Nem Rio, nem Rangel. Ventura redireciona a mira do Chega: "Costa, vamos atrás de ti"

Rafaela Laja , atualizada às 00:15
27 nov 2021, 20:22

O segundo dia do Congresso do Chega ficou marcado por uma mudança de paradigma. Agora, o alvo de Ventura é outro e até a reeleição de Rio serviu para lançar farpas ao Partido Socialista

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Em dia de eleições internas no PSD, André Ventura quis deixar claro que os sociais-democratas já não constituem uma ameaça para o Chega. Agora, o alvo é outro: o Partido Socialista.

Num discurso efusivo no segundo dia do IV Congresso do Chega, o presidente do partido reiterou que quer ser a "verdadeira oposição" ao PS e deixou clara a convicção de que o PSD e o CDS já não lhe interessam.

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"Por isso, António Costa, nós vamos atrás de ti... salvo seja". No dia 30 de janeiro (data das eleições legislativas) não vão haver mais socialistas a rir-se na Assembleia da República. Só tenho pena que Ferro Rodrigues não esteja lá para ver"

E, ainda sobre um futuro pós-legislativas, frisou que "não haverá Ferros Rodrigues para tirar tempo na Assembleia da República".

Lembrando mais uma vez o objetivo do Chega de tornar-se a terceira força política do país, o deputado único foi ambicioso: "Em duas legislaturas alcançaremos o Governo de Portugal e não precisaremos de PS ou PSD".

Ventura voltou a falar no Governo Regional dos Açores como uma conquista do partido: "Mandámos para casa 25 anos de Governo socialista nos Açores".

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Mas o ataque ao partido liderado por António Costa não se ficou por aqui. 

"Hoje deve ser um dia muito feliz para Costa"

Nem mesmo na reação à reeleição de Rio no PSD, o líder do Chega deixou passar a oportunidade para lançar a farpa ao primeiro-ministro.

Para Ventura, a vitória de Rui Rio nas diretas sociais-democratas traduziu-se no "dia mais feliz" da vida política de António Costa.

"Hoje deve ser um dia muito feliz para António Costa. Deve ser um dos dias mais felizes da sua carreira política, na verdade", afirmou Ventura, frisando que Rio era o adversário que Costa "queria ter" e que "tem dado a mão ao Partido Socialista".

Ventura comentou de seguida: "Acho que agora estamos mais próximos de um Bloco Central do que estávamos há uns dias, isso ficou claro com a vitória de Rui Rio, aliás já foi assumido como uma possibilidade pelo próprio”.

Resta-me dizer e deixar claro aos militantes que ficaram desapontados esta noite, que estejam fartos de um PSD permanentemente vergado ao PS e a apoiar tudo o que o PS faz”, que têm no Chega a sua opção de alternativa. Caso não queiram votar neste PSD que é o mesmo que vimos nos últimos anos e é o mesmo que se tem, permanentemente, ajoelhado a António Costa e ao PS”

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André Ventura assumiu ainda que, para o Chega, “é completamente indiferente” quem é o líder do PSD, isso era uma escolha dos militantes sociais-democratas, era “a escolha entre o mau e o menos mau”.

Já sobre possíveis acordos de governo, André Ventura lembrou que o partido ”estabeleceu as regras e condições, que não são muitas”, e “continuam em cima da mesa, os outros partidos é que têm vindo a dizer que não e nem pensar”.

Ventura dispara contra PAN e PCP e diz que partido está “sem dinheiro”

Num discurso de apresentação da sua moção de candidatura para a presidência do partido, André Ventura falou pouco das suas propostas, lançando antes ataques aos seus opositores e afirmando que “poucos partidos serão hoje tão escrutinados pela imprensa e pelos tribunais como é o Chega”. 

Dirigindo-se a supostos observadores da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) presentes na sala, o líder do Chega quis “lançar um desafio”, perguntando “quantas vezes estiveram no Congresso do PS a fazer exatamente o mesmo que vieram fazer ao Congresso do Chega”. 

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Perante gritos de “vergonha” da parte dos delegados, André Ventura voltou a perguntar “quantas vezes fiscalizaram o partido do primeiro-ministro” – com alguns membros na plateia a responderem “nunca” – e pediu para que a fonte de financiamento do PCP fosse fiscalizada. 

“Gostava de saber como é que, com os limites que temos hoje aos donativos em Portugal, e tantas reportagens que fazem sobre aqueles que apoiam o Chega e os mauzões que andam à nossa volta a apoiar-nos, como é que ainda não houve uma grande reportagem sobre os milhões que entram no PCP todos os anos em Portugal?”, interrogou. 

Ventura atacou ainda a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, acusando-a de “hipocrisia” por ter alegadamente “uma estufa numa zona de caça, que distribui os produtos em embalagens de plástico”, apesar de o seu partido ser “contra a caça, contra o plástico, contra a agricultura intensiva”. 

“O mesmo partido que o ano passado queria apresentar uma proposta para que os deputados tenham que declarar se pertencem ou não a um clube de futebol é a mesma líder que não declarou que tem uma imobiliária em seu nome e do marido em Portugal. É uma vergonha o que vivemos em Portugal”, frisou. 

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