Durante um encontro entre ambos - público e filmado -, a presidente da Câmara de Coimbra acusou o ministro José Manuel Fernandes de preferir falar primeiro com os jornalistas do que com os autarcas que tiveram de lidar com a crise das tempestades. Acabaram por se desentender e ficou tudo gravado. Dias depois, e em entrevista a Cristina Ferreira, Ana Abrunhosa invoca as "emoções" para justificar o que se passou - e diz que o assunto ficou resolvido: "É isso que me permite dormir bem"
A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, rejeita que a interpelação pública ao ministro da Agricultura tenha consequências políticas ou pessoais. Em entrevista ao "Dois às Dez", na TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), a autarca explica que agiu com base na perceção que tinha no momento e admite que as "emoções" possam ter falado mais alto.
Ana Abrunhosa diz que chegou atrasada ao encontro por ter estado toda a manhã no mercado municipal de Coimbra, encerrado devido a um deslizamento de terras, e que o atraso foi comunicado ao gabinete do ministro. Ao chegar, percebeu que não tinha existido uma reunião formal com autarcas e agricultores antes da conferência de imprensa, o que conduziu ao desentendimento filmado pelas televisões.
"Eu tive uma perceção de uma situação que depois percebi que não seria assim. Cheguei atrasada não por prazer, mas avisámos o chefe de gabinete do senhor ministro. E o chefe de gabinete do senhor ministro disse 'mas o senhor ministro já está a conversar com os jornalistas'. Ora... Não há conversa com os jornalistas, há uma conferência de imprensa e, quando eu cheguei, perguntei aos autarcas que lá estavam 'mas o senhor ministro já reuniu convosco?', perguntei aos agricultores, 'ah, falou um bocadinho', então eu pensei 'mas vem cá fazer o quê?'"
A autarca, que foi ministra de António Costa, reconhece que a situação acabou por se resolver e admite que possa ter exagerado na forma como reagiu. "A verdade é que tudo se resolveu, tudo se resolveu, eu posso ter exagerado e admito que sim nas emoções. O senhor ministro está preocupado, depois conversou com tempo com os autarcas e com os agricultores e quero dizer que, neste momento, mais do que a novela é que tenho a certeza de que o senhor ministro está sensível ao problema, sabe como resolver o problema - como poucos. Foi um eurodeputado, um dos nossos melhores eurodeputados, sabe que meios pode canalizar para o território."
Ana Abrunhosa garante não guardar ressentimentos e afirma que o episódio ficou ultrapassado após uma conversa direta. "Abraçámo-nos, colocámos uma pedra sobre o assunto e eu sou assim. É isso que me permite dormir bem."
A autarca sublinha que a sua intervenção teve como único objetivo defender os agricultores da região de Coimbra, confrontados com dificuldades graves e prolongadas. "Eu estava a defender os agricultores de Coimbra e da região. E, portanto, o senhor ministro ficou, conversou com calma conosco e vamos ter sessões de esclarecimento, até porque - é preciso dizê-lo - até àquele momento ninguém da agricultura tinha ido ao terreno. E o senhor ministro pode ter chegado a horas, mas chegou com uma semana de atraso. E por isso, nesse caso, eu tinha ali algo a dizer, que lhe ia dizer, se tivéssemos tido a oportunidade de fazer uma reunião."
Para a autarca, a prioridade é garantir que os responsáveis políticos ouvem o terreno e adotam medidas ajustadas à realidade vivida pelos agricultores. "A ministra do Ambiente, sempre que vai reúne-se connosco com tempo e depois, quando falamos à comunicação social, estamos completamente articulados, fala à comunicação social depois de nos ouvir. Mas volto a dizer: considero muito o senhor ministro, considero que deveria ter havido uma reunião previamente para nos ouvir, até para saber o que comunicar. A reunião houve depois, foi na inversão. Portanto, a minha atitude foi para dizer 'nós temos de ser ouvidos, as medidas têm de ser adequadas, nós estamos com agricultores que não se vão poder reerguer nos próximos tempos e são situações muito, muito graves'."