Este português foi o primeiro a chegar ao topo de uma das subidas mais difíceis e "assustadoras" do mundo

5 set 2025, 19:54
João Almeida

João Almeida tornou-se lenda na subida lendária: ciclista português venceu no Angliru, na Volta a Espanha (correção: na Vuelta). Aconteceu esta sexta-feira na subida onde grandes lendas fizeram algumas das mais espetaculares prestações de sempre

Ganhar frente a Jonas Vingegaard, bicampeão da Volta a França, não é para qualquer um. João Almeida já o tinha feito esta época durante o Paris-Nice, em La Loge des Gardes, e voltou a repetir o feito esta sexta-feira no Angliru, na 13.ª etapa da Vuelta.

O Angliru não é um local qualquer: é das subidas mais difíceis do mundo, com uma percentagem média de inclinação de 9,8% e com várias secções que superam os 17%. Na mais dura, Cueña Les Cabres - que tem esse nome precisamente por ser um caminho de cabras -, a percentagem ascende aos 23,6%.

Contrariamente às grandes montanhas do Tour, com décadas e décadas de histórias e heróis, o Angliru é relativamente recente na história do ciclismo e a sua introdução no mapa da Vuelta foi um acaso.

O primeiro registo desta subida data de 1996, num artigo da revista espanhola “Ciclismo a Fondo”, intitulado "Enfrente a subida mais difícil de Espanha: La Gamonal, um colosso assustador" (La Gamonal, uma terra nas imediações, foi o primeiro nome dado à subida). A partir daí, entrou na rota dos ciclistas amadores do país vizinho, mas a chegada à Vuelta deu-se apenas após Miguel Prieto, diretor de informações da ONCE, a Organização Nacional dos Cegos Espanhóis - que patrocinava uma das equipas mais fortes da época -, ter enviado uma carta à organização da Vuelta para que a subida passasse a ser incluída nos percursos da corrida.

Para os diretores da prova, era perfeito: tinham agora uma subida capaz de rivalizar com o Zoncolan e o Mortirolo, consideradas à época, e atualmente, das mais duras do mundo.

A estreia na prova ocorreu em 1999, quando o espanhol José María Jímenez, no meio da chuva e do nevoeiro, alcançou e ultrapassou um muito cansado Pavel Tonkov nos metros finais da etapa para inscrever o seu nome nos livros da história da Vuelta.

Se a primeira ascensão proporcionou grande espetáculo, a terceira, em 2002, foi ainda mais épica. O temporal que se fez sentir na subida foi mais intenso do que em 1999. Vários carros das equipas que tiveram de parar não conseguiram voltar a arrancar devido ao piso escorregadio, deixando os corredores das respetivas equipas completamente sozinhos subida acima. A vitória nesse dia foi para Roberto Heras, que ainda detém o recorde de vitórias na Vuelta (quatro, juntamente com Primoz Roglic).

A montanha faz também parte da história de Alberto Contador, um dos melhores voltistas do século XXI, que foi o único que ali venceu por duas vezes: em 2008, durante o seu primeiro triunfo na geral da Vuelta; e em 2017, onde celebrou a sua última vitória enquanto ciclista profissional no penúltimo dia de corrida da sua carreira.

Mais recentemente, em 2023, a subida do Angliru foi palco de um drama interno, quando Primoz Roglic e Jonas Vingegaard, ambos da Jumbo – Visma (atual Visma – Lease a Bike), atacaram o companheiro de equipa Sepp Kuss, então líder da prova, a quem recuperaram 19 segundos. Kuss acabou por ganhar a Vuelta, com Vingegaard e Roglic a ladeá-lo no pódio, e tudo acabou bem. Aparentemente.

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