdo e uma falta de respeito por algumas figuras ligadas ao futebol que ao longo de décadas se dedicaram a este tipo de reflexões.

Já todos percebemos que BRUNO DE CARVALHO é um criativo e quando era presidente dos ‘leões’ foram diversas vezes em que exercitou essa criatividade. Nunca me pareceu razoável confundir ou misturar competições a eliminar com provas em poule e, antes de 1934, o contexto não era claramente de “campeonato nacional”.

É a mesma coisa que confundir uma laranja com uma toranja.

BRUNO DE CARVALHO estava num momento (conturbado) a de afirmação no Sporting e viu aqui (mais) uma oportunidade para ‘fazer história’, através de uma ‘estória da Carochinha’.

Os adeptos ficam expectantes, viam aqui uma hipótese de somar mais uns troféus, entre a sensação de propaganda, de fait-divers ou de ensaiada esperteza, assistem-se a umas (poucas) manifestações de indignação e FREDERICO VARANDAS, infelizmente, não conseguiu saltar do comboio em andamento.

Infelizmente, apenas porque estamos na presença de um não-assunto.

Os ‘leões’ queriam mais títulos? Simples: estudassem!

Estudassem?! — questionar-me-ão os mais indignados.

Sim, estudassem, e não me refiro ao que os ‘leões’ fizeram entre as décadas de 40 e 50 do século passado, com a geração dos ‘5 Violinos’ a imporem-se na orquestra. Refiro-me ao que os ‘leões’ não estudaram para serem mais competitivos no pós-JOÃO ROCHA.

“Estudassem” para contratar melhor.

“Estudassem” para vender melhor.

“Estudassem” para colocar à frente do futebol pessoas mais competentes e menos tecnocratas.

“Estudassem” para compreender melhor o sistema e as suas atrocidades.

Se o tivessem feito, a criatividade de alguns não teria levado o clube a querer transferir títulos para a engorda.

Talvez no futebol nunca se tenha justificado a ideia de que... está bem assim. E, como se costuma dizer no final dos jogos cá do burgo, sempre que há um desaire, agora é levantar a cabeça e tentar vencer o próximo ‘jogo’.

Colunistas

Mais Colunistas

Patrocinados