Antevisão de Óscar Botelho, analista de futebol e comentador da CNN Portugal
Argentina
Aterram como campeões mundiais em título e uma das principais favoritas à conquista do troféu, sustentando a continuidade de um ciclo extremamente vitorioso iniciado com Lionel Scaloni em Novembro de 2018. Combinam de forma eficaz e consistente experiência, maturidade competitiva e uma nova geração de jogadores de enorme qualidade, mantendo um equilíbrio raro entre talento individual e organização coletiva. Lionel Messi, ainda que em fase final de carreira internacional, continua a ser a grande referência técnica e emocional do grupo, enquanto jogadores como Julián Álvarez, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister garantem intensidade, estabilidade e qualidade em todos os setores. A equipa destaca-se pela capacidade camaleónica de adaptação tática, solidez defensiva, liderada por Nicolás Otamendi e eficientes nos momentos decisivos, características que a tornaram extremamente difícil de bater em fases finais. Mantendo um modelo pragmático, competitivo e muito bem estruturado, maioritariamente em 4-3-3, com rápidas transições defensivas, num bloco compacto, incluindo nas bolas paradas defensivas. Com o natural objetivo da revalidação do título mundial com o intuito de consolidar uma das eras mais vitoriosas da história recente da seleção.
Áustria
Chegam embalados por um dos períodos mais consistentes do seu futebol nas últimas décadas, competitivos e cada vez mais respeitados, sendo evidente a evolução sob uma identidade moderna, baseada em intensidade, pressão alta e transições rápidas, conseguindo competir de igual para igual com adversários de maior tradição. O meio-campo é o setor mais forte, com Marcel Sabitzer e Konrad Laimer a assumirem papéis centrais na dinâmica da equipa, oferecendo energia, capacidade de recuperação e qualidade na construção ofensiva. A defesa também apresenta estabilidade, comandada pelo polivalente e consistente David Alaba, contribuindo para uma estrutura equilibrada, em todos os momentos de jogo. Sob o comando de Ralf Rangnick, desde 2022, desenvolveram um estilo de jogo agressivo e vertical, que privilegia a intensidade coletiva e a organização tática, com base sólida num 4-2-3-1 com qualidade suficiente para lutar pela qualificação e poder tornar-se uma das surpresas positivas da fase de grupos.
Argélia
Regressam ao Mundial uma dúzia de anos depois da melhor presença atingindo os Oitavos de Final, determinados em recuperar o prestígio internacional alcançado em ciclos anteriores, apresentando um conjunto que mistura experiência e talento emergente. A equipa africana venceu o seu grupo de qualificação, tem vindo a consolidar a sua identidade competitiva, baseada na técnica individual, velocidade ofensiva e forte capacidade de transição. Riyad Mahrez continua a ser a principal referência do grupo, trazendo criatividade, experiência e capacidade de decisão em jogos importantes, enquanto jogadores como Amine Gouiri acrescentam juventude e dinamismo ao setor ofensivo. O meio-campo onde Ibrahim Maza possui um alargado raio de ação e a defesa procuram manter maior consistência, com destaque para o lateral/central Ramy Bensebaini. Sob o comando do sérvio Vladimir Petković, desde Fevereiro de 2024, apostam num modelo mais equilibrado, tentando unir organização tática com liberdade criativa no ataque, assente num 4-2-3-1 com dinâmicas entre jogo interior e lateralização do mesmo. Apesar da concorrência forte no grupo, possuem qualidade suficiente para competir de forma equilibrada e lutar por uma vaga na fase a eliminar.
Jordânia
Confirmando a sua ascensão no futebol asiático forma consistente, apresentando uma estrutura mais organizada e competitiva, capaz de surpreender adversários teoricamente superiores, conquistaram a presença inédita nesta fase final na décima tentativa de qualificação, ficando no seu grupo somente atrás da invicta Coreia do Sul. Com apenas dois jogadores a atuar no futebol europeu, um deles é o grande destaque da seleção é Mousa Al-Tamari, jogador tecnicamente evoluído e com capacidade de desequilíbrio, que representa a principal ameaça ofensiva. A equipa caracteriza-se por um bloco defensivo compacto, disciplina tática e forte espírito coletivo, procurando compensar as evidentes limitações individuais através da organização. Sob o comando do tunisino Jamal Sellami, a seleção aposta numa abordagem pragmática, focada na solidez defensiva e na eficácia nas poucas oportunidades ofensivas. Embora parta claramente como outsider no grupo, chega sem qualquer pressão e com o objetivo de competir dignamente, tentando aproveitar a experiência para consolidar o crescimento do seu futebol no panorama internacional.
