Como os adultos podem fazer novas amizades hoje em dia

CNN , Christine Koh
3 abr, 15:00
(A partir da esquerda) Ivy Vann convida os seus amigos apreciadores de Dungeons & Dragon Liam Costello, Alyssa LeBlanc e Steve Brouillette para um jogo em Peterborough, New Hampshire.

Christine Koh é uma ex-cientista de música e do cérebro que se tornou escritora, podcaster e diretora criativa. Pode encontrar o seu trabalho em christinekoh.com e no Instagram, Twitter e Facebook em @drchristinekoh

O meu marido disse-me recentemente: fazer novas amizades é importante para a saúde mental. Ele é psicólogo e partilhou comigo este conselho enquanto ouvia um podcast sobre como lidar com o stress pandémico e a instabilidade.

Inicialmente hesitei, porque sinto-me demasiado sobrecarregada pela vida para conseguir aproximar-me de novas pessoas, como costumava fazer na escola secundária e na faculdade. Mas apercebi-me que, de facto, tenho estado a fazer amigos. Durante os últimos dois anos, comuniquei e partilhei os meus momentos mais difíceis com uma dúzia de outros escritores, dos quais apenas conheci dois pessoalmente.

Bem-vindo às amizades pandémicas.

O meu grupo de escritores reúne-se regularmente. Primeiramente, reuniamo-nos por razões profissionais, mas, com o passar do tempo, a nossa amizade cresceu e tornou-se um grupo onde nos apoiamos mutuamente através da celebração e da perda.

Chorei bastante quando o grupo me enviou flores e uma caixa enorme de biscoitos durante um período devastador. De que modo tinha eu passado a confiar profundamente em pessoas através de ecrãs? Como é que elas me podiam ver tão claramente?

E como é que outros estão a conseguir fazer amizades durante este tempo de isolamento? Fiz um apelo às redes sociais, e aqui estão oito coisas que aprendi. Muitas delas são aplicáveis independentemente da sua idade.

O exercício físico é importante

A vontade de se movimentar, de estar no exterior e de experimentar coisas diferentes pode criar as condições perfeitas para novas relações.

A Abil Noble, proveniențe de Indianapolis, aprendeu a jogar pickleball no verão passado nas férias com amigos. Gostou tanto da atividade que, no mês seguinte, encontrou aulas ao ar livre através do programa de atividades da sua cidade. Por conseguinte, inscreveu-se e fez novos amigos.

O tradicional placar publicitário foi o que levou Andrea Hendry, de Seattle, a fazer novas amizades através de aulas de fitness para mães. “Vi o sinal à porta do estúdio quando fui levar os meus filhos à escola”, disse Hendry. “Decidi dar uma vista de olhos porque as aulas eram todas ao ar livre e virtuais”.

Aproveite os seus amigos de quatro patas

Por vezes pode ser benéfico deixar o seu patudo liderar o caminho.

Ran Courant-Morgan, de Boston, liga-se a outros amantes de cães nas redes sociais e tem feito inúmeras caminhadas com novos amigos humanos e caninos durante a pandemia. “Ter cães jovens e enérgicos significa que temos de ir à rua muitas vezes”, partilhou Courant-Morgan.

Ran Courant-Morgan, de Boston, faz caminhadas com novos amigos, graças às relações feitas nas redes sociais com outros amantes de cães

Experimente hobbies mais criativos

Os grupos de criatividade podem ser uma fonte de crescimento e de novas relações.

Ann Willis de Olympia, Washington, juntou-se a um grupo recreativo de design de roupas no Facebook. “Nós partilhamos ideias e encontramos inspiração e confiança para melhorar a nossa capacidade de costura”, disse Willis. Ter participado nesta comunidade criativa levou-a a entrar em duas exposições de arte.

Os jogos não são só para crianças

As crianças não são as únicas a encontrar comunidades através de jogos.

Depois de aproveitar uma oportunidade online para aprender a jogar Dungeons & Dragons, Ivy Vann de Peterborough, New Hampshire, fez novos amigos e ela própria criou um espaço social. “Dado que temos uma grande mesa de jantar e não temos filhos a viver em casa, eu e o meu marido costumamos organizar os jogos”, contou Vann. “Tornei-me, aos 65 anos, a mais velha novata de Dungeons & Dragons do mundo”.

Susan Bingham de Waltham, Massachusetts, também se juntou aos amantes de Dungeons & Dragons online e conheceu duas famílias que agora considera próximas. “Jogamos pelo Zoom todas as semanas, falamos pelo Facebook quase todos os dias e, quando o Covid permitiu, visitamo-nos uns aos outros, apesar de vivermos a três horas de distância”, disse Bingham. “Não consigo imaginar os últimos dois anos sem eles”. 

O seu próximo amigo pode viver na porta ao lado

Muitas pessoas partilharam histórias sobre as amizades que fizeram no seu bairro.

Curioso por conhecer um pouco mais sobre a abordagem de segunda mão aos produtos consumíveis durante a pandemia, Jen Cole de Gaithersburg, Maryland, juntou-se ao grupo ‘Buy Nothing’ no Facebook e encontrou uma comunidade de vizinhos com espírito solidário. Para além das reuniões de convívio, o grupo forneceu meses de alimentos a um membro com cancro terminal e recolheu donativos para organizações de apoio a refugiados, pessoas sem abrigo e crianças em famílias de acolhimento.

Aquilo que começou como mensagens rápidas e idas ao supermercado em conjunto com vizinhos, evoluiu para algo mais para Jean Hsu de Berkeley, California. Hsu começou a partilhar os seus cozinhados com dois vizinhos da sua rua e um primo, que vive a alguns quarteirões de distância. Com o tempo, presentes regulares de iogurte caseiro e gelado, fruta fresca e pratos de massa começaram a circular entre eles. “Sinto que a minha comunidade local se tornou muito mais forte”, disse Hsu.

Apoio compartilhado entre pais

Durante a pandemia, foram criadas novas amizades a partir do stress parental compartilhado entre pais.

Sarah Ahearn Bellemare de Northampton, Massachusetts, tornou-se amiga de uma nova vizinha que provavelmente nunca teria conhecido antes devido às diferenças de idade entre os seus filhos. Quando o confinamento começou, ambas aperceberam-se de que os seus filhos podiam facilmente brincar juntos na rua e, pouco tempo depois, seguiram-se as caminhadas entre famílias. Fez também outra amiga devido às frustrações causadas pelo ensino à distância. “Enviar-lhe mensagens sobre o que estava a acontecer durante as aulas no Zoom ajudou-me bastante.”

Além de fazer novos amigos através de passeios pela vizinhança com o seu cão e bebé, Elizabeth Belcher de Las Vegas fez amigos imprescindíveis online através de uma comunidade de fertilização in vitro. “Sendo um casal de lésbicas a fazer FIV recíproca, partilhei a nossa história desde o começo, e ser vulnerável ajudou outros a ligarem-se a nós”, disse ela.

Por sua vez, Stephanie Romanson de Winnipeg, Manitoba, encontrou solidariedade online e no parque. “Tornei-me mãe pela primeira vez em junho de 2020 e liguei-me a outras mães que se debatiam com o isolamento e sobre a falta que nos fazia as celebrações dos nossos filhos, tal como o chá de bebé, aniversários e visitas nos hospitais”, disse ela.

Experimente grupos e comunidades já estabelecidas

Comunidades com grupos já estabelecidos podem levá-lo à sua próxima amizade.

Depois de se ter mudado durante a pandemia para estar com o seu noivo, Leah Dawdy de Spokane, Washington, sentiu dificuldade em criar novas. Com o incentivo de uma amiga, Leah encontrou novas amizades atrás da aplicação Bumble BFF. “Tem sido bom ter os meus próprios amigos”, observou ela, “e não ter de depender do meu noivo para ter um círculo social”.

A adesão à The Lola, uma comunidade feminina de entreajuda, tem sido fundamental para Amy Stone, proveniente de Atlanta. O grupo tornou-se virtual durante a pandemia e está agora em parte de volta presencialmente. Tem havido muitas oportunidades para interesses compartilhados como, por exemplo, o clube de leitura, aulas de autodefesa e dicas sobre desenvolvimento profissional”, disse ela.

Colegas de trabalho podem tornar-se em novos amigos

O trabalho à distância tornou a linha entre o trabalho e casa menos clara, e muitas relações têm seguido o mesmo caminho.

A minha colega Heather Whaling de Columbus, Ohio, encontrou novas amizades num grupo de WhatsApp criado à parte de outro grupo profissional de networking. “Não conhecia nenhum deles antes da pandemia, e agora estamos constantemente a conversar sobre coisas difíceis, relações, espectáculos, animais de estimação, vida, etc.”, contou ela. “É maravilhoso e ajudou-me a criar novas ligações quando eu mais precisava”.

Uma breve apresentação virtual de trabalho levou Sarah Adkins, de Cincinnati, a conhecer uma amiga para a vida. “Começámos a trocar mensagens sobre o nosso trabalho até que acabámos por falar sobre coisas mais pessoais”. Passaram 14 meses até as amigas se encontrarem pessoalmente e agora passam tempo juntas regularmente.

Floresceram também amizades no meio do caos das linhas de frente da pandemia. A trabalhadora de saúde pública Heather Harvey de Hamilton, Ontário, descobriu que ela e muitos dos seus colegas estavam destacados em diferentes cargos quando a pandemia começou.

“Trabalhei com algumas pessoas que já conhecia e outras que não. Criámos rapidamente laços devido às circunstâncias comuns em que estávamos, partilhando risos via mensagens instantâneas, chamadas telefónicas e vídeo chamadas”, contou-nos Harvey. “A única coisa que me ajudou a superar alguns dias mais complicados foi o apoio destes colegas que se tornaram grandes amigos.”

Sair da sua zona de conforto e construir novas relações pode parecer difícil, mas se aprendemos alguma coisa nos últimos dois anos, é que somos capazes de ultrapassar situações que nos parecem complicadas ao início. Fazer um novo amigo pode ser a melhor coisa difícil que fará este ano.

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