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Proibido encher piscinas, lavar carros ou usar chuveiros de praia: um dos maiores concelhos do país está em alerta porque não tem água

8 jul, 19:05
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Consumo médio de um português por dia é de 180 litros de água. Neste concelho estão a gastar-se 300 litros

Almada está em alerta e anunciou uma série de medidas para tentar combater um problema que afeta o concelho há já vários dias: a falta de água.

De acordo com o comunicado da autarquia, foi declarada a situação de alerta, já que as medidas anteriormente aplicadas não conseguiram mitigar os efeitos que se vão sentido no oitavo município mais populoso do país, e onde moram cerca de 180 mil pessoas.

A decisão surge depois de uma reunião que juntou a Câmara Municipal de Almada à Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e à a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

A autarquia alerta que a atual situação é “excecional e resulta de um aumento muito significativo do consumo de água”, que surge à boleia da onda de calor que afeta o país desde o início de julho.

Isso mesmo está a exercer “uma pressão sem precedentes sobre o sistema de abastecimento”, pelo que o município entende que “é fundamental reduzir rapidamente os consumos para permitir a recuperação dos níveis de segurança dos reservatórios”.

A título de exemplo, a Câmara Municipal de Almada explica que o consumo médio no concelho ultrapassa já os 300 litros por habitante/dia, sendo que a média nacional é de 180 litros. Um aumento que é particularmente notório nas freguesias de Charneca de Caparica (15,2%), Sobreda/Lazarim (15%) e Costa da Caparica (14,2%).

Perante este cenário, a Câmara Municipal de Almada avisa que haverá um corte total do abastecimento em algumas zonas entre as 22:00 e as 06:00, sendo que os munícipes afetados serão avisados com a devida antecedência. De resto, a autarquia revelou, entretanto, as localidades que vão ser afetadas: Charneca de Caparica, Aroeira, Marisol, Fonte da Telha, Palhais, Lazarim, Botequim, Vila Nova de Caparica, Capuchos, Pilotos, Funchalinho, Vale Rosal, Vale Cavala, Quintinhas  e Quinta de Santa Teresa.

Em paralelo, e enquanto vigorar a situação de alerta, serão implementadas restrições ao consumo de água que permitam preservar este recurso essencial para o abastecimento doméstico e para os serviços indispensáveis à população.

As medidas aplicadas são as seguintes:

                •             A rega de jardins públicos e privados, e de campos de golfe;

                •             A lavagem de viaturas;

                •             O enchimento de piscinas;

                •             A utilização de chuveiros e lava-pés nas zonas balneares;

                •             O funcionamento de fontes ornamentais, lagos artificiais e outros elementos de uso estético de água;

                •             A lavagem de pavimentos exteriores, logradouros, paredes e telhados, com exceção de intervenções de conservação do edificado;

                •             Outras utilizações recreativas ou não indispensáveis.

Nos últimos dias, moradores de várias localidades do concelho têm relatado sucessivas falhas de água, com especial incidência na Costa da Caparica, tendo sido ativado, na segunda-feira, o plano de contingência dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada e criado um gabinete de crise.

Entre as medidas para responder ao problema, a câmara e os SMAS explicam que foi decidido fazer-se o corte total do abastecimento em determinadas zonas do concelho, das 22:00 às 06:00, assegurando que os munícipes serão informados com a devida antecedência, de forma a organizarem da melhor forma a sua vida, bem como de possíveis alterações na duração dos cortes.

Durante o período de alerta estão proibidas todas as utilizações de água da rede pública que não correspondam a usos domésticos ou essenciais, designadamente, a rega de jardins público e privados, e de campos de golf, a lavagem de viaturas, o enchimento de piscinas, a utilização de chuveiros e lava-pés nas zonas balneares, o funcionamento das fontes ornamentais, lagos artificiais e outros elementos de uso estético de água e a lavagem de pavimentos exteriores, logradouros, paredes e telhados, com exceção de intervenções de conservação do edificado outras utilizações recreativas ou não indispensáveis.

A Câmara Municipal de Almada refere também que “está igualmente a ser avaliada a necessidade de adotar medidas adicionais de redução de consumos, incluindo a suspensão temporária de atividades ou equipamentos municipais particularmente consumidores de água, caso tal se revele necessário para acelerar a recuperação do sistema”.

Foi ainda decidido fazer-se o reforço permanente da monitorização do sistema de abastecimento e dos níveis dos reservatórios, das equipas técnicas para deteção e reparação urgente de fugas e roturas e das equipas de fiscalização para prevenir consumos abusivos, utilizações ilegais de água e desperdícios.

Segundo a autarquia, a situação que o município de Almada enfrenta é excecional e resulta de um aumento muito significativo do consumo de água, que exerceu uma pressão sem precedentes sobre o sistema de abastecimento.

Por outro lado, salientam, será garantido o abastecimento aos equipamentos e serviços essenciais, nomeadamente hospitais, centros de saúde, lares, bombeiros e restantes infraestruturas críticas, disponibilizados meios alternativos de abastecimento, incluindo camiões-cisterna, nas zonas onde tal venha a revelar-se necessário e reforçada a articulação com municípios vizinhos e restantes entidades competentes para assegurar toda a capacidade de resposta disponível.

A autarquia garante ainda que os SMAS de Almada e a Câmara Municipal “continuarão a acompanhar permanentemente a evolução da situação, divulgando informação regular sobre o estado do sistema, as medidas em vigor e eventuais alterações ao funcionamento do abastecimento”.

“Este é um esforço coletivo. Cada litro de água poupado contribui para proteger o abastecimento de todos. É com o contributo de cada cidadão, de cada empresa e de cada instituição que conseguiremos ultrapassar este momento e regressar à normalidade o mais rapidamente possível”, sustentam as duas entidades no comunicado conjunto.

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