A transição deverá ficar concluída na segunda-feira, quando Keir Starmer se deslocar ao Palácio de Buckingham para apresentar formalmente a demissão ao rei Carlos III
Andy Burnham foi escolhido como novo líder do Partido Trabalhista britânico esta sexta-feira, dando o passo decisivo para assumir o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido já na próxima segunda-feira.
"Estou pronto para liderar e para construir sobre as bases lançadas por uma pessoa mais do que qualquer outra", declarou, garantindo que pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido por Keir Starmer.
O novo líder trabalhista elogiou o percurso do seu antecessor, sublinhando que foi sob a sua liderança que o partido passou "da pior derrota para uma das maiores vitórias da sua história". Burnham destacou ainda algumas das principais medidas implementadas nos últimos dois anos, como os novos direitos para trabalhadores e inquilinos, a redução das listas de espera no Serviço Nacional de Saúde (NHS), o regresso dos caminhos-de-ferro ao controlo público, a recuperação da reputação internacional do Reino Unido e "o maior reequilíbrio da justiça que este país alguma vez conheceu".
"Hoje agradecemos-lhe pelo serviço prestado ao nosso partido e ao nosso país", acrescentou, dirigindo-se a Starmer.
O antigo presidente da Câmara da Grande Manchester conquistou um apoio esmagador entre deputados, sindicatos e estruturas do partido, tornando-se o único candidato à sucessão de Keir Starmer.
A transição deverá ficar concluída na segunda-feira, quando Keir Starmer se deslocar ao Palácio de Buckingham para apresentar formalmente a demissão ao rei Carlos III, permitindo que Burnham seja nomeado primeiro-ministro e inicie funções no mesmo dia, incluindo a formação de um novo Governo.
Burnham fará então um discurso em frente à Downing Street e nomeará o seu governo durante a tarde. Espera-se que anuncie, nas próximas semanas, uma série de novas políticas centradas no custo de vida.
O currículo de Andy Burnham em Manchester tem alimentado a expectativa de que poderá sair-se melhor do que Keir Starmer – que, no espaço de dois anos, passou de uma vitória nas legislativas com maioria absoluta para uma demissão forçada pelos resultados desastrosos do partido nas eleições locais de maio, a par de índices de popularidade igualmente desastrosos nas sondagens.
No entanto, são muitos os desafios que o futuro primeiro-ministro vai enfrentar, quer no plano externo – desde o azedar das relações com os EUA de Donald Trump até à posição do Reino Unido sobre Israel e a Palestina – quer no plano doméstico. Internamente, os desafios começam pela situação económica e a sustentabilidade da Segurança Social, invocada por Wildman como “uma das questões mais urgentes” a que os trabalhistas terão de dar resposta. “Burnham deixou claro que não deseja cortes drásticos nos programas de assistência social, mas o tema tem-se provado espinhoso nos últimos anos, especialmente no que toca ao desemprego jovem.”
Um estudo recente constatou que um milhão de jovens fora do mercado de trabalho e fora do sistema educacional tem um custo de 125 mil milhões de libras (cerca de 146 mil milhões de euros) para a economia britânica, ao que acresce a atual crise do custo de vida, que “continua a ser um problema difícil de enfrentar” e que torna “fundamental” que o governo encontre formas de aliviar a pressão sobre as famílias.
