Covid-19: mais de 100 mil crianças e jovens infetados desde que recomeçaram as aulas

Agência Lusa , DCT
21 jan, 14:30

Professores e diretores admitem que é difícil ensinar com parte dos estudantes na escola e outros em casa

Desde que recomeçaram as aulas após as férias do Natal surgiram 106.553 novos casos de infeção entre crianças e jovens até aos 19 anos, segundo contas feitas pela Lusa com base nos dados divulgados entre 10 de janeiro e esta quinta-feira pela Direção-Geral da Saúde.

Em 10 dias, registaram-se 51.218 novos casos em crianças até aos nove anos e 55.335 novos casos de infeção em jovens entre os 10 e os 19 anos.

São milhares de alunos em isolamento por estarem infetados ou viverem com pessoas que testaram positivo ao SARS-CoV-2, que provoca a covid-19. Os casos sucedem-se, dificultando a tarefa de ensinar e de aprender.

Não está a ser nada fácil. É mesmo muito complicado. Em todas as escolas há turmas com alunos positivos ou isolados”, contou o presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE), Manuel Pereira, estimando que “mais de 5% dos alunos” estejam atualmente em casa.

Professores e diretores admitem que é difícil ensinar com parte dos estudantes na escola e outros em casa.

“Dar aulas desta forma é muito complicado, porque é normal que o professor de repente só se foque em quem tem à sua frente ou em quem está no ecrã do computador. Inconscientemente pode deixar alunos de `fora´”, contou à Lusa o líder do Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P), André Pestana.

Regras de confinamento nas escolas mudaram

As regras de confinamento nas escolas mudaram depois das férias de Natal: até ao final do ano passado, o aparecimento de um caso positivo obrigava ao isolamento de toda a turma, agora ficam em casa apenas os alunos infetados ou que vivam com pessoas que testaram positivo.

A ideia é corroborada pelo presidente da ANDE: “Antes, quando surgia um caso positivo, a turma ia toda para casa e os professores davam as aulas ‘online’. Agora temos alunos na sala e outros em casa e os professores não conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo”.

Manuel Pereira lembra ainda que há escolas sem condições técnicas para transmitir as aulas ‘online’ com a qualidade necessária, e mesmo quando as condições existem, nem sempre é possível transmitir tudo o que se passa numa sala de aula: “O professor não anda com uma câmara fixa à cabeça. Tanto está a escrever no quadro como a usar o manual”, disse.

Ao S.TO.P têm chegado “relatos de vários encarregados de educação que se queixam das escolas dos filhos”, contou à Lusa o líder do sindicato.

Há uma grande disparidade de situações. Há escolas que tentam manter os alunos ligados e outras, mesmo ao lado, onde não há nenhum tipo de ensino à distância. Temos denúncias de pais que dizem que a escola só garante o ensino presencial e, por isso, os alunos que estão em casa não conseguem acompanhar a matéria”, contou André Pestana.

Foi o caso de Mariana, aluna do 10.º ano de uma escola pública também em Lisboa. Antes do Natal, ficou em isolamento profilático, porque os pais testaram positivo, mas “nem sequer lhe foi dada a possibilidade de assistir às aulas ‘online’”, contou à Lusa a mãe da aluna.

“Avisámos a escola, mas nesse período nunca teve aulas síncronas. Nos primeiros dias, nem sequer recebemos qualquer tipo de informação da parte da escola sobre a matéria que estava a ser dada”, lamentou a mãe, que pediu anonimato.

Manuel Pereira, garante que, apesar de tudo, as escolas se esforçam para não deixar nenhum aluno para trás.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Publicas (ANDAEP), sublinha que apesar dos problemas, o atual modelo é o melhor para a saúde mental dos alunos.

Claro que há constrangimentos, mas estamos numa pandemia e estar na escola é sempre melhor para a saúde mental dos alunos. Em casa os alunos definham, enquanto na escola podemos cuidar deles e acompanhá-los. Mesmo que as aprendizagens estejam temporariamente limitadas, é muito importante cuidar da sua saúde mental dos nossos alunos”, defendeu Filinto Lima.

 

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