opinião
Colunista e comentador

Rui Vieira Costa ou Luís Costa Vieira?

3 mai, 17:11
Rui Costa (foto Miguel A. Lopes/Lusa)

O Benfica vive a sua fase híbrida.

Está na fase do Sport Híbrido e Benfica.

Teve um presidente dominante durante mais de 18 anos - LUÍS FILIPE VIEIRA - e agora tem, há quase 7 meses, desde que foi eleito, um presidente, RUI COSTA, que fez parte e alimentou o ‘vieirismo’ e agora não sabe muito bem como sair dele, sendo certo que quer sair dele.

Por isso, em redor deste híbrido Benfica há uma estranha sensação de um RUI COSTA dentro de VIEIRA e de um VIEIRA dentro de RUI COSTA, a constituir um corpo estranho, meio deformado, de uma geminação mais do que imperfeita, talvez monstruosa, de um clube que parece ter uma presidência bicéfala, e nenhuma delas em condições de fazer crescer e engrandecer o clube, nas pessoas de um Rui Vieira Costa ou de um Luís Costa Vieira.

A ordem dos ‘factores’ é arbitrária, até porque o dano provocado no Benfica - aquilo que mais interessa aos sócios e adeptos — é grande e comum, quer na versão ‘Rui Vieira Costa’ quer na versão ‘Luís Costa Vieira’.

RUI COSTA olha hoje para VIEIRA como aquela nódoa que se instala na peça de roupa e por mais que se esfregue nunca sai, nem mesmo na… lavandaria.

A bicefalia presidencial assume uma forma interna e outra externa, mas ainda aquela que se torna mais tóxica que é a interna-externa, uma vez que LUÍS FILIPE VIEIRA deixou os seus ovos no ninho da águia e todos os dias nascem nele dores de cabeça para RUI COSTA.

Os sócios e adeptos que sempre gostaram do benfiquismo de RUI COSTA, fundamentalmente por aquilo que ele significou como grande jogador, são em larga maioria aqueles que durante muitos anos apoiaram a presidência de LUÍS FILIPE VIEIRA e as suas limitações como “presidente do futebol”.

Não estarei longe da verdade se disser que os sócios e adeptos do Benfica reconhecem o esforço que VIEIRA fez para modernizar o clube, utilizando a força da marca-Benfica para potenciar receitas, mas serão os mesmo sócios e adeptos do clube ‘encarnado’ a criticar a forma como o ex-presidente contribuiu para lançar o nome do clube num mar de procedimentos suspeitos que já teve como consequência judicial o seu afastamento formal da presidência e o mais que as investigações em curso apurarem.

Se não estiver tudo à espera das prescrições, e aqui a solidariedade até pode ser imprevisível.

O Benfica não é hoje um clube modelar e os sócios e adeptos sofrem com isso, porque não gostam de ganhar a qualquer preço.

Uma coisa é certa: VIEIRA só está em liberdade porque pagou uma caução, mas isso — para além de, a título pessoal mas beneficiando naturalmente do estatuto de ‘presidente do Benfica’, ter deixado uma dívida à banca de centenas de milhões de euros que estamos todos a pagar — não parece ter nenhuma relevância para ele, como se pôde perceber, primeiro, com a sua reaparição na final da Taça da Liga, em Leiria, e depois, mais recentemente, com as declarações que produziu, visando RUI COSTA, quando o Benfica venceu a Youth League (Sub-19), esvaziando a influência do actual presidente dos ‘encarnados’ nessa conquista.

Não era necessário LUÍS FILIPE VIEIRA vir lembrar a sua paixão pelo Seixal e por outras ‘construções’ muito do seu agrado, nas quais o nome do Benfica esteve sempre direta ou indiretamente ligado.

VIEIRA fez coisas (muito) boas e coisas (muito) más na Luz e no Seixal, mas pensou sempre mais no negócio do que na definição de ‘ser benfiquista’.

O negócio sempre em primeiro lugar e puxando para o seu lado figuras de comportamento muito discutível, como foram os casos dos gonçalves e dos boaventuras e alguns ‘Giles’ das redes sociais, que fazem aquilo que os responsáveis ‘encarnados’ criticam mais a Norte, atirando o futebol para o território em que ele não deve estar, não obstante a militância de alguns aproveitadores que vêem nesse lado do futebol (fora das quatro linhas) a melhor forma de engordarem as suas contas bancárias.

O caso dos-emails, der no que der, é uma nódoa que jamais será apagada como o foi o ‘Apito Dourado’ para PINTO DA COSTA.

Há quem não queira fazer essa opção, mas seja com RUI COSTA ou com outro presidente qualquer, o Benfica tem de colocar-se definitivamente - e não num registo de hibridismo - ao lado da indústria saudável, produtiva, defendendo as boas práticas e repudiando todo o tipo de jogadas marginais.

O Benfica há muito que deveria ter-se colocado na posição de liderança desse projecto, pela sua incontestável força social e associativa, mas preferiu imitar. E quem imita corre o risco de ser uma cópia mal conseguida do original. Foi isso que VIEIRA fez. Foi sempre uma cópia mal conseguida da sua principal referência do dirigismo desportivo, desde os tempos do Alverca.

Vi há dias um vídeo em que RUI COSTA se insurgia contra um adepto do Benfica, perguntando-lhe se sabia o que era uma auditoria e chamando a atenção para o pouco tempo que tinha como presidente do clube da Luz.

Num tempo (dos novos tempos) em que um vídeo a captar a reação de UM (1!) adepto junto a um presidente assume dimensão de notícia (isto agora está assim!), ficou a forma pouco profissional como RUI COSTA reagiu. Com uma arrogância despropositada.

E isso mostra ainda falta de maturidade. E isso mostra ainda pouca preparação.

RUI COSTA não tem muito tempo para demonstrar duas coisas:

1) Que tem dimensão humana e profissional para ser presidente do Benfica.

2) Para fazer a limpeza que o Benfica precisa.

Está lento, está a mastigar muito o jogo e isso não é bom. Nem para o Benfica nem para o futebol português.

O Benfica não pode continuar a ser o Sport Híbrido e Benfica, nem de Rui Vieira Costa, nem de Luís Costa Vieira.

Ou RUI COSTA corta a direito e coloca o Benfica no rumo do clube digno e honrado das suas raízes históricas e com BORGES COUTINHO, naturalmente enquadrado neste tempo de modernidade, ou vai sair pela porta pequena.

Chega de hibridismo.

O futebol português tem pouco tempo mais para esperar por líderes que entendam o futebol como uma indústria sólida, assente em princípio sólidos, e não para alguns se safarem, com um país que continua de cócoras perante o poder de alguns barões devidamente assinalados.

Assume-te, Rui!

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