"Estou a pensar se te vou violar ou não". Documentos de tribunal descrevem queixas das vítimas contra Andrew Tate

CNN Portugal , DCT
10 abr 2025, 19:46
Andrew Tate

Nos documentos há ainda relatos de outras frases proferidas por Tate às mulheres agredidas, como “eu sou o teu dono” e “vou matar-te”. Os crimes terão acontecido entre 2013 a 2015

A dias da audiência preliminar marcada para 15 de abril em que quatro mulheres acusam o influencer e autoproclamado misógino Andrew Tate de violação, os meios de comunicação britânicos estão a divulgar parte das denúncias, entre as quais constam ameaças com armas e atos de violência física e sexual. Três destas mulheres já tinham denunciado o antigo kickboxer à polícia de Hertfordshire em 2019, mas o Serviço de Acusação da Coroa (CPS, na sigla inglesa) decidiu não avançar com acusações criminais, tendo as vítimas recorrido para um tribunal superior do Reino Unido. 

Num dos testemunhos apresentados à justiça, uma das mulheres revela que Tate lhe disse “Estou a pensar se te vou violar ou não” antes de a agredir física e sexualmente, tendo-a estrangulado antes de a violar. Esta violação terá acontecido no apartamento da vítima, depois de uma sessão de treino antes de um combate de kickboxing, depois de a mulher ter dito a Andrew Tate que não queria avançar com a prática sexual. Segundo a queixa, a mulher “não acreditou no que estava a ouvir e perguntou-lhe se ele estava a brincar” quando disse que não sabia se a iria violar ou não. Segundo a denúncia, Tate “ficou zangado e pôs-lhe uma mão à volta do pescoço e, com a outra, tirou-lhe as cuecas”.

Há ainda nestes novos relatos a denúncia de uma outra mulher, que diz que conheceu Tate num clube noturno e que este a estrangulou, tendo-a violado enquanto ela estava inconsciente. Já na semana passada, Tate foi acusado por uma ex-namorada da prática de estrangulamento e violação durante a relação.

De acordo com as queixas feitas por estas quatro mulheres, e citadas pelo Guardian, Tate é acusado de ameaçar de morte e com recurso a arma uma funcionária da sua plataforma War Room, um serviço de webcam que começou no Telegram. Depois deste episódio, Tate terá violado a mulher e sussurrado ao seu ouvido “linda menina” enquanto a agredia sexualmente.

Nos documentos apresentados em tribunal há ainda relatos de outras frases proferidas por Tate às mulheres agredidas: “Eu sou o teu dono” e “vou matar-te”.

Os crimes terão acontecido entre 2013 a 2015, sendo que a defesa de Tate diz que as alegações de danos pessoais já prescreveram. Além disso, Tate garante que uma das mulheres continuou a entrar em contacto com ele e a visitá-lo “em várias ocasiões depois” da alegada violação. 

A audiência preliminar a estas novas denúncias está marcada para 15 de abril, mas, para já, Andrew Tate continua a negar todas as acusações de violação, controlo coercivo e agressão, dizendo que não passam de um conjunto de “mentiras”, pois todas as relações sexuais em causa foram consensuais.

The Washington Post revelou excertos de extensas conversas por telefone que mostram como Tate e o seu irmão atraíam as vítimas para Bucareste

A polícia de Bedfordshire está a tentar prender Andrew e o seu irmão Tristan Tate, que, segundo o Guardian, estão atualmente no Dubai, depois da justiça da Roménia ter aprovado o pedido de Andrew Tate para sair do país, numa altura em que prosseguem as investigações em relação ao autodenominado “rei da masculinidade tóxica”, que chegou a estar detido também por suspeitas de tráfico humano e violação.

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