Corpo de José Eduardo dos Santos ficará na residência até cerimónias fúnebres

Agência Lusa , MJC - atualizada às 23:25
20 ago, 20:48

Ao que tudo indica, as cerimónias fúnebres vão estar abertas à população já na segunda e terça-feira, ou seja, durante a campanha eleitoral em Angola

O corpo do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos chegou este sábado a Luanda pelas 19:16, vindo de Barcelona num voo da companhia aérea angolana TAAG, após uma disputa entre duas fações da família sobre a guarda do corpo.

O avião contendo os restos mortais aterrou no aeroporto internacional 4 de fevereiro, enquanto um outro avião transportou a família. De seguida, o corpo de José Eduardo dos Santos foi transportado para o Miramar, local da antiga residência oficial para cerimónias de âmbito estritamente familiar.

O Governo angolano anunciou no sábado de manhã que chegariam à tarde à capital angolana “os restos mortais do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, falecido no passado dia 8 de julho em Barcelona, Reino de Espanha". A nota, que foi emitida pela Comissão para a Organização da Cerimónia Fúnebre, referia ainda que "a data e o programa das exéquias serão oportunamente comunicados”.

O ministro da Administração do Território de Angola, Marcy Lopes, afirmou ao final do dia que o corpo do ex-presidente José Eduardo dos Santos ficará na sua residência oficial até ao dia das exéquias fúnebres. À chegada do caixão com o corpo do antigo Presidente da República, Marcy Lopes, que é também o porta-voz da Comissão das Exéquias Fúnebres, explicou aos jornalistas que os seus restos mortais serão entregues à família até ao dia da cerimónia oficial, uma data ainda a indicar pelo Estado angolano. “Os próximos dias serão reservados para o tratamento de questões administrativas e protocolares inerentes a um processo como este que carece de ser tratado com toda a atenção até ao dia das exéquias fúnebres que iremos comunicar atempadamente”, explicou o governante, que foi receber a urna.

No entanto, hoje à tarde, o porta-voz do Movimento Popular de Libertação de Angola, Rui Falcão, admitiu que o funeral deve realizar-se em Luanda no dia 28 de agosto, coincidindo com a data do seu aniversário. Além disso, ao que tudo indica, as cerimónias fúnebres vão estar abertas à população já na segunda e terça-feira, ou seja, durante a campanha eleitoral em Angola. "Há obviamente aproveitamento político por parte do MPLA", afirma Emídio Fernando, diretor da Rádio Essencial de Angola, à CNN Portugal.

À saída do avião, a viúva, Ana Paula dos Santos, vestida de preto, foi recebida por um conjunto de individualidades, incluindo vários ministros do Governo angola - entre os quais os ministros dos Transportes, da Defesa, de Estado para a Área Social, da Comunicação Social, e da Administração Territorial, Marcy Lopes - e o general Francisco Furtado, chefe da Casa Militar do atual Presidente angolano. Vinha acompanhada pelos seus três filhos, alguns dos quais transportando retratos emoldurados do pai. No avião viajaram também netos e outros familiares de José Eduardo dos Santos.

José Eduardo dos Santos, que governou Angola de 1979 a 2017, morreu, em 8 de julho, com 79 anos, em Barcelona, Espanha, onde passou a maior parte do tempo nos últimos cinco anos.

Duas fações da família dos Santos disputavam, na Vara de Família do Tribunal Civil da Catalunha, quem ficaria com a guarda do corpo de José Eduardo dos Santos.

De um lado, Tchizé dos Santos e os irmãos mais velhos, que se opunham à entrega dos restos mortais à ex-primeira-dama e eram contra a realização de um funeral de Estado antes das eleições de 24 de agosto para evitar aproveitamentos políticos.

Do outro, a viúva Ana Paula dos Santos e os seus três filhos em comum com José Eduardo dos Santos, que reivindicavam também o corpo e queriam que este fosse enterrado em Angola nos próximos tempos.

Na quarta-feira, o tribunal decidiu-se pela atribuição do cadáver à antiga mulher e autorizou a trasladação para Angola, depois de concluir definitivamente que José Eduardo dos Santos morreu de causas naturais.

A trasladação do corpo do antigo chefe de Estado angolano ocorre em pleno período de campanha para as eleições, onde o atual Presidente, João Lourenço, que sucedeu a José Eduardo dos Santos em 2017, procura a reeleição.

Mais de 14 milhões de angolanos, incluindo residentes no estrangeiro, estão habilitados a votar em 24 de agosto, na que será a quinta eleição da história de Angola.

Os 220 membros da Assembleia Nacional angolana são eleitos por dois métodos: 130 membros de forma proporcional pelo chamado círculo nacional, e os restantes 90 assentos estão reservados para cada uma das 18 províncias de Angola, usando o método de Hondt e em que cada uma elege cinco parlamentares.

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