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Mithá Ribeiro sai do Chega e acusa Ventura de ser "predador psicológico" e narcicista

Agência Lusa , AM
17 out 2025, 09:54
"Em qualquer circunstância, vou manter o mandato até ao fim": Mithá Ribeiro demite-se de vice-presidente do partido mas promete continuar a ser deputado

Antigo deputado diz que “o ponteiro da responsabilidade coletiva nunca se moveu” no Chega, que para os militantes e simpatizantes não deixou de ser mais do que “o partido do André”

O antigo deputado do Chega Gabriel Mithá Ribeiro anunciou esta sexta-feira a sua saída do partido, acusando o líder, André Ventura, de ser um “predador psicológico” com comportamentos narcísicos e autoritários.

Num artigo de opinião publicado no Observador, o ex-vice-presidente do Chega diz que a sua exclusão do governo-sombra apresentado por André Ventura foi o momento que precipitou a sua exclusão.

“Cumprir o primeiro dever imposto pelo programa político sufragado no Conselho Nacional de Sagres (2021) revelou-se impossível para um líder narcísico, pois obrigava-o a descentrar o Chega da sua pessoa (indivíduo) e recentrá-lo num valor civilizacional universal e abstrato (coletivo)”, escreve o responsável pelo programa político do Chega.

Mithá Ribeiro diz que “o ponteiro da responsabilidade coletiva nunca se moveu” no Chega, que para os militantes e simpatizantes não deixou de ser mais do que “o partido do André”.

“André Ventura é demasiado inteligente para, ao fim de quatro anos, não compreender ser o primeiro e principal traidor da essência política formalmente instituída pelo seu próprio partido, mas a sua impossibilidade de olhar o meio envolvente sem o filtro narcísico move-o numa cruzada insana contra o sujeito coletivo”, escreve.

Acusa o líder do Chega de “pulsão autocrática destrutiva”, que diz ser “um traço de personalidade impossível de o tornar um governante responsável”.

Tal pulsão – acrescenta -, “alimenta no núcleo duro do seu poder interdependências pessoais deprimentes, moralmente dissolventes e socialmente danosas no caso de ser governo”.

No artigo, intitulado “Os 7 pecados mortais do predador narcísico”, Mithá Ribeiro alerta que “entregar o poder a um político com tal perfil psicológico é construir um muro de betão contra o uso social da razão, e rumar ao paraíso de ignorantes”.

“Desfazem-se mistérios do Chega nunca sair da bolha restrita de temas do Chefe, e da impossibilidade de atrair cidadãos competentes, que abundam no campo político da direita, mas apenas funcionam em contextos de respeito e valorização pela sua autonomia existencial e conhecimentos”, acrescenta.

Mithá Ribeiro diz que André Ventura “mudou para sempre Portugal ao escancarar as portas da liberdade à direita”, mas insiste: “a sua personalidade tóxica envenena o que ele mesmo semeou numa direita que não mais se pode permitir a si mesma ser infantil, primária, imoral, irracional, irresponsável, submissa a um dono”.

Historiador e professor universitário, Mithá Ribeiro foi um dos fundadores do Chega e uma das figuras mais próximas de Ventura nos primeiros anos do partido.

No dia 22 de setembro o grupo parlamentar do Chega anunciou que Mithá Ribeiro tinha pedido a renúncia ao mandato de deputado e que seria substituído por Rui Fernandes, sem revelar os motivos desta decisão.

Na semana seguinte, Mithá Ribeiro anunciou a desistência da sua candidatura à presidência da Câmara Municipal de Pombal.

Mithá Ribeiro foi eleito deputado na XV, XVI e XVII legislaturas, sempre pelo círculo de Leiria, tendo sido reconduzido como secretário da mesa da Assembleia da República em junho passado, depois das eleições legislativas antecipadas.

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