Chegou pelas 08:00 e nunca mais saiu do carro da creche. Criança que morreu em Almada esteve 45 minutos a ser reanimada

24 jul, 20:20
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Bombeiros admitem que o calor dentro do carro fechado pode ter sido decisivo para o desfecho fatal

Uma sucessão de falhas levou a uma tragédia que os pais de uma criança de 18 meses nunca vão esquecer. Sofia ficou esquecida durante cerca de sete horas no carro da creche que frequentava, acabando por não resistir ao calor que se fez sentir entre as 08:00 e as 15:00 desta quinta-feira em Almada.

A Polícia Judiciária já está em campo para investigar o que aconteceu e apurar eventuais responsabilidades criminais na rotina que acabou da pior forma.

A bebé de ano e meio foi entregue durante a manhã a uma funcionária da creche Mestre Cuco numa zona de Almada. Dali seguiu cerca de cinco minutos de carro para o Pragal, no mesmo concelho, mas a menina nunca chegou a deixar a viatura.

Por razões que ainda estão por esclarecer, o automóvel acabou estacionado junto a outro colégio do mesmo grupo, na Avenida do Cristo Rei.

A criança permaneceu todas aquelas sete horas dentro da viatura, no ovo que a transportava, com as janelas fechadas num dia de temperaturas elevadas - o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) indicava valores a rondar os 30 graus naquele dia, sendo que o termómetro dentro de um carro fechado ao sol sobe sempre.

O alerta acabou por ser dado ao início da tarde, quando a mãe da menina se deslocou ao berçário no Pragal para ir buscar a filha, como de costume.

Apercebeu-se que a criança tinha, afinal, ficado esquecida. O INEM foi imediatamente acionado e os bombeiros de Cacilhas, apoiados por uma viatura de emergência e reanimação, deslocaram-se ao local.

Quando os operacionais chegaram ao local já a criança tinha sido retirada depois de populares terem partido o vidro. Estava em paragem cardiorrespiratória, mas as equipas de emergência ainda tentaram, durante 45 minutos, realizar manobras de reanimação. Sem sucesso, como se sabe, confirmando o desfecho fatal.

Olhando para o que se passou, os bombeiros admitem que o calor acumulado dentro do carro ao longo de todas aquelas horas pode ter sido determinante.

A Polícia Judiciária vai agora ouvir a funcionária que assegurava o transporte e os responsáveis do colégio, que já lamentou a situação e garantiu estar ao dispor da família para o que for necessário.

O corpo da bebé será, em breve, autopsiado no Instituto de Medicina Legal, que deverá confirmar a existência de uma paragem cardiorrespiratória associada a um golpe de calor.

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