Golpes de calor "podem colocar em risco a vida" do seu animal. Saiba o que fazer e os sinais a ter em atenção

16 jul 2025, 12:00
Cão no verão (Getty Images)

GUIA DE VERÃO || Há erros comuns que podem levar a que o seu animal sofra um "golpe de calor". Enquanto dono, deve ter alguns cuidados adicionais com a chegada do verão

O tempo quente não é um problema apenas para si, mas também para o seu animal de estimação, que corre o risco de sofrer um “golpe de calor” caso não tenha os cuidados necessários. Deitar a língua de fora, começar a arfar, respirar com dificuldades e babar em excesso. Estes são alguns dos sinais a que deve estar atento para evitar que o seu animal desenvolva problemas e complicações associados à exposição ao calor e às altas temperaturas. “Os 'golpes de calor' significam que os animais já não têm capacidade de dissipar a própria temperatura, o que pode levar a problemas neurológicos, problemas de coagulação de sangue, problemas respiratórios gravíssimos, que podem levar à morte”, explica à CNN Portugal o médico veterinário Nuno Paixão.  

Estas situações, que nas palavras da veterinária e vice-presidente da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) “podem mesmo colocar em risco a vida” do animal, requerem muita atenção por parte do dono. “Os cães podem começar com uma respiração mais ofegante, a salivar de uma forma intensa. Podem existir vómitos e fraqueza também”, expõe Inês Guerra. 

Ainda que a língua de fora permita aos animais arrefecer a temperatura corporal,  este pode ser um fator alarmante. “Quanto mais dilatada estiver a língua, maior é o esforço que o cão está a fazer para se arrefecer”, diz Nuno Paixão. O profissional explica ainda que, caso a língua do animal esteja de fora e “em formato de concha”, pode ser um sinal preocupante de que o seu cão está a “chegar ao limite da capacidade de perder calor”. 

O médico veterinário refere ainda que, quando o animal se tenta deitar de forma a que algumas zonas como a barriga, as axilas ou as virilhas entrem em contacto direto com o chão, está à procura de uma forma de se refrescar e perder o calor acumulado em excesso, situação a que o dono se deve manter atento, particularmente se se juntar outros fatores como língua de fora, respiração ofegante e acumulação de baba.

Caso haja registo destes sinais, torna-se necessário levar de imediato o animal ao veterinário. “É preciso ter muito cuidado. Se o animal estiver com essas dificuldades é bom que vá diretamente ao médico veterinário porque pode estar com um golpe de calor que pode ser fatal”, indica Nuno Paixão. 

Há um conjunto de fatores que pode evitar estas situações e amenizar o calor sentido pelo animal. Se possível, deve manter os animais em casa ou assegurar que estão em locais protegidos. Deve também evitar os picos de calor quando realizar passeios ou exercício físico ao ar livre com o animal, pois muitas das vezes, conforme diz Inês Guerra à CNN Portugal, “podem até surgir queimaduras nas patas por tocarem no asfalto, que está bastante quente”. Desta forma, pode optar por passeios em zonas ajardinadas que “automaticamente vão estar muito mais frescas do que uma zona de alcatrão”, acrescenta a vice-presidente da OMV. 

Ainda assim, a médica veterinária faz a ressalva de que há alguns animais que preferem estar ao calor, como é o caso dos gatos. Nesses casos, ainda que todos os animais devam ter sempre acesso a água fresca e limpa, que vão bebendo em quantidade que necessitem, pode oferecer comida húmida ao seu gato, sendo uma forma de aumentar a quantidade de líquidos ingeridos pelo animal, que por norma não ingere grandes quantidades como o cão, que o faz de forma mais ativa.  

Assegurar sempre o acesso à sombra, que deve ser consistente e espaçosa, e o acesso à água são dois cuidados essenciais. “Mudar a água de 3 em 3 horas ou de 4 em 4 horas seria o mínimo ideal”. Uma vez que nem sempre é possível, Nuno Paixão sugere que os donos coloquem água congelada na tigela dos animais para que vá descongelando ao longo do dia, o que mantém a água fresca durante um maior período.  

O médico veterinário alerta ainda para os perigos das casotas que podem dar a ilusão de que o animal está protegido e à sombra. No entanto, se estiver ao sol, esse pode ser um local de concentração excessiva de calor, funcionando quase como uma estufa.

A par dos cuidados a ter, deve também abolir alguns comportamentos e ações que podem prejudicar a hidratação do seu animal. A ideia de que o carro à sombra é suficientemente bom para manter o bem-estar do animal está errada. 

Inês Guerra adverte que este é um erro comum e não o deve fazer “nem que seja por dois minutos". “Tudo o que seja abafado, tudo o que não permita correntes de ar, numa altura em que a temperatura ambiente esteja muito alta, mesmo à sombra, vai aquecer mais rapidamente”, corrobora o veterinário Nuno Paixão.  

Molhar os cães mas deixá-los ao sol pode também aumentar a temperatura do corpo do animal. Como explica Nuno Paixão, “muitas das vezes o facto de eles estarem molhados e quietos, parados, ao sol, pode até aumentar ainda mais a temperatura, porque a humidade do pêlo vai aquecer mais rapidamente.” Por isso, caso dê um banho de mangueira ao seu cão deve assegurar que ele “consegue andar de um lado para o outro e que está em correntes de ar”.

Tosquiar os animais, quer seja cão ou gato, é também um erro, ainda que possa parecer estranho. Os animais tendem a sobreaquecer mais facilmente quando o pêlo é cortado e o pêlo mais longo ajuda a regular a temperatura. “Eles precisam do pêlo para conseguir regular a temperatura. Quando nós cortamos de uma forma que fique muito curto, existe aqui a questão da exposição solar”, explica Inês Guerra. 

Ainda que todos os animais necessitem de atenção e acompanhamento por parte dos donos, há alguns que são mais vulneráveis e que por isso necessitam de atenção e cuidados redobrados. Os animais com o focinho achatado e que têm dificuldades respiratórias, como pugs, buldogues ou boxers ”nesta altura do ano vão ter muito mais dificuldade em dissipar o calor”, diz Nuno Paixão. 

Inês Guerra chama ainda à atenção para os cuidados a ter com animais doentes, por exemplo, nomeadamente com patologias renais ou diabéticas, e com os animais mais jovens, uma vez que “estes são aqueles que são muito mais suscetíveis de, com situações de calor, ficarem em situações de limite da sua vida.”

Nuno Paixão indica que existem no mercado coletes que têm um líquido e que ao serem colocados dentro do frigorífico e depois colocados nos animais mantêm o corpo mais fresco. O profissional menciona também as pomadas e botas protetoras que protegem os animais quando estes andam no chão muito quente. Ainda assim, deve sempre evitar as horas de maior calor e verificar a temperatura do chão, colocando a mão para perceber o quão quente está.

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