Parte de um foguetão russo fora de controlo está a cair em direção à Terra, mas ninguém sabe onde

5 jan, 19:15
Angara-A5

Especialistas estimam que objeto reentre na atmosfera nas próximas 24 horas, mas não conseguem prever onde vai cair

Uma parte de um foguetão russo está a cair em direção à Terra, de forma descontrolada. Segundo noticia a CNN, os especialistas que estão a monitorizar o objeto prevêem que este reentre na atmosfera terrestre nas próximas 24 horas.

O Angara-A5 é um foguetão de carga pesada e foi lançado da estação espacial de Plesetsk, a noroeste da Rússia, a 27 de dezembro. De acordo com a TAS, a agência de notícias russa, o lançamento previa testar um novo segmento da estrutura, conhecido como o propulsor Persei.

"É seguro dizer que nas próximas 24 horas estará em Terra, mas ninguém sabe onde porque, durante várias horas, fará várias voltas ao globo", afirmou à CNN Holger Krag, chefe do gabinete de detritos da Agência Espacial Europeia.

Facto é que a maior parte dos detritos espaciais acaba por incendiar-se ao reentrar na atmosfera terrestre, mas é possível que partes maiores possam causar danos se caírem em regiões habitadas. Embora seja pouco provável que este possa causar danos ou ferir alguém, "o risco é real e não pode ser ignorado", alertou.

O que resta do foguetão russo está a viajar a uma velocidade de 7,5 quilómetros por segundo, e a sua latitude de reentrada estima-se entre os 63 graus a norte e a sul do equador, indicou ainda Holger Krag.

Recorde-se que, em maio de 2021, a NASA teceu duras críticas à China por falhar os "standards de responsabilidade", após os destroços de um foguetão fora de controlo caírem no Oceano Índico.

Neste caso, acredita-se que o fragmento do foguetão russo é mais pequeno, pesando cerca de quatro toneladas, sem combustível. (O chinês Long March pesava cerca de 20 toneladas)

O propulsor Persei tinha, no total, dez metros. Embora pesasse menos, carregava cerca de 16 toneladas de combustível. Ou seja, "a massa total é semelhante ao fragmento chinês, mas a maior parte é provavelmente líquida e arderá na atmosfera, o que significa que o risco e significativamente inferior, creio", explica ainda Jonathan McDowell, astrónomo no centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian.

O astrónomo acrescenta ainda que o foguetão russo não foi planeado para entrar na atmosfera desta forma, mas sim ficar em órbita durante milhares de anos. 

 

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