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Colunista e comentador

As nossas ‘Shakiras’ e os nossos ‘Piqués’

18 jan, 21:49
Jorge Mendes e Cristiano Ronaldo

De traições está o mundo cheio e cá no burgo temos assistido a algumas. Leia o episódio 1 de “Shakiras & Piqués”

Entre marido e mulher não se deve meter a colher, diz o povo, exceto quando são o marido ou a mulher, ou ambos, como foi o caso entre SHAKIRA e PIQUÉ, um dos (ex) casais mais mediáticos do globo terráqueo que neste tempo das redes sociais, em que o apelo à privacidade fica quase tão difícil quanto a descoberta de petróleo em Portugal, têm andado numa troca acesa e partilhada de motejos e acusações.

Tudo por causa de uma traição.

Ora de traições está o mundo cheio e nós aqui, no nosso cantinho à beira-mar plantado, temos assistido a algumas, cá dentro ou a partir de dentro para fora.

Não se dececionem porque nós também temos as nossas ‘Shakiras’ e os nossos ‘Piqués’.

Aqui, com a equipa do governo a jogar ora em 3x5x2 ora em 4x5x1, sempre na iminência de esgotar as substituições por causa das fífias, da excessiva posse de bola e até das transições sem sentido, e a atenção dispersa por tantos outros assuntos a retirar o futebol do centro do consumo mediático, pelo menos na medida a que estávamos habituados antes da pandemia e agora com a guerra na Ucrânia, talvez não se tenha dado conta do impacto, não tão shakírico nem tão piquético, do divórcio entre CRISTIANO RONALDO e JORGE MENDES e, mais recentemente, entre FERNANDO GOMES e JOSÉ MOURINHO.

A dimensão global do achaque ainda não está totalmente nem avaliada nem apurada, mas já se percebeu que o sismo provocado pela decisão de CRISTIANO RONALDO em deixar o Manchester United e as consequências que se lhe seguiram no Campeonato do Mundo está a contribuir fortemente para algumas alterações que vimos assistindo no desporto-rei.

O impacto ainda não é maior no casamento fraturado entre CRISTIANO RONALDO e JORGE MENDES porque ambos construíram durante anos uma relação muito forte e, nessa relação, foram aprofundadas dinâmicas de negócio muito próprias e muito privadas das quais existirão, seguramente, algumas contas a acertar. 

No curto e no médio prazo, e todos percecionamos que JORGE MENDES quer demonstrar que está ‘em campo’ sem afetação de rendimento, agora com CRISTIANO RONALDO (muito) mais longe.

JORGE MENDES estará a pensar que, estando o craque em fim de carreira desportiva, já não precisará tanto de CRISTIANO RONALDO;  Cristiano estará a pensar que, considerando o que já faturou — e deu a ganhar — já não precisará de Mendes e hoje poderá gerir mais autonomamente a sua vida porque será cada vez menos um jogador de futebol e será cada vez mais um (super) homem de negócios.

CRISTIANO RONALDO conseguiu um nível de compromisso financeiro na Arábia Saudita que é cada vez mais dono da sua vida e da marca que construiu. 

CRISTIANO RONALDO (CR) é, hoje, uma marca para a eternidade.

Pode ter-se sentido traído por FERNANDO SANTOS mas, agora, é para o lado que dorme melhor e a sensação que dá é que o ex-selecionador nacional pode comprar muitos Casios mas não soube arrumar o Ferrari.

É Casio e Rolex, é Ferrari e, para CR, até pode ser Twingo quando lhe der na gana. 

Uma trotinete também serve porque não são muitos aqueles que podem optar entre a escolha do mais simples ao mais sofisticado.

Noutro patamar de traição tivemos recentemente o flirt ensaiado entre FERNANDO GOMES e JOSÉ MOURINHO que redundou numa música shakírica à qual, no entanto, o presidente da FPF não deu o troco que PIQUÉ decidiu dar, com vantagens até comerciais e contratuais.

Entretanto, ROBERTO MARTÍNEZ, que nas suas primeiras aparições públicas parece estar a adoptar um estilo ‘à Marcelo’, sorriso para lá, sorriso para cá, tão do agrado da FPF — os sorrisos e o(s) Marcelo(s) —, lá vai indo na sua saga diplomática, desde o raide a Riade até a outros raides mais curtos, e parece muito apostado na inclusão, certamente pouco interessado a dar asas a certas narrativas que o dão em rota de colisão com JOSÉ MOURINHO.

Não foi ROBERTO MARTINEZ que pediu ao ex-futuro-seleccionador nacional que dispensasse um elemento da sua equipa de trabalho para reforçar a estrutura da seleção belga? Como diz o outro… investigue-se.

Por hoje é tudo (Episódio 1).

O nosso “Shakiras & Piqués”  - um bom nome para esta rubrica —segue dentro de momentos.

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