Mais de mil milhões passaram a viver em calor extremo em comparação a 1970

22 jun, 21:52
Calor em Portugal (LUSA)
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Um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change concluiu que a quantidade de indivíduos que experienciam altas temperaturas aumentou consideravelmente nas últimas décadas

Ondas de calor já não são novidade na Europa. Atualmente, o continente vive mais um momento de altas temperaturas que ultrapassam os 40ºC em diversas zonas. Isso, contudo, não é exclusivo dos europeus, e desde 1970 o número de pessoas que passou a experienciar momentos de calor extremo cresceu consideravelmente.

Pelo menos essa é a conclusão de um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change. Segundo a investigação, a quantidade de pessoas no mundo que vive no mínimo um dia por ano de calor extremo aumentou de 16% para 22% - em números absolutos, isso significa um crescimento de mais de mil milhões de indivíduos. 

Este valor é influenciado por diferentes fatores. O mais importante é o crescimento populacional - que aumentou de aproximadamente 3,7 mil milhões de pessoas em 1970 para mais de 8 mil milhões em 2024. Outra situação relevante é o processo aquecimento global. 

No entanto, em casos de exposição mais duradoura - como de 30 ou 90 dias - a influência das mudanças climáticas é tão importante quanto a do crescimento populacional. Em 1970, pouco mais da metade (55%) da população mundial vivia em regiões em que estavam sujeitas a um calor forte durante três meses do ano. Em 2024, porém, este número aumentou para 70%. 

O estudo entende que há uma intensificação multidimensional, ou seja, a temperatura durante o dia aumenta, assim como os números noturnos. Além disso, as noites estão a aquecer mais rapidamente.

“O calor noturno é importante para a saúde humana porque as pessoas dependem de noites mais frescas para ter alívio e se recuperar do calor do dia", afirma Rebecca Emerton, investigadora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, ao g1.

O estudo analisou dados entre 1950 e 2024, comparando os últimos dez anos (2015-2024) com a década de 1970, ponto a partir do qual os indicadores passaram a aumentar constantemente. Na pesquisa, foi utilizado um critério chamado Índice Climático Térmico Universal, que considera temperatura, humidade, vento e radiação solar.

Deste modo, foi possível identificar que, no período analisado, as dez noites mais quentes a nível global tiveram um aumento de 0,32 °C por década, valor superior ao registado nos dez dias mais quentes (0,27 °C). Um dos motivos apontados por Emerton é que durante as noites, quando a superfície tende a esfriar, a atmosfera retém mais calor devido à concentração de gases de efeito de estufa. No entanto, mais humidade e mudanças na cobertura das nuvens também podem influenciar estas alterações.

Portugal entre locais com maior aumento de temperatura

Segundo mapas presentes no Estudo, Portugal está entre as regiões mais afetadas pelo aumento das temperaturas. Parte do território nacional registou máximas 4º ou 5 ºC acima das vividas em 1970. Isso também ocorreu em outras partes da Europa, como Espanha e França. 

A temperatura mais alta já registada em Portugal ocorreu em 2003 em Amareleja. Na época, o valor máximo chegou a 47,3 ºC. Nas ilhas, os valores são consideravelmente menores: 32,2 °C nos Açores e 39,1ºC na Madeira.

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