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"Vai piorar antes de eventualmente melhorar". Comissário europeu do Clima alerta para "tempos muito difíceis"

Agência Lusa , MFP
12 mai, 17:32
Wopke Hoekstra, comissário europeu da Ação Climática (Julia Demaree Nikhinson/AP)
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Wopke Hoekstra antecipa "custos muito grandes" a pagar pelas alterações climáticas e deixa apelo à Europa, para que avance com a produção de energia própria

O comissário europeu do Clima, Neutralidade Carbónica e Crescimento Limpo, Wopke Hoekstra, alertou esta terça-feira para os “tempos muito difíceis” que o mundo vive e avisou que a União Europeia (UE) tem de avançar para a produção energética própria.

O comissário falava numa audição parlamentar conjunta com as comissões de Assuntos Europeus e de Ambiente e Energia, na qual começou por dizer que o mundo está cada vez mais complicado e sem perspetivas de melhoria, apontando a situação geopolítica e guerras como a da Ucrânia ou do Irão.

A tudo isso juntam-se as alterações climáticas, lembrou.

“Não podemos ter ilusões quanto ao clima. Vai piorar antes de eventualmente melhorar”, referiu, apontando os impactos das alterações climáticas recentes em Portugal e afiançando que os eventos extremos se vão repetir e com mais intensidade.

Um aumento de 1,5ºC em relação à época pré-industrial “vai ter custos muito grandes”, pelo que é preciso garantir medidas para minimizar os problemas e para a adaptação, disse.

Wopke Hoekstra disse que é preciso avançar cada vez mais na produção de energia na UE, através de recursos naturais (eólica, solar e “eventualmente mais energia nuclear para os países que a têm”) acabando com a dependência de recursos fósseis.

Respondendo a perguntas dos deputados, o comissário enfatizou depois a necessidade de a UE ser menos dependente da China, na produção de baterias, mas também noutros domínios, e referiu-se a subsídios estatais (dados pela China por exemplo) para dizer que a competitividade é importante “desde que as condições sejam as mesmas”.

Sobre a produção de energias verdes, Wopke Hoekstra referiu a liderança da Península Ibérica e dos países escandinavos e apontou a necessidade de se imprimir na produção de baterias a mesma velocidade que aconteceu na produção de energia solar.

E sobre as interdependências energéticas, defendeu também mais colaboração, recordando que a UE nasceu exatamente da colaboração na área do carvão e do aço.

O comissário europeu termina esta terça-feira a visita de dois dias a Portugal.

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