Mundial de andebol: guia para «totós» 2.0 (com um especialista que sim senhor!)

11 jan, 08:43
Mundial andebol

28.ª edição da competição é coorganizada por Suécia e Polónia e arranca nesta quarta-feira

Dois anos depois, cá estamos outra vez. Porque os bons hábitos são para manter. E os parvos também podem ser.

Mas para não ser mais do mesmo, esta segunda edição do «guia para totós» do Mundial de andebol é uma versão melhorada.

E não, não é um autoelogio.

É que desta vez convidámos para colaborar – e dar um tom mais sério a tudo isto - uma pessoa que realmente percebe alguma coisa do tema.

Porque se a seleção recorre a nomes consagrados como Vasco da Gama, Gil Eanes ou Fernão de Magalhães – nomes de jogadas que podemos ver durante os jogos - na tentativa de fazer história para o andebol português, nós também nos sentimos no direito de procurar o nosso «conquistador».

Por isso apontamos lá para cima e escolhemos um tal de… Paulo Jorge Pereira.

Ele mesmo, o selecionador nacional de andebol aceitou partilhar connosco a responsabilidade destas linhas. Da parte séria delas, mais concretamente.

Fica muito mais interessante, não é verdade?

Então vamos lá ao que interessa, que o Mundial da Suécia e Polónia começa já nesta quarta-feira e nós estamos para aqui a enrolar.

O que esperar de Portugal?

Os «Heróis do Mar» chegam à 28.ª edição do Mundial dois anos depois da melhor participação de sempre - o 10.º lugar, no Egito -; mas um ano após um Europeu algo dececionante, no qual não passou da fase de grupos.

Portugal foi sorteado no grupo D, juntamente com a Islândia, a Hungria e a Coreia do Sul, no que é quase uma repetição do grupo de Portugal no Europeu de 2021, apenas com a Coreia do Sul a «substituir» os Países Baixos.

Um ano depois de ter perdido por quatro com a Islândia e por um com a Hungria, Portugal volta a ficar, provavelmente, no grupo mais equilibrado da competição.

Mas isso dizemos nós.

O nosso especialista explica melhor.

«Para mim, já é um orgulho quando analisamos esta fase de grupos e a classificamos como equilibrada. Mas é bom, porque já vamos mentalmente a pensar em jogos equilibrados, nos quais podemos ganhar ou perder.

É a segunda vez que participamos juntos num Mundial. Há um caminho longo a percorrer e coisas a melhorar. Desde que existe andebol, a nossa melhor classificação num mundial foi o 10.º lugar. Quantas empresas em Portugal estão nos 10 melhores do Mundo?

Foi ótimo conseguir esse 10.º lugar, mas temos de criar condições para chegar mais longe, porque temos uma margem de progressão enorme. Temos essa ambição, mas não sabemos se vamos conseguir porque temos um grupo muito difícil.

Teoricamente, se passarmos com pontos para a main round [ver capítulo sobre a organização da competição], estamos mais obrigados a fazer pontos do que na fase de grupos.

Por outro lado, as outras seleções já não nos veem da mesma maneira que viam há pouco tempo. Agora preparam-se de uma forma completamente diferente, porque reconhecem-nos valor.»

O que valem os adversários de Portugal?

Neste capítulo assumimos o nosso estatuto de totó e não metemos o «bedelho». Era o que faltava! É tudo com o especialista.

Islândia: «Estamos a falar de um dos melhores ataques do mundo. Também abrimos o último Mundial com a Islândia e ganhámos. Depois perdemos no Europeu, mas temos igualado as coisas. A Islândia agora tem um jogo muito mais vertical, baseado nos duelos de um contra um, com dois atletas que individualmente ganham muitas vantagens: o Gisli Kristjánsson e o Ómar Magnúnsson [figuras do Magdeburgo, bicampeão do mundo de clubes]. E ainda têm o Palmarson, que é dos melhores jogadores do mundo. Temos de preparar muito bem os duelos e as ajudas. Por ser o primeiro jogo, é muito importante, mas não é decisivo. Estamos a preparar o jogo com muito detalhe e acreditamos que podemos vencer.»

Coreia do Sul: «É treinada pelo antigo selecionador português. O Rolando [Freitas] conhece bem a nossa equipa porque trabalhou com a maioria destes jogadores. Ele conhece melhor os nossos jogadores do que eu conheço os dele. A Coreia é uma equipa que aposta muito nas transições rápidas e no um contra um.»

Hungria: «Também é uma equipa fortíssima em termos históricos. É treinada por alguém que conhece bem o andebol português [Chema Rodríguez, treinador do Benfica]. Ele tem uma informação mais privilegiada para poder tomar decisões, mas nós também conhecemos os jogadores deles. É uma equipa que tem um modelo de jogo mais “espanholizado”, com muita mobilidade dos jogadores e a aproveitar os perfis corpulentos dos pivôs e da primeira linha. Tem um jogo completamente diferente do da Islândia, que nos vai colocar também desafios interessantes.»

A figura: Rui Silva

[esta foi a parte em que a chamada com Paulo Jorge Pereira ficou com algumas «interferências», ou o que foi... Assumimos nós, pois claro]

Basta olhar para os jogos da seleção portuguesa para perceber que, ao contrário do que acontece com muitas equipas, não há um jogador a destacar-se muito dos demais.

E a nossa escolha, o central Rui Silva, nem costuma ver o seu nome entre os melhores marcadores, nem na seleção, nem no FC Porto. Mas trata-se do cérebro da equipa. O líder que lidera pelo exemplo.

O capitão dos «Heróis do Mar» acrescenta magia ao jogo, sobretudo através de assistências e uma visão de jogo que dá imprevisibilidade ao ataque luso.

Aos 29, o autor do golo mais importante da história do andebol português – com aquele braço onde eternizou a imagem de Alfredo Quintana - chega ao segundo Mundial da carreira com tudo para brilhar e ajudar Portugal a voltar a fazer história.

Atenção a… Kiko Costa

É provável que mesmo aqueles que não são grandes conhecedores de andebol já tenham ouvido falar de Kiko Costa. O miúdo de 17 anos, que há um e meio trocou o FC Porto pelo Sporting – juntamente com o irmão Martim, que também podia ser protagonista deste espaço –, apresenta registos pouco habituais para o nosso andebol.

Há menos de um mês, foi eleito o segundo melhor jogador sub-21 do Mundo e o melhor na sua posição: lateral direito.

Chega ao Mundial no final de um ano em que foi também o segundo melhor marcador do Mundo (!!) em 2022, o mesmo ano em que se tornou no mais novo internacional AA português de sempre.

Todos os amantes de andebol do Mundo estão com expectativa para o ver jogar no palco do Mundial. E isso não é dizer nada pouco sobre o «menino».

Calendário

1.ª jornada: Islândia- Portugal, 12 de janeiro, às 19h30;

2.ª jornada: Portugal-Coreia do Sul, 14 de janeiro, às 17h;

3.ª jornada: Portugal-Hungria, 16 de janeiro, às 19h30.

Portugal joga a fase de grupos na Arena de Kristianstad, na Suécia, e os jogos serão transmitidos na RTP2.

Historial

Esta é a quinta participação de Portugal num Mundial.

Nas quatro anteriores, a participação tem sido sempre a crescer em termos de posição.

- 1997 (Japão) – 19.º lugar

- 2001 (França) – 16.º lugar

- 2003 (Portugal) – 12.º Lugar

- 2021 (Egipto) – 10.º lugar

Como funciona a competição?

São 32 seleções divididas em oito grupo de quatro.

Três equipas de cada grupo apuram-se para uma segunda fase de grupos (Main round), levando para essa fase os pontos somados diante dos adversários que se apuram.

Ou seja: antes do início da main round são retirados os pontos ganhos por todas as equipas frente ao único adversário do grupo que não segue para a segunda fase.

Cada grupo da main round é composto por seis equipas: os três primeiros do grupo A e os três do grupo B; os três primeiros do Grupo C, vão cruzar com o grupo D, onde está Portugal; o grupo E junta-se ao F; e o G ao H.

Dos quatro grupos da main round, os dois primeiros classificados seguem para os quartos de final, e a competição segue até à final agendada para dia 29 de janeiro.

Grupos

Grupo A (Cracóvia)

Espanha

Montenegro

Chile

Irão

Grupo B (Katowice)

França

Polónia

Arábia Saudita

Eslovénia

Grupo C (Gotemburgo)

Suécia

Brasil

Cabo Verde

Uruguai

Grupo D (Kristianstad)

Islândia

PORTUGAL

Hungria

Coreia do Sul

Grupo E (Katowice)

Alemanha

Qatar

Sérvia

Argélia

Grupo F (Cracóvia)

Noruega

Macedónia do Norte

Argentina

Países Baixos

Grupo G (Jonkoping)

Croácia

Egito

Marrocos

EUA

Grupo H (Malmo)

Dinamarca

Bélgica

Bahrain

Tunísia

Seleções com mais títulos mundiais

França – seis.

Suécia – quatro.

Roménia – quatro.

Os campeões presentes em prova

A Dinamarca é campeã do Mundo em título

Campeão do Mundo: Dinamarca

Campeão da Europa: Suécia

Campeão olímpico: França

Campeão asiático: Qatar

Campeão da América do Sul e Central: Brasil

Campeão africano: Egipto

Campeão da América do Norte: EUA

Favoritos ao título

Viu o «capítulo» acima? Se sim, já percebeu que isto é uma confusão.

Há campeões para todos os gostos. No andebol, os vencedores estão sempre a rodar. É uma cambada de invejosos que não podem ver nada.

«Ah, és campeão da Europa? Pumba, eu vou ser campeão do Mundo.»

«Isso, entretenham-se aí em conversinhas que eu levo o título olímpico».

Que é como quem diz…

«Cada vez há mais favoritos a ganhar os grandes títulos, o que é bom para a nossa modalidade. Dinamarca, França e Suécia – esta também por jogar em casa – têm de ser candidatos. Depois temos sempre a Noruega e a Croácia. A Espanha também está sempre, e tem feito um trabalho brutal para ter esta consistência. No andebol há muita gente a poder chegar ao título».

Palavra de especialista.

Que role a bola (com mais ou menos resina)!

 

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