opinião
Colunista e comentador

Estou apaixonado! (não tirem conclusões precipitadas)

19 jul, 19:02
Euro Feminino: Suécia-Portugal (Getty)

Rui Santos diz-se seduzido e arrebatado pelo futebol feminino, a partir do exemplo deste Europeu. A ‘culpa’ foi do recente Dinamarca-Espanha e a palavra-chave é ‘lealdade'

Estou apaixonado!

Calma, não comecem já a tirar conclusões sobre isto ou aquilo, amores de Verão e que tais, depois do enclausuramento provocado pela pandemia e esta desbunda social que parece ter tomado conta do pessoal, em festivais e em viagens, porque estou a falar de bola e nada mais.

Confesso-lhes, de novo: estou apaixonado (!), mas essa súbita paixão prende-se com o que tenho visto no Europeu (feminino) de futebol.

O futebol feminino conquistou-me definitivamente.

Já tinha visto apontamentos muito bons, aqui e ali, a demostrar grande evolução na modalidade, nos meus comentários televisivos já havia chamado a atenção para a necessidade de ser importante promover uma dinâmica laboral capaz de aproximar e igualar as condições contratuais do futebol feminino ao masculino, mas este Campeonato da Europa arrebatou-me e, mesmo com a eliminação da equipa portuguesa (Suécia demasiado forte no jogo derradeiro, D. 0-5), deixou-me o coração a palpitar.

É evidente que a forma como Portugal se apresentou e se bateu com seleções bem mais cotadas no contexto europeu, como são as dos Países Baixos e Suíça, teve muita influência nesse arrebatamento, mas o clique definitivo foi no Dinamarca-Espanha, que as espanholas venceram por 1-0, depois de um jogo super dinâmico, super fluido, super intenso e super rápido, em suma, super bem jogado.

Isto não tem nada a ver com o princípio que sempre defendi e que resumo na frase segundo a qual “as mulheres são tudo e muito mais”; tem a ver com competência e qualidade, e ainda com um outro aspecto que valorizo muito nesta modalidade e que reclamo muito para o futebol masculino — a lealdade com que se joga.

Neste Dinamarca-Espanha, o jogo não teve quase paragens e à hora de jogo, com velocidade e intensidade, as espanholas mais em posse e as dinamarquesas a tentar explorar mais a ruptura e a profundidade, o jogo contabilizava 2 (!) faltas, uma para cada lado.

O jogo a correr, a arbitragem a desvalorizar as faltas leves (num caso, até desvalorizou uma falta evidente) e as jogadoras a revelarem apenas a preocupação de jogar a bola, com lealdade e fair-play.

Não sei francamente se no futuro vamos ter equipas mistas (o mundo está a mudar muito rapidamente), mas a verdade é que houve uma grande aproximação e hoje o futebol feminino é um grande espectáculo, sobretudo com esse enorme exemplo para o futebol masculino, em termos de fluidez, desportivismo e, repito, lealdade.

Colunistas

Mais Colunistas

Patrocinados