Ana Figueiredo, diretora executiva da Altice Portugal: O país precisa de maior flexibilidade laboral e de sindicatos "mais conscientes" dos desafios atuais do mercado de trabalho

20 jun, 17:20

CEO da Altice Portugal, Ana Figueiredo, considera que é tempo de o mercado de trabalho em geral, e os actores políticos e sindicais em particular, se adequarem à realidade do século XXI

"O modelo de trabalho está diferente", argumentou Ana Figueiredo, a primeira mulher a presidir a um operador de telecomunicações em Portugal, no painel "Uma estratégia política para crescer" da primeira CNN Portugal Summit. "A relação entre trabalhdor e empresário também se alterou. Temos na nossa sociedade colaboradores muito mais qualificados que necessitam de outro tipo de estímulos e incentvios e outra forma de qualificação e remuneração", explicou.

A empresária sublinhou que a Altice Portugal não compete apenas com as empresas portuguesas, mas com todo o mundo, com "as Googles e as Amazon", e por isso, considera tão importante investir na formação e na requalificação dos seus quadros.

Ana Figueiredo considera que o salário não é o único fator de atratividade para as empresas e enumera alguns fatores da economia portuguesa, que acaba por perder quando concorre contra outros mercados.

"Nós, como empresários, procuramos ter as melhores pessoas connosco", disse, acrescentando que uma maior "flexibilização" das regras laborais também pode atrair ou afastar investimento.

"Eu trabalhei noutros mercados bastante mais flexíveis. Em Portugal, é mais fácil executar colectivo do que executar o despedimento ou afastamento de um funcionário por falta de produtividade ou de desempenho. Há um conjunto de mecanismos que limitam as empresas do ponto de vista de contratação e até de restruturação."

Para além do mercado laboral, a empresária refere também a importância de existirem sindicatos que "possam ser conscientes das necessidades de evolução que as empresas têm, e das decisões que têm de tomar do pontos de vista da reorganização do trabalho".

"O trabalho hoje em dia em 2022 é muito diferente do que era em 1980", acrecentou."Eu acho que em algumas medidas ficaram para trás, o que também se vê na atratividade dos sindicatos para as suas fileiras".

Em que é que outros mercados ganham em relação a Portugal?

Questionada pelo jornalista da CNN Portugal, Anselmo Crespo, sobre a sua experiência na Altice - antes de presidir à Altice Portugal, Ana Figueiredo foi diretora executiva da Altice na República Dominicana -, a empresária referiu as vantagens fiscais que as empresas encontram fora do país e ainda a "previsibilidade regulatória".

"[Os países mais competitivos] ganham na componente fiscal, na componente de benefícios e apoios que os próprios estados dão, mas sobretudo na agilidade com que podemos fazer o negócio e na previsibilidade regulatória", enfatizou.

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