O fim de uma era: Anna Wintour deixa de ser diretora da Vogue americana

CNN , Jacqui Palumbo e Oscar Holland
26 jun 2025, 19:28
Vogue

Tornou-se temida e admirada. Por vezes só temida. Bastantes vezes admirada

Após quase quatro décadas como diretora da Vogue americana, Anna Wintour vai deixar o cargo. A revista está à procura de um substituto, confirmou à CNN a Condé Nast, grupo que detém a publicação.

Anna Wintour anunciou a decisão à equipa esta quinta-feira. Embora deixe o cargo de diretora da Vogue, não se vai afastar completamente da Condé Nast, mas vai ter responsabilidades diferentes. 

Como diretora da Vogue, reinventou a publicação, transformando uma revista cada vez mais previsível num gigante capaz de criar e destruir tendências e designers.

Anna Wintour na Met Gala de 2025. A editora de moda mais reconhecida da indústria vai continuar na Condé Nast  foto Dia Dipasupil/Getty Images

Embora não se deva julgar uma revista apenas pelas suas capas, as escolhas de Anna Wintour mostraram que não tinha receio de dar destaque a figuras menos conhecidas e de romper com as normas das publicações de moda de luxo. A sua primeira edição, publicada em novembro de 1988, teve como capa a modelo israelita Michaela Bercu, vestida com uns jeans. Foi a primeira vez que calças de ganga apareceram na capa da Vogue.

Este momento definiu o tom para as centenas de edições que se seguiram e Anna Wintour viria a tomar inúmeras decisões editoriais que os seus antecessores teriam considerado impensáveis. Acabaram-se os retratos controlados em estúdio; no lugar destes surgiram imagens casuais, ao ar livre, de meio corpo. Em 1992, quebrou uma tradição centenária da Vogue ao colocar um homem na capa (Richard Gere, que apareceu ao lado de Cindy Crawford, a sua esposa na altura).

Apesar de Anna Wintour estar mais associada à Vogue, em 2020 tornou-se diretora global de conteúdos da Condé Nast, supervisionando todos os títulos do grupo a nível mundial, incluindo a Vanity Fair, Wired, GQ, Architectural Digest, Bon Appétit e Condé Nast Traveler.

Mais do que um anúncio de reforma, a transição de Anna Wintour faz parte de uma ampla reestruturação global da empresa.

Ainda assim, esta mudança representa uma transformação histórica na Vogue americana, oferecendo uma cobiçada oportunidade para editores de moda e a possibilidade de a publicação mais influente da indústria seguir novos rumos. Há dois anos, Chioma Nnadi tornou-se a primeira mulher negra a liderar a Vogue britânica, sucedendo ao histórico mandato de seis anos de Edward Enninful como o primeiro diretor negro da revista.

Moda

Mais Moda

Na SELFIE