Portugal tem de reduzir (e muito) o consumo diário de água. APA admite racionamento no próximo ano

8 jul, 18:00
Água (Pexels)

Governo garantiu que há água para consumo humano garantida para os próximos dois anos, mas, afinal, o pior cenário possível poderá trazer restrições já em 2023

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) admite que, no próximo ano, pode ser necessário racionar água em algumas regiões do país, caso não chova o suficiente e os portugueses não reduzam o consumo.

O Governo garantiu esta semana que o país tem água para consumo humano nos próximos dois anos. No entanto, se o consumo doméstico não diminuir e o próximo inverno não for suficientemente húmido, a APA alerta que podem vir a ser implementadas "algumas restrições". 

Numa resposta enviada à CNN Portugal, e citando dados da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), a APA explicou que, atualmente, o consumo urbano por habitante é de 189 litros por dia, quando deveria ser, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 110 litros por dia. 

Por isso, em determinadas regiões do país, "onde não existe a possibilidade de regularização interanual das origens de água", se o próximo ano não for húmido, "poderá ter de haver algumas restrições". 

"Os consumos urbanos devem ser reduzidos e eficientes para que efetivamente os recursos hídricos disponíveis sejam utilizados da melhor forma."

A CNN Portugal questionou a APA sobre que tipo de medidas poderiam vir a ser implementadas e em que zonas do país, mas até à publicação deste artigo não foi obtida resposta. 

Mais de um quarto do território do continente estava no final de junho em seca extrema (28,4%), verificando-se um aumento em particular na região Sul e em alguns locais do interior Norte e Centro, segundo o Instituo Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). O restante território estava em seca severa (67,9%) e seca moderada (3,7%).

No último dia do mês de maio, 97,1% do território estava em seca severa, 1,5 em seca moderada e 1,4 em seca extrema.

Numa comparação com outros anos de seca, disponibilizada no boletim climatológico, verifica-se que no final do mês de junho dos anos de 2012 e de 2005 havia 56% e 64% de seca extrema, respetivamente.

Os valores médios da temperatura média, da máxima e da mínima foram em junho superiores ao normal.

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