Uma em cada seis mortes no mundo é causada pela poluição

CNN , Jessie Yeung, Rhea Mogul
20 mai, 08:44
Pedestres caminhando através do denso nevoeiro em Calcutá, Índia, 15 de dezembro, 2021.

As mortes causadas pela poluição atmosférica e pela poluição química tóxica aumentaram 66% nas últimas duas décadas

Um novo estudo revelou que a poluição causou uma em cada seis mortes a nível mundial em 2019 - mais do que os números anuais globais de guerra, malária, HIV, tuberculose, drogas ou álcool.

Esta investigação, publicada terça-feira pela Lancet Committee sobre poluição e saúde, revelou que a poluição mata 9 milhões de pessoas todos os anos - quase três quartos das mesmas devido à qualidade nociva do ar.

Segundo o estudo, as mortes causadas pela poluição atmosférica e pela poluição química tóxica aumentaram 66% nas últimas duas décadas, impulsionadas por uma urbanização descontrolada, crescimento populacional e dependência de combustíveis fósseis.

"Os impactos da poluição na saúde continuam a ser elevados, e os países de baixos e médios rendimentos são os que suportam este peso", afirmou Richard Fuller, o principal autor do estudo. "Apesar dos seus elevados impactos sociais, económicos e na saúde, a prevenção da poluição é muito negligenciada na agenda internacional de desenvolvimento."

Um homem junto a uma proteção de vidro numa varanda num dia poluído em Pequim, a 5 de novembro de 2021.

Depois da poluição atmosférica, a poluição da água foi considerada a segundo ameaça mais fatal, causando 1,36 milhões de mortes precoces em 2019. A seguir, a poluição por chumbo, seguida de "riscos profissionais tóxicos."

A investigação tem como ponto de partida um relatório de 2015 desta mesma comissão, baseado em dados do Global Burden of Disease Study, um esforço de colaboração internacional com base no Institute for Health Metrics and Evaluation.

Nos quatro anos que se seguiram, o impacto mortal da poluição no mundo não melhorou - tornando-a o maior fator de risco ambiental para doenças e mortes precoces, revelou o estudo. Acrescentou ainda que a "ausência de uma política química nacional ou internacional adequada" exacerbou estas mortes.

Mais de 90% das mortes ocorreram em países de baixo e médio rendimento incapazes de tornar a poluição numa das suas prioridades, países como a Índia e a Nigéria, de acordo com a investigação. Já os países de rendimento elevado conseguiram controlar as "piores formas de poluição", segundo a investigação.

"É evidente que a poluição é uma ameaça ao planeta, e que os seus propulsores, a sua dispersão e os impactos na saúde transcendem as fronteiras locais e exigem uma resposta global", afirmou Rachael Kupka, coautora e diretora executiva da Aliança Global sobre Saúde e Poluição.

"É necessária uma ação global sobre todos os principais poluentes dos dias de hoje."

Poluição atmosférica em Calcutá a 4 de dezembro de 2021.

A Índia está no topo da lista

De acordo com o estudo, a Índia registou o maior número de mortes relacionadas com a poluição atmosférica em 2019, com mais de 1,6 milhões de pessoas mortas num país com 1,3 mil milhões.

Os níveis de poluição em quase toda a Índia estão muito acima das diretrizes da Organização Mundial de Saúde, revelou a pesquisa, forçando milhões de pessoas a respirar ar tóxico todos os dias.

No ano passado, soube-se que seis das 10 cidades mais poluídas do mundo fazem parte da Índia, de acordo com a rede de monitorização IQAir. O ar com má qualidade pode estar a reduzir a esperança de vida de centenas de milhões de indianos até menos nove anos, de acordo com uma recente investigação do Instituto de Política Energética da Universidade de Chicago.

Em 2019, o governo indiano anunciou uma campanha nacional de ar limpo, com o objetivo de reduzir a poluição por partículas até 30% até 2024. Foram criados planos específicos para cada cidade; na capital, Deli, esses planos incluíam medidas para reduzir o tráfego rodoviário, queimadas e pó de estrada, e encorajavam a utilização de combustíveis mais ecológicos.

Uma espessa camada de espuma tóxica flutua no rio Yamuna a 24 de janeiro de 2022 em Nova Deli, Índia.

Mas, nos últimos anos, o problema da poluição na Índia agravou-se, em parte devido à dependência do país dos combustíveis fósseis - e em particular, do carvão. Na COP26, a cimeira climática do ano passado em Glasgow, a Índia esteve entre um grupo de países que pressionou para uma alteração de última hora ao acordo no sentido de "reduzir gradualmente" o carvão em vez de o "eliminar gradualmente."

Por sua vez, a África assistiu a um declínio nas mortes causadas pela habitual poluição, tais como a água não potável ou fracas práticas sanitárias, revelou a investigação - em grande parte devido a melhorias no saneamento, à melhoria da qualidade da água e a antibióticos. No entanto, o número de mortes por poluição atmosférica está a começar a aumentar, com o crescimento económico a provocar uma maior urbanização em muitos países africanos.

O Lancet Committee apelou à ação com oito recomendações, incluindo o aumento do financiamento governamental para o controlo da poluição, uma maior recolha de dados sobre a poluição, e um organismo global independente que supervisione a poluição à semelhança do que acontece no Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas.

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