Alterações climáticas podem reduzir em seis meses esperança média de vida humana

Agência Lusa , PF
18 jan, 19:06
Calor em Portugal (Photo by Luis Boza/VIEWpress)

A temperatura e a precipitação - dois sinais reveladores das alterações climáticas - causam variadas preocupações de saúde pública, desde as diretas como as inundações ou ondas de calor, a indiretas, como as doenças respiratórias e mentais

As alterações climáticas podem reduzir em meio ano a esperança média da vida humana, afetando especialmente mulheres e habitantes de países mais pobres, segundo um estudo divulgado esta quinta-feira.

Publicado na revista cientifica “PLOS Climate”, o estudo indica que, isoladamente, um aumento da temperatura global de um grau celsius (ºC) está associado a uma diminuição da esperança média da vida humana de aproximadamente cinco meses e uma semana.

Tendo em conta a temperatura, mas também a precipitação, a esperança média de vida poderá diminuir em seis meses, segundo o autor do estudo, Amit Roy, investigador de instituições no Bangladesh e nos Estados Unidos.

A temperatura e a precipitação - dois sinais reveladores das alterações climáticas - causam variadas preocupações de saúde pública, desde as diretas como as inundações ou ondas de calor, a indiretas, como as doenças respiratórias e mentais.

Embora esses impactos sejam observáveis e bem documentados, a investigação existente não tinha estabelecido ainda uma ligação direta entre as alterações climáticas e a esperança de vida.

O autor avaliou os dados relativos à temperatura média, à precipitação e à esperança de vida de 191 países entre 1940 e 2020, utilizando o PIB ‘per capita’ para controlar as diferenças drásticas entre países, e criou um índice de alterações climáticas composto, o primeiro do género, que combina os impactos das duas variáveis, temperatura e precipitação, para avaliar a gravidade global das alterações climáticas.

Segundo Amit Roy a ameaça global que as alterações climáticas representam para o bem-estar de milhares de milhões de pessoas sublinha a necessidade urgente de as abordar como uma crise de saúde pública.

O autor sublinha que os esforços de mitigação para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, e as iniciativas proativas, são essenciais para salvaguardar a esperança de vida e proteger a saúde das populações de todo o mundo.

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