E tudo Marezi mudou
Sejamos honestos: não foi um bom espetáculo. Tanto Alverca como Nacional já foram capazes de mostrar mais este ano. Hoje, provavelmente pela importância de se saber que estavam a enfrentar um rival direto na luta pela manutenção, não foi um desses dias.
Aliás, o nulo parecia ser o mais certo – e justo. Foi com ele que se entrou nos últimos minutos; foi ele que Marezi, entrado a meio da segunda parte, conseguiu desfazer, já perto do minuto 90. No final de contas, o Alverca ganhou, sorriu e deu um salto importante na classificação.
As equipas até vinham com um ligeiro alento. O Alverca tinha vencido no terreno do Casa Pia (0-2) na última jornada; o Nacional perdeu frente ao Benfica, mas deu muito trabalho aos encarnados que só marcaram o golo da vitória já no período de descontos.
Adiante: não houve grandes alterações no 11 inicial das duas equipas. Uma no lado do Alverca (saída de Sergi Gomez para entrada de Martinez), duas no Nacional (saídas de José Gomes e Baeza para entradas de Vallier e Labidi).
Poucos minutos tinham passado desde o apito inicial quando o Alverca teve uma oportunidade soberana para marcar. A melhor da primeira parte.
Nabil teve uma boa incursão pela direita – claramente, um dos bons valores deste plantel do Alverca – cruzou para área e Matheus Dias foi muito imprudente. Braço esticado, penálti claro, Lincoln chamado a bater (6m).
O ex-Santa Clara e Fenerbahçe até é um especialista em bolas paradas, mas não ficará com boas memórias do penálti de hoje. A bola saiu longe, muito por cima da baliza e o nulo manteve-se.
O resto da primeira parte resume-se facilmente: houve muito equilíbrio, pouca inspiração e uma semi ameaça de golo de Paulinho Boia que, em boa posição, permitiu um corte da defesa do Alverca.
No segundo tempo era preciso mais. E, na verdade, até houve maior risco de parte a parte. O jogo deixou de estar tão amarrado, como se diz na gíria.
Não é que daí tenham resultado grandes chances, mas o espetáculo sempre se tornou mais agradável.
Ao minuto 56, Sandro Lima apareceu à entrada da área e rematou com força, obrigando Kaique a uma defesa apertada.
Na outra baliza, foi Chuchu Ramirez a colocar a bola em Witi que, com espaço, visou a baliza, mas a bola foi desviada por Julian Martínez e passou perto da barra (67m).
A entrada de Witi, de resto, veio agitar um pouco as águas a favor dos insulares: ao minuto 78, foi dele uma arrancada pela direita que só não terminou em golo porque André Gomes fez uma grande defesa a um remate à queima-roupa de Chuchu Ramírez.
Mas Custódio tinha, no banco, a chave do jogo. Marezi entrou perto do meio da segunda parte e logo mostrou vontade. Batalhou, tentou e conseguiu o que parecia difícil: desfazer o nulo.
A assistência, de resto, também veio do banco: Gui, após um canto, serviu Marezi que, na pequena área, rematou para o fundo das redes (88m).
Faltava tempo e inspiração para que o Nacional esboçasse sequer uma reação. Ela não aconteceu e o Alverca somou três preciosos pontos na luta pela manutenção.
Já o Nacional continua com 12 pontos, três acima da linha de água. Melhores dias virão, pensará Tiago Margarido por estes dias.
E Custódio, timoneiro de um Alverca que regressa este ano à I Liga, só tem motivos para sorrir.
A FIGURA: Marezi
Foi um daqueles jogos em que é fácil atribuir o prémio de figura da partida. Marezi entrou em campo para dar um pontapé – literalmente – na monotonia reinante. Decidiu o jogo com um golo ao minuto 88. Foi, de resto, um tento à ponta de lança: sagaz, soube aparecer na área no meio dos defesas. O jovem avançado sérvio, que marcou pelo segundo jogo consecutivo, vai fazendo o seu caminho neste Alverca.
O MOMENTO: Os felizes ochenta e ocho do Alverca
O minuto 88 ficou popularizado por aquela expressão de Jorge Jesus, após um Real Madrid-Sporting em que os leões sofreram um golo precisamente aos 88. Hoje, para o Alverca, ochenta e ocho é um número feliz: foi quando Marezi marcou e deu três pontos importantes para a equipa de Custódio.
NEGATIVO: O penálti de Lincoln
Certamente que Lincoln não se quererá recordar muitas vezes do penálti que foi chamado a converter hoje. Ele que até é um especialista em bolas paradas desperdiçou uma clara chance, com uma grande penalidade muito mal batida. O lance teve impacto porque, aquele que é um dos melhores do Alverca, passou completamente ao lado do jogo.