Portugal está mais perto do top 10 dos países com melhor nota climática

19 nov, 20:00
Zero defende mais investimento em ambiente

Portugal melhorou a prestação dentro de um ranking que engloba 59 países. No entanto, fica abaixo de países produtores de petróleo, gás e carvão

Portugal melhorou a posição no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas. Ficou, na tabela referente a 2023, no 14.º lugar, entre 59 países, acima do 16.º conseguido no ano anterior.

Portugal melhorou nas emissões de gases poluentes, que agora são avaliadas como estando num nível médio, permitindo a esta categoria escalar 16 lugares face ao ano anterior. A classificação do país também é média nos restantes três critérios que são avaliados: uso de energia, energias renováveis e política climática.

O cessar do uso de carvão para a produção de energia elétrica em 2021 foi uma “grande melhoria”. No que diz respeito à política climática, apesar do reforço da Lei do Clima, esta “carece de ambição nalguns aspetos”, por exemplo, o estar previsto que os subsídios aos combustíveis fósseis só terminem em 2030. É também apontado que as emissões relacionadas com transportes continuam a aumentar, apesar dos investimentos previstos nos transportes públicos. É ainda criticada a falta de apoio para expandir a agricultura sustentável ou para prevenir fogos florestais.

Nas energias renováveis a classificação é “alta” mas “é necessária mais energia solar descentralizada”, lê-se no relatório. São necessárias também iniciativas para descarbonizar o setor elétrico e promover a eficiência energética. Estas avaliações são da autoria de Francisco Ferreira e Pedro Nunes da Zero, e Laura Carvalho, da Quercus, que colaboram na elaboração do Índice.

Ninguém merece o pódio

Este índice tem uma peculiaridade: os primeiros três lugares, os únicos a que corresponde um desempenho “muito alto”, estão vazios. Isto porque estão reservados para países cujo desempenho esteja alinhado com o objetivo de manter o aquecimento global abaixo dos 1,5ºC, e nenhum dos países avaliados se encaixa neste critério. O país com melhor classificação, a Dinamarca, aparece em quarto lugar, na mesma categoria de Portugal, ou seja, ambos têm um desempenho “alto”.

Tanto a Dinamarca como a Suécia mantêm-se nos lugares mais elevados, que já ocupavam no ano anterior. A Dinamarca está comprometida com uma redução de 70% nas emissões poluentes até 2030, em comparação com os níveis de 1990, e destaca-se pelo desempenho em termos de emissões, energias renováveis e política climática, embora no que toca ao uso de energia se fique pelo 26.º lugar. O país nórdico é aplaudido por ter introduzido uma nova taxa sobre o carbono em junho de 2022, mas criticado por apostar “demasiado” na captura de carbono, indica o relatório.

Logo a seguir, a Suécia, também tem alta classificação na categoria de emissões poluentes e na energia renovável, mas a política climática já só recebe a nota média e o uso de energia fica-se pelo nível “muito baixo”.

Grandes produtores fósseis saem bem classificados

No patamar de “alto” desempenho, figuram, ainda, três países que são, simultaneamente, do grupo dos maiores produtores de petróleo, gás e carvão. São eles a Índia, Noruega e Reino Unido, que ficam em oitavo, décimo e 11.º lugares, respetivamente. Todos à frente de Portugal

A Índia “beneficia de níveis de emissões e de utilização de energia per capita muito baixos, e também tem apostado nas energias renováveis”, justifica a Zero. O país obtém nota “média” na política climática, apesar de estar a planear aumentar a produção de combustíveis fósseis até 2030.

No relatório, evidencia-se que a Noruega tem um desempenho “muito alto” em energias renováveis, que representa mais de 50% da produção energética do país. As emissões poluentes e a política climática merecem nota “média”. Há uma taxa de carbono “muito elevada” para vários setores e apoio à aquisição de carros elétricos. Mas não existem ainda planos para o cessar da extração de petróleo e gás, aliás, o plano é aumentar a produção de gás em 5% até 2030.

Por fim, o Reino Unido consegue uma elevada classificação no que diz respeito às emissões e ao uso de energia, seguidos de nota “média” nas energias renováveis. O plano é duplicar o uso de energia renovável em 15 anos e terminar a venda de veículos a diesel até 2030. Mas também não tem planos para terminar a extração de combustíveis fósseis e continua a subsidiá-los.

China e Estados Unidos reúnem-se no final da tabela

Entre os piores desempenhos está a China, que desceu mesmo 13 posições. Está em 51.º lugar, ainda assim acima dos Estados Unidos, que ocupam o 53.º. A China “mostrou um forte desenvolvimento nas energias renováveis, mas investiu em centrais a carvão” e planeia aumentar a produção de gás e carvão em comparação com 2019, em 5%, até 2030. “Devido a novos investimentos em centrais elétricas a carvão, a China registou a maior descida de todas no ranking”, evidencia a Zero, em comunicado.

Os Estados Unidos estão no nível “muito baixo” em quase todos os critérios: emissões, renováveis e uso de energia. Apenas a política climática merece um “médio” no relatório, e suporta a subida do país na tabela.

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