Alla Pugacheva: uma das mais conhecidas cantoras da Rússia fartou-se de Putin e pediu para ser declarada "agente estrangeira"

19 set, 12:39
Vladimir Putin e Alla Pugacheva (AP)

Críticas surgem depois de a cantora e o marido terem deixado a Rússia em março. Se ele sempre foi crítico da guerra, é a primeira vez que ela fala abertamente do assunto

Representou a Rússia no Festival Eurovisão da Canção em 1997, ainda Vladimir Putin não era presidente do país, mas há muito que já era conhecida do povo russo. Agora, e aos 73 anos, Alla Pugacheva, que tem três milhões de seguidores no Instagram e milhões de discos vendidos, entrou em litígio com o seu país por causa da guerra na Ucrânia.

Se desde fevereiro procurou manter uma postura calma sobre o assunto, os mais recentes desenvolvimentos fizeram-na falar, publicando uma longa mensagem contra o Kremlin, na qual acaba a pedir que a declarem como “agente estrangeira” – uma formulação, criada em 2012, que visa rotular russos que estejam contra o regime. É o caso, por exemplo, do antigo mestre de xadrez Garry Kasparov, que também é um conhecido opositor do regime e que desde 2013 vive no estrangeiro.

A decisão de Alla Pugacheva surge depois do seu marido, Maxim Galkin, um comediante, também ter sido designado como “agente estrangeiro”, tendo dito que a guerra na Ucrânia está a provocar a morte a soldados russos que “morrem por causa de objetivos ilusórios que fazem do nosso país um pária”.

A cantora afirma que o marido era um “bom, verdadeiro e incorruptível patriota” que desejava “prosperidade” e “liberdade de expressão”, e que, por isso mesmo, pediu ao Ministério da Justiça da Rússia a designação de “agente estrangeira”.

Maxim Gulkin fez uma publicação no Instagram este domingo, criticando amplamente as opções militares do Kremlin, negando ainda as alegações russas de que estaria a receber dinheiro da Ucrânia para fins políticos: “Não estou envolvido na política. Desde o palco, nos meus concertos, estou empenhado no género humorístico, na sátira política, e tenho-o feito por 28 anos”.

“Não vendo a minha opinião e pensamento e não compro os de outros”, acrescentou, garantindo que não comercializa “consciências”, dizendo também que todo o dinheiro que recebeu da Ucrânia foi pela participação em concertos.

Alla Pugacheva e Maxim Gulkin estão a viver desde março em Israel, tendo saído da Rússia nessa altura, menos de um mês depois do início da guerra. Se a mulher se tinha mantido afastada das críticas até ao momento, desde o início que o homem critica a chamada “operação militar especial” lançada pela Rússia.

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