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Colunista e comentador

O censor do sensor e vamos lá, Portugal, não te censures, liberta-te, nós acreditamos em ti e estamos com o (cabelo do) Cristiano 

1 dez 2022, 14:51

Rui Santos diz que nos podemos estar a aproximar de um momento histórico para a Seleção portuguesa, escreve sobre repolhos, rabanetes e um tomate-coração, e crê que Portugal pode dar muito mais, sobretudo depois dos ‘oitavos’. Para além de deixar muito claro que este é o MUNDIAL DOS SENSORES E DOS CENSORES

Este é o Mundial dos sensores e dos censores.
A bola tecnológica está aí, em todo o seu esplendor, e consegue dar-nos, em segundos, aquilo que o futebol precisava, verdade nas situações tão difíceis de fora-de-jogo, cujo juízo era feito — não até há muito tempo — pela intuição dos fiscais-de-linha, hoje chamados de árbitros-assistentes.

Perante o futebol tecnológico, que tornou o futebol muito mais verdadeiro dentro das quatro linhas, como aliás se tem observado neste Mundial, percebemos que a tecnologia ainda não chegou, não direi à raiz do(s) cabelo(s) mas seguramente… à ponta do(s) cabelo(s).

Que o diga o líder RONALDO, ao ficar literalmente “pelo cabelo” quando soube que a FIFA acabou por atribuir o primeiro golo ao Uruguai a BRUNO FERNANDES e não a ele próprio, porque a bola tecnológica ainda não está preparada para modelar ou avaliar os penteados.

Talvez em 2026 possamos ter o ‘Mundial das cabeleiras’ e regressar (por causa dos golos e dos foras-de-jogo tecnológicos) aos penteados dos ‘anos 70’ - e já agora sem as ‘bocas de sino’.

Por mais um cabelo ou menos um cabelo, o importante é que foi golo e o sensor portou-se como censor da vontade e do objectivo de CRISTIANO RONALDO em bater mais um recorde.

Este é, pois, o Mundial dos sensores, que muito contribuem para a verdade, em contraste e em oposição com o Mundial dos censores e dos patrocinadores da falta de liberdade que existe em muitos pontos do globo terráqueo e não apenas no Qatar.

Este é, pois, reforçando, indiscutivelmente, o MUNDIAL DOS SENSORES E DOS CENSORES.

Os censores da liberdade, dentro e fora de campo.

Os censores de um sistema claro e não corrupto de atribuição dos Mundiais pela FIFA.

Os censores das manifestações pela liberdade e pela inclusão das minorias.

Houve Seleções que se ajoelharam, houve jogadores que não cantaram o hino, houve jogadores e seleções que se mostraram abertas às cores do arco-íris e logo, neste caso, foram censuradas.

A FIFA deve concentrar-se no jogo e na sua proteção mas, por mais que queira, não consegue ser apolítica, simplesmente porque não é, como quer deixar a ideia, mesmo depois de ter excluído a Rússia do play-off de apuramento para este Mundial.

A política está em tudo e muito no futebol e não façamos de conta do contrário. INFANTINO sabe isso e a sua cumplicidade perante este Mundial ficará para a história. A cumplicidade de INFANTINO e de todos aqueles que, motivados pelo intreresse económico em redor do Qatar, tiveram medo em marcar posição sobre este e outros regimes despóticos.

Quem não obedece pode morrer e esta é uma lei que o Mundo não pode deixar passar. 

A salada, os repolhos e os rabanetes

Com sensores e com censores realizou-se mais uma conferência de imprensa, de lançamento do jogo com a Coreia do Sul, desta vez com PEPE ao lado de FERNANDO SANTOS.

PEPE falou, e bem, que a Seleção, como se tem dito, possui muito bons jogadores, mas para se fazer uma boa salada é preciso juntar e combinar todos os ingredientes. 

O tomate pode ser um bom tomate, mas se não combinar com um bom rabanete ou uma boa alface, e se não se temperar com um bom azeite (português), misturando tudo com harmonia numa boa combinação, a salada não constituirá um bom momento para as papilas gustativas.

A lógica não é uma batata, e portanto se estamos confortáveis com a lógica da validação de que Portugal nunca teve, reunidos na Seleção, um lote tão alargado de jogadores de excelência, vamos lá tirar da salada os repolhos (os ingredientes com menos sabor, isto é, os de menor rendimento) e potenciar o nosso maior tomate-coração que é o CRISTIANO RONALDO, tomate-coração e chef, e preparar uma comidinha de conforto que caia bem no nosso estômago colectivo e aqueça as nossas almas.


Não vejo muitas equipas com um conjunto de jogadores de tanta qualidade como aquele que apresenta Portugal.

Duas vitórias em dois jogos, Gana e Uruguai superados, 5-2 em golos, apuramento para os ‘oitavos’ garantido, primeiro lugar do Grupo (H) completamente à mercê, basta um empate com a Coreia do Sul, amanhã, para o alcançar, sem ficar dependente do jogo entre galeses e uruguaios.

Nos ‘oitavos’ já estão França, Argentina, Inglaterra, que de formas e momentos distintos têm exibido credenciais indiscutíveis, a Argentina apanhou um susto, mas levantou-se e parece capaz de tudo, e estão ainda Países Baixos, Polónia, Estados Unidos, Senegal e Austrália, aos quais se vão juntar a partir de hoje outras seleções, havendo muita expectativa - à hora que escrevo - o que vai acontecer à Argentina.

Vamos lá, Portugal, tu podes mais, tens jogadores para isso, agora com a Coreia - com o apuramento garantido e o primeiro lugar no Grupo quase, quase - é o momento de mostrar ao Mundo o Futebol que és capaz de jogar, liberta-te, despreza as coisas menos boas, e come muita salada. Junta-lhes uma nozes (a partir do ‘nós’), não te importes com as vozes e vamos a eles, com tudo.

Não queremos apenas sonhar. Queremos ganhar! - e temos talento para este Mundial e para o próximo. Não o desperdicemos. Vamos!
 

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