Ventura tem uma certeza: nenhum português "pode dizer que votou no Chega ao engano"

2 fev, 00:16

Líder do Chega promete, em entrevista à CNN, "uma oposição forte, firme e que não terá medo de falar mesmo sabendo que o PS tem o poder todo na mão”

“A partir de agora o país vai habituar-se a uma oposição forte, firme e que não terá medo de falar mesmo sabendo que o PS tem o poder todo na mão”, disse esta terça-feira André Ventura em entrevista à CNN Portugal. O líder do Chega garantiu que o resultado das legislativas "não foi um milagre" mas sim fruto do trabalho do partido e um "objetivo cumprido", lembrando que já existiam vários "indicadores que apontavam nesse sentido".

"Costa, vou atrás de ti": a explicação

Durante o discurso de vitória do Chega na noite eleitoral, Ventura disse “Costa, vou atrás de ti”. As palavras acabaram por ecoar em toda a comunicação social - e Ventura explicou-as esta noite. “O que quis dizer naquela noite era que vou fazer aquilo que Rui Rio não foi capaz de fazer, porque antes eu não podia fazê-lo por ter uma força muito limitada no Parlamento”. André Ventura revelou também que saudou António Costa pela vitória assim que conheceu os resultados das eleições legislativas. 

Questionado sobre se algo levaria o Chega a apresentar uma moção de censura contra o novo Governo socialista, Ventura diz que sim. O presidente do Chega esclarece que "se o Ministério Público ou a Justiça se tornarem armas de arremesso do PS contra os opositores" não terá alternativa senão "chamar o primeiro-ministro ao Parlamento e colocar uma moção de censura". Este é visto por André Ventura como "um limite intransponível".

Chumbo do vice-presidente da Assembleia da República proposto pelo Chega

"Hoje mesmo soubemos que os partidos se estão a preparar para chumbar permanentemente o candidato do Chega a vice-presidente do Parlamento", afirmou André Ventura. O líder da terceira força política nacional prevê que esta posição da maioria de esquerda vá provocar o "caos no primeiro dia da Assembleia da República". De acordo com o Expresso e agora André Ventura, a maioria de esquerda está a preparar-se para chumbar ad eternum o candidato a vice-presidente da Assembleia da República proposto pelo Chega. "Isto são os democratas da nossa praça. Depois perguntam-se como é que o Chega cresce. Porque as pessoas revoltam-se com isto."

Maioria absoluta socialista

Olhando para a campanha eleitoral, André Ventura diz que da esquerda viram-se "coisas ridículas" e que a estratégia de Rui Rio levou ao crescimento do Chega e da Iniciativa Liberal, abrindo, em simultâneo, caminho à maioria socialista. "O Bloco de Esquerda termina a campanha a dizer que votar no BE é votar para derrotar André Ventura", aponta o presidente da nova terceira força política, que considera que esta "obsessão antiChega" centralizou o eleitorado no PS.

Já quanto ao PSD, Ventura diz que Rui Rio transformou o PSD no "Partido Socialista II". “O que é que Rui Rio mais podia dizer? Há um momento em que ele diz assim: 'só se me disserem que os deputados do Chega saem da sala quando eu vou votar'. Disse que não negociaria e não haveria Governo. Rui Rio disse sempre não, não, não e não e mesmo assim os eleitores disseram sim, sim, sim, sim… Mas, enganou-se", ironiza. "Esta lógica de querer ser o Partido Socialista II acabou por reforçar dois partidos à direita.”

Chega: o partido disruptivo e antissistema ou o partido populista?

Há algo que André Ventura diz que é uma "verdade universal": "Ninguém pode dizer que votou no Chega ao engano”. O presidente do partido garante que não é populista e que desde o primeiro dia assumiu um "discurso disruptivo" e "antissistema" sem nunca iludir nenhum eleitor português.

Ventura culmina garantindo que, a partir de agora, Portugal vai "habituar-se a uma oposição forte, firme e que não terá medo de falar mesmo sabendo que o PS tem o poder todo na mão”.

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