Ana Paula Martins destacou ainda os “valores históricos” conseguidos em 2025 na atividade cirúrgica
O saldo do Serviço Nacional de Saúde fixou-se em -1.035 milhões de euros em 2025, uma melhoria de 533,9 milhões face ao período homólogo que resultou do crescimento de 10% da receita, anunciou a ministra da Saúde.
Na intervenção inicial da audição regimental que hoje decorre na comissão parlamentar de Saúde, a ministra, Ana Paula Martins, explicou que, com as dotações de capital realizadas (1.311,4 milhões de euros), o saldo global foi de 276,3 milhões de euros.
Quanto à dívida total a fornecedores externos do SNS, o valor atingiu 1.510,3 milhões de euros, um aumento de 148,1 milhões de euros face ao período homólogo, correspondente a 10,9%.
A ministra sublinhou ainda a redução dessa dívida, em janeiro deste ano, de 916,9 milhões de euros (menos 37,8%) face a dezembro de 2025, considerando que esta situação mostra um “esforço claro de regularização de pagamentos”.
Ana Paula Martins destacou ainda os “valores históricos” conseguidos em 2025 na atividade cirúrgica, assim como a redução do total de episódios de urgência, considerando que estes números são reflexo das medidas de reorganização do acesso dos utentes aos cuidados de saúde.
Primeiras urgências regionais abrem “dentro de pouco tempo”
A ministra da Saúde estimou que as primeiras urgências regionais de obstetrícia e ginecologia vão entrar em funcionamento “dentro de pouco tempo”, garantindo que essa foi uma solução trabalhada com os profissionais de saúde.
“As primeiras urgências externas de âmbito regional serão na área da obstetrícia e ginecologia e estarão a funcionar, dentro de pouco tempo, na Península de Setúbal, centralizadas no Hospital Garcia de Orta, e na Unidade Local de Saúde (ULS) de Vila Franca de Xira e na ULS Beatriz Ângelo”, adiantou Ana Paula Martins, na Comissão de Saúde.
Aos deputados, a ministra assegurou que processo que está a ser “diretamente trabalhado com os profissionais no terreno”, que foram chamados a participar nas soluções para dar resposta à procura dos serviços de urgência.
“Não estamos a impor modelos administrativos desligados da realidade clínica, mas sim respostas com quem conhece os serviços, as equipas e as necessidades das populações”, salientou Ana Paula Martins.
Nas respostas ao Chega, Ana Paula Martins adiantou que também deverá ser criada uma urgência regional na região Oeste, depois de concretizadas e avaliadas as duas primeiras.
“É nesta lógica de rede e de urgência regional que nós vamos continuar a trabalhar em 2026, agora que já temos o regime” legal promulgado pelo Presidente da República, afirmou a governante.
Segundo disse, o Serviço Nacional de Saúde garantiu 14,1 milhões de consultas em 2025, um crescimento de 2,2% face ao ano anterior, e 784.580 cirurgias, o valor mais elevado de sempre.
Na audição regimental que decorre hoje de manhã, Ana Paula Martins revelou ainda que houve um aumento de 1,3% nas cirurgias programadas face a 2024.
Reconheceu também um aumento do número de doentes em lista de inscritos para cirurgia, explicando-o com o facto de, apesar de terem sido realizadas mais cerca de 10.600 cirurgias, as novas inscrições terem aumentado em aproximadamente 13.668.
“Este dado não traduz menor capacidade de resposta, pelo contrário, reflete uma maior procura do sistema: mais consultas realizadas, mais diagnósticos efetuados e maior referenciação para cirurgia”, afirmou a governante, acrescentando que o valor traduz igualmente dois picos de gripe - um em janeiro de 2025, outro em dezembro de 2025 -, que comprometeram a atividade programada.