De quem é o apoio de braço? Posso reclinar o lugar? E baixar a persiana da janela do avião? - regras de etiqueta para um voo mais tranquilo

CNN , Marnie Hunter
26 nov 2023, 17:00
aviao

Tudo correrá melhor se cada passageiro levar consigo durante a viagem algum bom senso, por isso a CNN Travel falou com especialistas sobre as melhores abordagens para a etiqueta no avião

Os aviões vão estar a abarrotar. A paciência será posta à prova. É inevitável que haja algum nível de irritação. Se juntarmos a isto uma pessoa que não para de abanar o lugar, um estranho embriagado e alguém que está despreocupadamente descalço, a odisseia de viajar durante períodos festivos, como os que se aproximam, tornar-se-á um pouco mais desafiante.

Este ano está prestes a tornar-se um recorde para as viagens aéreas. A Administração para a Segurança dos Transportes dos Estados Unidos (Transportation Security Administration) espera rastrear mais pessoas no domingo (26 de novembro) após o feriado do Dia de Ação de Graças (a 23) do que em qualquer outro dia nos seus mais de 20 anos de história. E algumas companhias aéreas esperam a temporada de viagens nesta altura mais movimentada de sempre.

Tudo correrá melhor se cada passageiro levar consigo durante a viagem algum bom senso, por isso a CNN Travel falou com especialistas sobre as melhores abordagens para a etiqueta no avião.

Muitas vezes, o ingrediente que falta é a autoconsciência. As pessoas tendem a ficar demasiado absorvidas na sua própria viagem e esquecem-se de que há um avião cheio de passageiros.

É sempre um pouco surpreendente ver isto, porque é a minha mala, o meu compartimento superior, o meu lugar, o meu voo, a minha ligação, a minha bebida, e é tudo muito "eu, eu, eu" quando se trata da forma como as pessoas se comportam num avião.

“E, imaginem, são centenas de passageiros”, sublinhou Rich Henderson, assistente de bordo há uma década. “Tem de estar atento às pessoas à sua volta, tem de respeitar as pessoas ao seu redor.” 

Começa com um "olá"

Seja educado com a tripulação que o recebe. "Faz toda a diferença quando é agradável com a primeira pessoa que vê no avião", disse Diane Gottsman, especialista em etiqueta e proprietária da The Protocol School of Texas, nos Estados Unidos.

Andrew Henderson, um comissário de bordo com 20 anos de experiência, concorda.

"Um simples 'olá' ou 'obrigado' ou o reconhecimento da nossa existência é sinal de educação. Penso que essa é uma parte da etiqueta que se está a perder com todos os auscultadores e dispositivos que usamos. Estamos todos tão ocupados que nos esquecemos que outros seres humanos existem no mundo", afirmou Andrew Henderson. Ele é casado com Rich Henderson e juntos gerem o site e as redes sociais de “Two Guys on a Plane”, onde “o sarcasmo é um elogio".

Sobre os auscultadores

Os auriculares e os auscultadores com cancelamento de ruído (noise-canceling) são uma faca de dois gumes: ótimos para bloquear o mundo quando este é intrusivo, mas não muito bons quando prestar atenção é importante.

"Como assistentes de bordo, estamos lá principalmente por razões de segurança, e muitas vezes dizemos meio a brincar que se houvesse uma situação de emergência, metade das pessoas permaneceria no avião, porque estão com auscultadores com cancelamento de ruído e nos seus telemóveis e não estão a prestar atenção ao que se passa à sua volta", observou Rich Henderson. "É um bocado assustador pensar nisso.”

Os passageiros envoltos no seu próprio mundo também tendem a não reparar em coisas como o serviço de refeições e depois irritam-se porque não foram atendidos. "Se virem um carrinho ou um assistente de bordo a aproximar-se da vossa fila, tirem os auscultadores, olhem para cima, reconheçam que eles estão lá para que não tenhamos de ter situações complicadas no futuro", considerou Andrew Henderson.

Mas os dispositivos de cancelamento de ruído, a que Gottsman chamou de "o sinal universal de 'não quero ser incomodado'", são também úteis. Se o passageiro do lado não para de falar ao seu ouvido, basta colocar os auscultadores.

E são a salvação quando os bebés estão a chorar.

Por isso, coloque-os nos seus ouvidos e seja gentil.

Crianças nos aviões

“Acho que devemos ser compreensivos com os pais que viajam, porque todos sabemos que a culpa não é do bebé, e coloca os pais numa situação desconfortável ao ver as pessoas revirarem os olhos", disse Gottsman. "Eles não querem ninguém a chorar."

Mas cenários em que as crianças se tornam selvagens são outra história. Os pais desatentos fazem frequentemente parte das listas dos comportamentos mais irritantes nos aviões.

"O reverso da medalha é que os pais - tal como em qualquer espaço público - devem estar atentos aos seus filhos", pediu Gottsman. "Quando estão num restaurante, numa mercearia e também num avião, para a segurança da criança e conforto dos outros passageiros. Esteja atento se estiverem a dar pontapés no assento à frente deles."

Dar pontapés no assento e outros conflitos

Pontapés nos assentos é uma reclamação frequente dos passageiros, juntamente com o uso de apoios de braço e uma longa lista de outras reclamações.

"Acho que todos temos de ser um pouco mais gentis uns com os outros. Se alguém está a dar um pontapé no nosso assento, temos de ser adultos e virarmo-nos para falar com a pessoa", sugeriu Andrew Henderson.

Estas situações exigem comunicação para evitar frustrações.

"Por isso, se eu gosto de ter a persiana da janela para baixo durante todo o voo, devo perguntar aos outros passageiros: 'Alguém quer a persiana da janela aberta? Eu prefiro tê-la fechada'", exemplificou.

E se outra pessoa a quiser manter aberta, há espaço para negociação. Talvez goste de a ter aberta para ver durante a descolagem e a aterragem, mas não se importa de a ter fechada durante o resto do voo.

Samantha Brown, especialista em viagens, explica os "direitos implícitos" de cada lugar de avião

Samantha Brown, apresentadora de TV e especialista em viagens, adota uma abordagem mais unilateral para a questão da persiana da janela: o ocupante do lugar à janela é que decide.

"Se a pessoa que está na janela quiser a persiana aberta, ela fica aberta. O passageiro na coxia não pode dizer à pessoa para fechar a persiana", defendeu em conversa com a CNN, e de forma enfática.

Andrew Henderson adverte contra esta abordagem.

"Se nos deixarmos levar e formos egocêntricos e dissermos: 'a janela é minha, fecho-a se quiser', é claro que vamos começar uma discussão", garantiu.

Se vai sentado à janela, tenha algum cuidado. 

A regra dos apoios de braços

No que diz respeito aos apoios de braço, Gottsman indicou que o lugar do meio tem prioridade. 

"Digo sempre que a pessoa do meio fica com ambos os apoios de braço – ou pode escolher, digamos assim", considerou, acrescentando que o ocupante do lugar do meio deve poder decidir para que lado se quer inclinar.

Para Samantha Brown, a pessoa no lugar do meio tem de ficar com ambos os apoios de braço. "O lugar do meio tem direito a tudo o que quiser."

Uma abordagem ponderada para a questão do lugar reclinável

A questão do lugar reclinável não pode certamente ser resolvida aqui. Reclinar ou não reclinar é uma questão polémica com muitas opiniões de ambos os lados. Mas é fundamental ser cortês com quem se inclina.

"Se vai reclinar o assento, é importante olhar primeiro para ver se os joelhos de alguém estão encostados ao assento, ver se a mesa do tabuleiro está para baixo, ver se têm comida [na mesa do tabuleiro]", disse Gottsman.

Rich Henderson concorda, mas com uma ressalva.

"Regra geral, penso que uma pessoa deve poder utilizar o seu lugar da forma como foi projetado para ser usado", defendeu, acrescentando que "a coisa certa a fazer" num voo que ofereça serviço de refeições é colocar o seu lugar para a frente durante esse período.

Exagerar na bebida

Alguns dos incidentes mais graves de fúria aérea dos últimos anos envolveram álcool. Um passageiro que bebeu uns copos no bar do aeroporto e bebe mais uns copos no avião pode não ser o melhor companheiro de viagem ou cliente. Alguns acabam por ter de pagar multas pesadas.

"É importante beber com moderação", apontou Gottman. "Pode beber, mas não exagere."

Comida malcheirosa, pessoas malcheirosas

Não há como escapar a odores desagradáveis em espaços fechados, por isso, tenha em atenção ao que escolhe levar para o avião. Pense duas vezes no peixe e nos ovos cozidos, por exemplo.

"Comida malcheirosa para mim não é necessariamente para outra pessoa, por isso, se ouvir alguém a queixar-se da sua comida, talvez o avião não seja o melhor sítio para comer os seus tacos de peixe", observou Andrew Henderson. "Ou então, se tem tacos de peixe, peça desculpa pela sua escolha às pessoas à sua volta e diga 'vou comê-los o mais rápido possível'."

Faça a sua higiene pessoal em casa - não corte as unhas durante a viagem. Mas cuide da sua higiene antes do voo. Passageiros com mau cheiro - devido a má higiene ou a excesso de perfume ou água-de-colónia - são uma queixa comum, segundo pesquisas.

Pés fedorentos - ou quaisquer pés, na verdade

Gottsman aconselha os passageiros a escolherem um par de sapatos que seja confortável durante todo o voo - mesmo que os seus pés inchem.

"Não é correto descalçar os sapatos e fazer uma pequena sesta", disse. "A sesta pode fazer, mas os sapatos devem permanecer calçados. E não deve caminhar descalço ou de meias pelo avião, como ir ao WC e voltar."

Não coloque, em circunstância alguma, os seus pés descalços no apoio de braço de outra pessoa. Isto aconteceu a Brown numa situação que descreveu como "a experiência mais irritante" que teve como passageira.

"Não tenho qualquer problema em dar meia-volta e dizer: 'por favor, não faça isso', mas primeiro é preciso documentar", indicou, mostrando à CNN fotografias dos pés descalços (sim, ambos) do passageiro infrator com as unhas vermelhas.

Isto também deu tempo ao companheiro da passageira para dizer: "É melhor tirares os pés. Ela está a tirar fotografias."

Conclusão?

"Todos nós podemos ser um pouco mais gentis uns com os outros", acredita Rich Henderson, "especialmente em locais tão apertados".

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