Nos documentos há ainda relatos de outras frases proferidas por Tate às mulheres agredidas, como “eu sou o teu dono” e “vou matar-te”. Os crimes terão acontecido entre 2013 a 2015
A dias da audiência preliminar marcada para 15 de abril em que quatro mulheres acusam o influencer e autoproclamado misógino Andrew Tate de violação, os meios de comunicação britânicos estão a divulgar parte das denúncias, entre as quais constam ameaças com armas e atos de violência física e sexual. Três destas mulheres já tinham denunciado o antigo kickboxer à polícia de Hertfordshire em 2019, mas o Serviço de Acusação da Coroa (CPS, na sigla inglesa) decidiu não avançar com acusações criminais, tendo as vítimas recorrido para um tribunal superior do Reino Unido.
Num dos testemunhos apresentados à justiça, uma das mulheres revela que Tate lhe disse “Estou a pensar se te vou violar ou não” antes de a agredir física e sexualmente, tendo-a estrangulado antes de a violar. Esta violação terá acontecido no apartamento da vítima, depois de uma sessão de treino antes de um combate de kickboxing, depois de a mulher ter dito a Andrew Tate que não queria avançar com a prática sexual. Segundo a queixa, a mulher “não acreditou no que estava a ouvir e perguntou-lhe se ele estava a brincar” quando disse que não sabia se a iria violar ou não. Segundo a denúncia, Tate “ficou zangado e pôs-lhe uma mão à volta do pescoço e, com a outra, tirou-lhe as cuecas”.
Há ainda nestes novos relatos a denúncia de uma outra mulher, que diz que conheceu Tate num clube noturno e que este a estrangulou, tendo-a violado enquanto ela estava inconsciente. Já na semana passada, Tate foi acusado por uma ex-namorada da prática de estrangulamento e violação durante a relação.
De acordo com as queixas feitas por estas quatro mulheres, e citadas pelo Guardian, Tate é acusado de ameaçar de morte e com recurso a arma uma funcionária da sua plataforma War Room, um serviço de webcam que começou no Telegram. Depois deste episódio, Tate terá violado a mulher e sussurrado ao seu ouvido “linda menina” enquanto a agredia sexualmente.
Nos documentos apresentados em tribunal há ainda relatos de outras frases proferidas por Tate às mulheres agredidas: “Eu sou o teu dono” e “vou matar-te”.
Os crimes terão acontecido entre 2013 a 2015, sendo que a defesa de Tate diz que as alegações de danos pessoais já prescreveram. Além disso, Tate garante que uma das mulheres continuou a entrar em contacto com ele e a visitá-lo “em várias ocasiões depois” da alegada violação.
A audiência preliminar a estas novas denúncias está marcada para 15 de abril, mas, para já, Andrew Tate continua a negar todas as acusações de violação, controlo coercivo e agressão, dizendo que não passam de um conjunto de “mentiras”, pois todas as relações sexuais em causa foram consensuais.
O The Washington Post revelou excertos de extensas conversas por telefone que mostram como Tate e o seu irmão atraíam as vítimas para Bucareste.
A polícia de Bedfordshire está a tentar prender Andrew e o seu irmão Tristan Tate, que, segundo o Guardian, estão atualmente no Dubai, depois da justiça da Roménia ter aprovado o pedido de Andrew Tate para sair do país, numa altura em que prosseguem as investigações em relação ao autodenominado “rei da masculinidade tóxica”, que chegou a estar detido também por suspeitas de tráfico humano e violação.