Análise às eleições legislativas e ao que cada partido deve retirar de uma noite de terramoto para a esquerda que fez nascer a perspetiva de uma revisão constitucional à direita
A Aliança Democrática (AD) fica com caminho aberto para formar um governo estável a partir das últimas eleições, o que também significa que Luís Montenegro terá, a partir daqui, mais responsabilidade na sua governação.
É esta a leitura de Miguel Sousa Tavares, que fez uma análise geral ao papel de cada partido depois do terramoto político de domingo.
Na sua 5.ª Coluna do Jornal Nacional da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), o comentador apontou que a Iniciativa Liberal “se pôs de fora”, pelo que fica na mão de Luís Montenegro a composição do próximo executivo.
O governo em si mudará “um a dois ministros”, mas é no programa do governo que as coisas “têm de mudar”.
“Agora não há desculpas. Embora não haja uma maioria sólida para governar, há, claramente, um clima de paz vindo da parte da oposição, e um desejo de todos - talvez não do Partido Comunista - de levar a legislatura até ao fim”, referiu.
E é por isso o primeiro-ministro deve agora pensar a médio e a longo prazo, nomeadamente num “recado de Pedro Passos Coelho”, que lembrou que “o poder não serve para nada senão for para fazer transformações em Portugal”.
Miguel Sousa Tavares insistiu, por isso, que deve aparecer uma vontade transformadora, apontando o caso do caos na inscrição de bebés nas creches como exemplo: “Como é que um país onde não se fazem bebés, os poucos que se fazem não têm para onde ir?”
Indo depois à oposição, o comentador voltou a destacar o “caso extremo” do Partido Comunista, que “não percebeu nada do que estava em jogo nas eleições”, pelo que se deve preparar para continuar a perder deputados.
Pior ainda para o Bloco de Esquerda, agora em “situação comatosa”, incluindo na questão financeira, já que perdeu grande parte da subvenção estatal a que tinha direito.
Quanto ao PS, um dos grandes derrotados da noite eleitoral, Miguel Sousa Tavares entende que o mais importante é reflexão, e não precipitação. Ainda assim, e tendo em conta a conversa sobre a revisão constitucional, “o PS precisa de ter uma liderança” no Parlamento.
Ao lado dos socialistas, possivelmente até acima, aparece o Chega, que está confiante em ser líder da oposição depois de conhecidos os resultados da imigração. Face a esse cenário, Miguel Sousa Tavares tem um desejo: “Espero que o governo sombra não seja como os deputados, que ninguém sabia quem eram”.
Propõe-se, assim, a que o Chega desfaça “o mistério” de esclarecer se o partido tem alguém para lá de André Ventura que possa representar Portugal.