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Caso das gémeas. Ventura diz que "fica claro que este não é só um caso grave, como mereceria uma investigação aprofundada"

6 jun, 12:28
André Ventura (LUSA)

Ventura diz que "é pouco crível" que Marta Temido não soubesse de nada sobre o casa, porque era ministra da Saúde e Lacerda Sales seu secretário de Estado

André Ventura, presidente do Chega, afirmou esta quinta-feira que as investigações relacionadas com o caso das gémeas, que "fica claro que este não é só um caso grave, como envolve altas atuais ou antigas figuras do Estado e que mereceria uma investigação aprofundada".

"Operações que hoje decorrem demonstram aquilo que nós dissemos desde o início: que isto é um caso muito relevante que merecia uma analise e uma investigação aprofundada", afirmou.

Comentando as declarações de Marta Temido, Ventura diz que "é pouco crível" porque era ministra da Saúde e Lacerda Sales seu secretário de Estado.

"Estranho é que a senhora ex-ministra não saiba de nada e mesmo sobre se teria falado com Lacerda Sales. Se eu tivesse um secretário de Estado suspeito de desviar 4 milhões de euros para favorecer alguém era: 'António isto tem algum fundo de verdade? Sabes alguma coisa?'. Tudo isto mostra como o PS está de forma cúmplice a abafar esta investigação", afirmou.

A Polícia Judiciária (PJ) está esta quinta-feira a efetuar buscas no Ministério da Saúde e no hospital de Santa Maria no âmbito da investigação ao caso das gémeas.

Segundo uma nota do Ministério Publico divulgada na página do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Lisboa, em causa estão factos suscetíveis de configurar "crime de prevaricação, em concurso aparente com o de abuso de poderes, crime de abuso de poder na previsão do Código Penal e burla qualificada".

Na mesma nota o MP confirma que as buscas decorrem em duas unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e em instalações da Segurança Social, assim como num domicílio, visando a recolha de documentação.

As buscas às unidades do SNS são presididas por juízes de Instrução Criminal, acompanhados por magistrados do DIAP Regional de Lisboa, e as restantes buscas não domiciliárias são dirigidas por procuradores da República.

Em causa está o tratamento em 2020 de duas gémeas residentes no Brasil, que adquiriram nacionalidade portuguesa, com o medicamento Zolgensma. Com um custo total de quatro milhões de euros (dois milhões de euros por pessoa), este fármaco tem como objetivo controlar a propagação da atrofia muscular espinal, uma doença neurodegenerativa.

O caso foi divulgado pela TVI em novembro passado e está ainda a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), tendo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) já concluído que o acesso à consulta de neuropediatria destas crianças foi ilegal.

Também uma auditoria interna do Hospital Santa Maria concluiu que a marcação de uma primeira consulta hospitalar pela Secretaria de Estado da Saúde foi a única exceção ao cumprimento das regras neste caso.

A comissão de inquérito ao caso das gémeas tratadas com o medicamento Zolgensma agendou já o início das audições para 17 de junho, com depoimento do antigo secretário de Estado Adjunto e da Saúde António Lacerda Sales.

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