Mofo tóxico, frio e falta de espaço. ONG criticam condições de “alojamentos temporários” para crianças em Londres

Agência Lusa , NM
17 jan, 09:45
Crianças na escola

Num relatório de 51 páginas existem vários testemunhos, incluindo o de uma mãe mulher grávida que foi forçada a viver com três crianças num estúdio

Crianças em Londres estão a crescer em “alojamento temporário” precário e inabitável como resultado de falhas persistentes nas políticas do Governo e autarquias, alertam as organizações Human Rights Watch e Childhood Trust num relatório conjunto publicado esta segunda-feira. 

Entre maio e outubro de 2021, a Human Rights Watch entrevistou 75 pessoas, incluindo 33 que viviam ou saíram recentemente de alojamento temporário em vários bairros de Londres, providenciado pelas autoridades enquanto esperam por habitação social, o que pode demorar anos. 

As pessoas entrevistadas descreveram condições como mofo tóxico, temperaturas frias e falta de espaço adequado, condições precárias que as organizações humanitárias britânicas consideram ser uma violação do direito à habitação adequada e dos direitos das crianças a um nível de vida adequado. 

O relatório de 51 páginas inclui vários testemunhos, incluindo de Amaka L., mãe grávida com mais três crianças - de quatro, sete e nove anos - que foi forçada a viver seis meses em 2020 num estúdio em Lambeth, no sul da capital, cujo quarto "era tão pequeno que todos tiveram de dividir uma cama de casal". 

O município londrino de Southwark terá colocado Layla W. com as quatro filhas, de seis a 26 anos, numa casa de três quartos entre 2017 e 2019, cujo mofo tóxico resultou em problemas respiratórios na filha mais nova, que foi diagnosticada com "asma, além de precisar de uma operação para ajudar na respiração irregular".

Em Wandsworth, Jada T., uma menina de 15 anos, desenvolveu pneumonia devido ao frio que passava pelas rachas nas paredes de um prédio onde foi colocada com a família entre 2018 e 2020, acabando por se mudar temporariamente para fora de Londres para recuperar, o que resultou em dois meses sem ir à escola. 

As duas organizações responsáveis pelo relatório responsabilizam os cortes no financiamento do Governo às autoridades locais e também a falta de habitação social, lembrando que as autarquias são obrigadas pela lei inglesa a garantir alojamento temporário às pessoas ameaçadas de ficarem sem-abrigo, ou que se tornaram sem-abrigo recentemente.

Segundo o estudo, o número de famílias em alojamento temporário aumentou 65% desde 2011. Em outubro de 2021, 42.290 famílias viviam em alojamento temporário em Londres.

“O Governo precisa de abordar urgentemente este aspecto oculto da crise de habitação, reduzindo a dependência de alojamento temporário e combatendo a questão de habitações impróprias para as famílias viverem”, afirmou Alex Firth, coordenador da Human Rights Watch e um dos autores do relatório.

Laurence Guinness, diretor da Childhood Trust, lamentou que crianças estejam a sofrer "abusos terríveis dos seus direitos com consequências devastadoras para a saúde, educação e oportunidades de vida".

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