Corpos de jornalista britânico e especialista em cultura indígena terão sido encontrados na Amazónia

13 jun, 14:26
Jornalista britânico e indígena brasileiro desaparecem na Amazónia (Getty Images)

A família de Dom Phillips disse ter sido contactada pelo embaixador brasileiro no Reino Unido

Cerca de uma semana após o desaparecimento de um jornalista britânico e de um funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai), as autoridades encontraram dois corpos que acreditam ser dos dois homens desaparecidos na Amazónia.

A notícia está a ser avançada pelo jornal The Guardian, que cita Paul Sherwood, cunhado do jornalista desaparecido, Dom Phillips, que trabalhava para aquele jornal. De acordo com Sherwood, o embaixador brasileiro no Reino Unido contactou a família na manhã desta segunda-feira para dar a notícia de que "foram encontrados dois corpos".

“Ele [o embaixador] não descreveu o local, apenas disse que era na floresta tropical e que eles estavam amarrados a uma árvore, mas ainda não tinham sido identificados", disse o cunhado do jornalista desaparecido.

O embaixador brasileiro no Reino Unido assegurou que, assim que conseguissem identificar os corpos, a família seria informada, acrescentou Sherwood.

Citada pela Globo, a mulher do jornalista britânico, Alessandra Sampaio, avançou, também nesta segunda-feira, que os corpos do marido e do investigador que o acompanhava foram encontrados.

Entretanto, um porta-voz da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) disse que não foram encontrados quaisquer corpos pelas equipas de socorro na floresta da Amazónia.

"Eu falei com a equipa no terreno e isso não é verdade", disse Eliesio Marubo, contrariando assim as notícias que foram avançadas pela imprensa internacional. Marubo,advogado da Unijava, que organizou as operações de busca por Dom Phillips e o investigador Bruno Pereira, acrescentou que "as operações de busca continuam".

No sábado passado, a polícia disse ter encontrado objetos pertencentes aos dois homens, nomeadamente umas calças, um par de botas, um cartão de saúde, que serão do funcionário da fundação Funai, e uma mochila cheia de roupas e um par de botas, pertencentes a Phillips.

Dom Philips, jornalista que colaborava para o "The Guardian", "Washington Post", "New York Times" e "Financial Times", e Bruno Araújo Pereira, funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai), estavam em Vale do Javari e desapareceram a 5 de junho no trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte, uma viagem que em condições normais demora cerca de duas horas. O objetivo, segundo a Univaja, era entrevistar indígenas numa localidade chamada Lago do Jaburu.

Os dois estavam a viajar numa embarcação nova, com 70 litros de gasolina, o que era suficiente para a travessia que tinham de fazer. Mas nenhum dos dois chegou ao destino final. A última vez que foram avistados foi na Comunidade São Gabriel, abaixo de São Rafael. 

O Vale do Javari é uma extensa região de rios e selva no coração da Amazónia, na fronteira com o Peru, e abriga o maior número de indígenas isolados do mundo. A área está ameaçada pela pesca e mineração ilegal e nos últimos anos tornou-se uma rota de tráfico de drogas.

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